O Sol e o Vento

O Sol e o Vento discutiam sobre qual dos dois era mais forte e o Vento disse:
- Provarei que sou o mais forte. Vê aquele velho que vem lá embaixo com um capote? Aposto como posso fazer com que ele tire o capote mais depressa do que você.
Então o Sol recolheu-se atrás de [...]

Clima organizacional sujeito a sol e trovoadas

Já sei o que você está pensando: esse tema sugere as participações da “mulher do tempo”, como nos telejornais.
É verdade que a tecnologia avançou consideravelmente nesta área, onde permite que muitas pessoas aguardem essas referências para viajar, sair de casa, fazer algum negócio, preparar a terra para plantar as sementes.
Porém, mesmo com tantas tecnologias, não [...]

Curso Noturno

Artur da Távola
Cansaço e caderno encardido
na luz errada, fio à mostra.
Dorida sala de aula.
Paredes cansadas de palavrão
Bancos melados ouvem
o professor ofegante
que idealiza salários
e um Brasil melhor
no guarda pó amargurado.
Lá fora, a rua é fragor
e antes das dez já deu vontade de trepar.
O pai ferroviário não desconfia
enquanto a mãe
passa a roupa da formatura
desde o primeiro ano.
O [...]

Manifesto Ingênuo

Artur da Távola
A poesia começa quando o poeta pensa que acabou o poema.
O poema não é a poesia. É somente um dos seus condutores, talvez até o mais aparelhado.
Toda poesia que cede ao poema frustra-se.
Todo poema que cede ao verso, perturba-se.
Todo verso que cede à beleza arrisca-se.
Toda beleza que domine o poeta ameaça-o de não [...]

Cão A Morder A Cauda

Será que só sou
O que já sei?
Sou mais
Ou sei aquém?
Posso saber além
da fatalidade do eu?
Por mais que saiba ser
esbarro apenas em mim?
Ser é saber-me?
Ou saber-se sendo?
Preciso ser além do que sei
para saber além do que sou?
Ser é saber-se
ou cumprir o determinismo do si-mesmo?
Se sou perco a liberdade.
Se não sou escravizo-me a ser.
Ser será liberar-se de [...]

Poema Para O Tubarão

Artur da Távola
Vago vibrátil
vesânica vertigem
vezo vaticínio veraz.
Verdadeira solidão.
Pássaro petardo
partejando penas
pontiagudo pente
pilhando nacos.
Turvo tarado
turbinado torpedo
tudo tasca túmido,
triturando cernes.
Ladeia lascivo
ligeiro lábil
logo lasca,
luta destroça.
Só soslaio
sorrateiro singra
saqueia sangra
sempiterno estraçalhar.
Arpão arteiro
artilheiro arrebata
arretado, atilado, ardiloso
autista mordedor.
Ronda roça rancor
rapidez rodeia rói
rapace reaparece
rapa rouba voraz.
Narcísico nanocéfalo
nesga nazista
nítido natante nu,
navega e mata.
Diuturno ditador
destroça decidido
dizima delirante dente
dobermann do mar.

Comunicação De Amor

“Assim como na brisa
Se sentem duas coisas,
O toque e o som ou murmúrio,
Assim também, na comunicação do Esposo,
A alma percebe outras duas coisas
Que são o sentimento de deleite
E a compreensão dele.
O perpassar da brisa
É experimentado pelo sentido do tato,
Enquanto o sussurro do vento
É escutado pelo ouvido:
De modo análogo, o toque das virtudes do Amado
É percebido [...]

Língua Remendada

É branda para deleitar, grave para engrandecer, eficaz para mover, doce para pronunciar, breve para resolver e acomodada às matérias mais importantes da prática e escritura.
Para falar, é engraçada, com um modo senhoril; para cantar, é suave, com um certo sentimento que favorece a música; para pregar , é substanciosa, com uma gravidade que autoriza [...]

Tempo que foge…

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora.
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam [...]

O Despertar Dos Teólogos

Dogma é um princípio religioso, filosófico ou científico como sendo uma verdade incontestável e indiscutível. Qualquer que seja ele, porém, é sempre de uma verdade relativa e temporária. E o que mais resiste à transformação dos dogmas é o orgulho e o ego dos seus defensores, entre os quais os mais aguerridos são os religiosos. [...]


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