A essência humana na integração organizacional

Armando Correa de Siqueira Neto

 

Historicamente, encontramos diferentes formas de fragmentação humana, embasadas no modelo de ciência que utilizamos. Com o advento industrial, surgiram modelos de divisão do trabalho e especialização do operário, contribuindo, também, para o isolamento das pessoas e a perda de visão do todo.

As organizações buscam, avidamente, encontrar soluções para os problemas fundamentais de comunicação. Entraves relacionados ao capital humano e à fragmentação departamental existente. A finalidade é a de integrar os vários departamentos que constituem a corporação (termo este que deriva da palavra corpo, com sentido integral).

Uma das formas de se trabalhar esta deficiência tem sido a utilização de softwares de integração, que são programas criados para coordenar as múltiplas informações que transitam nas organizações (palavra derivada de órgãos, ou conjunto deles). As técnicas administrativas utilizadas para facilitar as implantações de programas e a gestão de mudanças são importantes, entretanto não têm força suficiente para “segurar o rojão”. Artifícios externos devem entrar em acordo com os recursos internos das pessoas envolvidas em cada processo organizacional.

É primária a necessidade de se levar em conta a vida subjetiva do ser humano para desenvolver programas de integração. A prioridade é se concentrar no relacionamento sócio-afetivo, para depois introduzir os de informações e atividades específicas da companhia (palavra que significa comer junto o pão, em companhia).

Se tomarmos as ações de forma isolada, unilateralmente, aumentaremos os riscos, e com isso, dificilmente a organização se aproximará do sucesso. Criar culturas organizacionais facilitadoras é um desafio que deve ser implantado rápida e firmemente. A cultura de integração deve dar espaço às manifestações pessoais de cada colaborador. É preciso que todos os profissionais estimulem este processo de comunicação. Deixar de lado, de verdade, a hierarquia vertical que apenas afasta as pessoas. Crê-se que as definições hierárquicas colocam cada um no seu devido lugar.

E isto é profundamente verdadeiro. Cada um na sua parte e só. Se prezarmos a unidade, precisamos de aproximação. A lógica da natureza humana nos sinaliza que para haver sintonia entre as pessoas é preciso convívio, variando em graus a sua profundidade qualitativa.

Estudos de longa data demonstram que faz parte do convívio social a formação de vínculo afetivo construído inicialmente em casa com os pais. Posteriormente, este modelo de contato é utilizado para as outras relações, em seus vários níveis. Integrar pessoas, portanto, é abrir canais afetivos que comunicam, a todo momento, o que sentimos. No entanto, costumamos, de forma eficaz, bloquear este tesouro das relações humanas. Isto se deve, pelo fato de aprendermos que trabalho é trabalho e vida pessoal é vida pessoal. Em suma, proibimos o que é inevitável e permitimos o que prejudica: o bloqueio, a ruptura.

Outro ponto vital é a aprendizagem. Cada um aprende de uma maneira. Existem métodos generalistas que agrupam as pessoas e as forçam a aprender por meio daquela estratégia específica. Não há como criar um método para cada ser humano. Todavia, o sucesso está ligado ao fato de nos aprofundarmos em conhecimento sobre o outro e extrair alguns modelos de como se dá o processo de aprendizagem. Para isso, precisamos nos dedicar em ouvir o outro mais atentamente, percebendo a sua totalidade. Como ele pensa e sente. O que o motiva na vida. Como ele percebe as pessoas e coisas que o rodeiam. De que maneira ele constrói o saber internamente.

Cabe lembrar que somente a pessoa é capaz de desenvolver as suas potencialidades. Somos colaboradores apenas. O que nasce neste tipo de relação é a confiança, elemento de grande escassez no dias atuais. Ela é uma base importante para que as relações humanas ocorram com solidez.

O caminho das pedras preciosas está em, também, levar em conta as emoções e os processos subjetivos do ser humano. Observar e conhecer a sua totalidade, para que, correspondentemente, ocorra a tão sonhada integração. Com estas questões facilitadoras, talvez seja mais fácil implantar programas que buscam a unidade organizacional.

As organizações contam com os seus colaboradores. Apenas, não percebem tão claramente que as partes fragmentadas desta convivência geram frustração e dificuldades na sobrevivência. Há um mercado extremamente competitivo e em crescimento que demanda atitudes, idéias, planejamentos, implementações e, sobretudo, integração humana. Isto faz total diferença.

 

1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas (Artigo sem votos)
Loading ... Loading ...


Deixe um comentario