A Cultura Da Mudança
Capacitação em gestão da inovação auxilia empresas na obtenção de financiamentos para P & D
Débora Remor debora@empreendedor.com.br
Vencer os preconceitos da administração e incluir a cultura de inovação na gestão das empresas ainda parece uma tarefa difícil, mas aos poucos as áreas de pesquisa e desenvolvimento, marketing e produção estão conseguindo ultrapassar estes obstáculos. Depois da quebra de paradigma, os resultados aparecem rapidamente e com engorda nos números de faturamento. Foi o que aconteceu com a Karsten,
fabricante de tecidos de cama, mesa e banho, com sede em Blumenau (SC).
A empresa começou a formar núcleos de inovação em 2004, e em três anos o faturamento com produtos
inovadores passou de 3% para 9% do total. “Os núcleos vieram da necessidade de se organizar para
transformar as idéias em produtos e projetos para o mercado. Os funcionários, clientes, a chefia e o
pessoal externo davam muitas idéias, mas poucas eram levadas adiante, sobrava muita idéia”, conta
Leoni Pasold, coordenador de pesquisa e desenvolvimento da Karsten.
A organização e a estruturação da empresa para pensar a inovação como princípio e inseri-la na gestão
demandam passos importantes de capacitação e no investimento. Recursos disponíveis para a inovação
tecnológica existem, principalmente de financiadoras públicas e bancos como o BNDES, mas para isso é
preciso amadurecer os projetos, e criar a cultura entre diretoria e funcionários. “Ainda existe dificuldade de elaborar e apresentar os projetos. Em geral, as empresas não sabem apontar os resultados e
a maneira de implantar esses projetos”, observa Rodrigo Coelho, representante da Finep para Santa Catarina e Paraná.
Karsten, Eliza Coral e Rodrigo Coelho: Núcleo de Gestão da Inovação aumentou faturamento da empresa
Algumas entidades, entre elas Unicamp, Anpei (Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras) e IEL (Instituto Euvaldo Lodi), oferecem cursos de capacitação em Gestão da Inovação para empresas. O IEL-SC promove Núcleos de Gestão da
Inovação (Nugin) desde 2005 e, dos sete implantados no ano passado, seis conseguiram obter
financiamentos do governo. “Fazemos, primeiro, o diagnóstico da inovação para identificar os pontos
fortes, a cultura da inovação e as barreiras para este desenvolvimento. Depois, apresentamos um projeto
para implementar o processo de inovação indicando um grupo de pessoas de várias áreas para integrar e
otimizar o trabalho”, explica Eliza Coral, coordenadora de Inovação e Transferência Tecnológica do IELSC.
Para a Karsten, a maior dificuldade no início deste processo foi a aceitação da inovação como peçachave
para o desenvolvimento. “A administração via a necessidade, mas não dava tanta importância. A
inovação era uma atividade isolada e paralela. Foi preciso mudar a cultura dentro da empresa, e hoje ela
já é bem difundida e vista como fundamental”, explica Pasold. Ele acrescenta que, depois da organização
para a inovação, houve também a implantação de metodologias para aproveitar as idéias e planejar os
produtos inovadores. “Já conseguimos obter recursos do governo, com dois financiamentos. Quando
engrena, depois da mudança, a coisa anda por si só. E vemos que os benefícios que estamos colhendo
são muito melhores do que a expectativa”, completa Pasold.
Ainda para este ano, financiamentos na base dos R$ 2 bilhões devem ser anunciados pelo governo
federal através da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O segundo edital para subvenção
econômica para inovação foi anunciado no final de agosto. Os recursos não-reembolsáveis, no valor de
R$ 450 milhões, são destinados a empresas inovadoras, e seus projetos não precisam estar ligados a
universidades. Os projetos devem estar voltados para a inovação tecnológica, visando a agregar valor
aos produtos. Outros R$ 26 milhões foram lançados pela Finep com objetivo de apoiar exclusivamente
micro e pequenas empresas inovadoras.
As linhas dos financiamentos são divididas em reembolsáveis e não-reembolsáveis, que necessitam da
publicação de edital. “Buscamos cooperação entre universidades e empresas para inovação aberta. As
empresas recorrem ao ambiente externo para solução de idéias e inovação de produtos. Universidades e
centros de pesquisa são parceiros naturais, mas não os únicos”, salienta Coelho. Desde o ano passado, a
Finep contratou R$ 171 milhões em projetos de cooperação entre empresas e universidades, R$ 480
milhões em subvenção econômica e outros R$ 19 milhões em financiamentos reembolsáveis a juro zero.
Modelos de financiamento da Finep
A Finep opera através de Programas, abrangendo quatro grandes linhas de ação:
I. Apoio à inovação em empresas
(a) Financiamento às empresas
PRÓ-INOVAÇÃO – Financiamento com encargos reduzidos para a realização de projetos de P & D e
inovação. As operações de crédito nesta modalidade são praticadas com encargos financeiros que
dependem das características dos projetos.
APGEFOR – Financiamento com encargos reduzidos para a realização de estudos e projetos de préinvestimento
que visem à implementação de obras de geração de energia elétrica a partir de fontes
renováveis, sejam elas alternativas, sejam convencionais, a serem realizados por empresas brasileiras de
engenharia consultiva.
JURO ZERO – Financiamento ágil, sem exigência de garantias reais, burocracia reduzida para atividades
inovadoras de produção e comercialização em pequenas empresas atuantes em setores priorizados pela
Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE).
(b) Programas de capital de risco
(c) Apoio financeiro não-reembolsável e outras formas de atuação
PAPPE – Apoio a projetos de pesquisa e desenvolvimento de produtos e processos, elaboração de
planos de negócios e estudo de mercado, prioritariamente em empresas de base tecnológica, sob a
responsabilidade de pesquisadores que atuem diretamente ou em cooperação com elas.
II. Apoio às Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs)
III. Apoio à Cooperação Empresas e ICTs
(a) Financiamento reembolsável para empresas e apoio não-reembolsável para ICTs
COOPERA – Apoio financeiro a projetos cooperativos de P & D e inovação entre empresas brasileiras e
ICTs.
PPI-APLs – Apoio financeiro a atividades desenvolvidas por ICTs, voltadas para assistência tecnológica,
prestação de serviços e solução de problemas tecnológicos de empresas formando aglomerados
característicos de Arranjos Produtivos Locais.
ASSISTEC – Assistência e consultoria tecnológica (extensionismo) por Institutos de Pesquisa Tecnológica
(IPTs) a micro e pequenas empresas para solução de problemas tecnológicos variados.
PROGEX – Apoio à assistência tecnológica por Institutos de Pesquisa Tecnológica (IPTs) para melhoria
do desempenho exportador de pequenas empresas. Inclui adequação tecnológica de produtos.
PRUMO – Apoio à assistência e prestação de serviços tecnológicos por Institutos de Pesquisa
Tecnológica (IPTs) a micro e pequenas empresas por meio de unidades móveis dotadas de
equipamentos laboratoriais.
RBT – Apoio a projetos entre empresas fornecedoras e ICTs, para a substituição competitiva de
importações em setores selecionados (atualmente, petróleo, gás e energia).
IV. Apoio a Ações de C&T para o Desenvolvimento Social
Fonte: www.finep.gov.br
Categoria: Administração
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