A Mulher Que Move Montanhas

MARIA REGINA YAZBEK

* Renata Dias Garcia

Com apenas 23 anos, Maria Regina Yazbek assumiu um grande desafio: comandar a Movicarga, empresa fundada em 1973 pelos seus pais. Completamente despreparada para enfrentar o mercado, ela foi buscar aprimoramento em cursos de especialização. O fato de ser mulher, num setor até então dominado por homens, também pesava contra Maria Regina. Mas ela aprendeu a lidar com o preconceito de funcionários, clientes e fornecedores, sem se abater em nenhum momento.

E foi com esse espírito empreendedor que a Movicarga renasceu. O número de funcionários saltou de 15 para 1000 e o faturamento anual da empresa passou de US$ 600 mil para US$ 20 milhões. Hoje, a empresa é líder em movimentação de cargas e uma das grandes do setor de logística industrial do Brasil.

Maria Regina recebeu a reportagem do Carreira & Sucesso para um bate-papo, em que ela mostrou toda a sua competência e profissionalismo.

A INFÂNCIA…

Carreira & Sucesso: A fundação da Movicarga em 1973: como foi ter uma infância marcada por grandes transformações na sua família?

Maria Regina Yazbek: Foi uma fase curiosa. Duas coisas marcaram muito. A primeira é que a Movicarga funcionava na minha própria casa. Ao mesmo tempo, minha mãe cozinhava para os filhos e trabalhava na Movicarga. Eu lembro que ela ia entregar propostas de trabalho na Volkswagen e eu e meus irmãos ficávamos no estacionamento esperando ela voltar. Nessa época eu tinha 10 anos. A outra coisa que me marcou muito é que eu estudei num colégio super caro, de elite, o que estava fora da nossa realidade. Eu era da classe média. Era muito sacrificante para os meus pais pagarem aquele colégio. Eu sofria muita discriminação dos meus colegas. Para eles, eu era a menininha pobre da escola. Por outro lado eu via o sacrifício que meus pais faziam, então eu era uma ótima aluna. Essa discriminação foi uma grande lição na minha vida. Meus filhos, por exemplo, sempre estudaram em excelentes escolas, mas de um nível social mais baixo que o deles. Minha intenção era que eles tivessem contato com a realidade brasileira. Conseguissem dar valor ao dinheiro desde cedo. E eu consegui. Hoje, eles são adolescentes que entendem o sacrifício que eu fiz para chegar até aqui.

C&S: As lembranças da época em que seu pai foi trabalhar em Taubaté para garantir o sustento da família – pelo menos até que a Movicarga garantisse o sustento integral…

MRY: Meu pai ficou longe um ano e meio. Em 1975, quando a Movicarga tinha condições de garantir o sustento da família, ele veio trabalhar com a minha mãe. Eu tive uma educação super rígida. Na minha casa tinha hora para tomar banho, hora para assistir televisão e hora para dormir. Só podíamos assistir TV Cultura. Então, acho que pelo fato de existirem muitas regras e termos que ajudar minha mãe no serviço de casa eu não tinha muito tempo de sofrer com a ausência do meu pai. E minha mãe sempre foi muito presente. Ela fazia papel de pai e mãe.

C&S: A inauguração da sede da empresa, em 1982… os anos de incerteza ficaram para trás…

MRY: A gente morava em Moema, na zona sul de São Paulo, e foi alugado um galpão ao lado da nossa casa, onde funcionava a empresa. A Movicarga fazia parte do nosso dia-a-dia. A gente acordava ouvindo “Movicarga, bom dia”, almoçava, jantava e dormia ouvindo isso.

C&S: Sonhos de juventude…

MRY: Eu sonhava com tudo, menos trabalhar na Movicarga (risos). Quando eu entrei na faculdade eu tinha muita vontade de trabalhar numa multinacional. Pura ilusão. Então, trabalhar na Movicarga era a minha última opção. A empresa era tão familiar, tão artesanal. Via minha mãe fazendo bolo e pão com manteiga para os funcionários todos os dias. Até hoje existe isso aqui. Todos os dias é servido café da manhã para os colaboradores. Naquela época eu tinha como sonho trabalhar em um lugar mais sofisticado, com um escritório “high tech”. A Movicarga não tinha o glamour que eu estava procurando. Então eu fui trabalhar na Indiana, uma grande companhia de seguros. Eu achei que iria trabalhar lá para sempre…

OS PRIMEIROS PASSOS…

C&S: Sua formação em Administração… benefícios?

MRY: Eu acho que a faculdade de Administração não agregou muito valor ao meu conhecimento. Na minha opinião, não existe melhor administrador do que uma dona de casa. Minha mãe, por exemplo, não fez administração e é uma excelente administradora. Se hoje eu tivesse que optar faria engenharia. A maior parte do meu quadro de funcionários é de engenheiros. Eles assinam projetos da empresa.

C&S: O início da vida profissional em uma companhia de seguros… aprendeu com erros na casa dos outros?

MRY: Foi uma experiência muito enriquecedora porque eu enxerguei a realidade. Eu tinha um chefe alemão na Indiana que me tratava muito mal. Eu comecei a comparar a forma como os funcionários dos meus pais eram tratados e como eu era tratada. Meu pai sempre pagou hora extra. Então, na minha concepção inexperiente era comum receber por trabalhar mais horas. No fim do primeiro mês eu vi a realidade. Eles não eram como a Movicarga. Cheguei a ouvir do meu chefe que eu ficava até tarde porque era incompetente. Então, eu percebi que lá fora existia um capitalismo selvagem.

C&S: Cobrir férias de funcionários na Movicarga te trouxe algum aprendizado? De que forma aproveitou essa oportunidade?

MRY: Não acredito que me trouxe muita experiência porque eu fazia coisas mais simples cobrindo férias. O que realmente fez a diferença foi quando eu assumi a área de compras. Nessa mesma época, recebi uma proposta para trabalhar na Hyster, que é uma fabricante de empilhadeiras. Eu passei por todo o processo de seleção e quando eles iam me contratar perceberam que eu era filha do maior cliente deles. Resultado: eu não consegui o emprego. Eu tinha pedido demissão na Indiana porque queria trabalhar na Hyster e acabei ficando sem emprego. Meu pai, por já estar realizado profissionalmente, não queria mais trabalhar pesado. Foi quando eu assumi a responsabilidade de levar adiante a Movicarga. Inicialmente, minha idéia era provar para meu pai que eu tinha condições de ter sucesso. Ele não acreditava.

C&S: O espírito empreendedor de Regina no início… desenvolvido ou ainda caminhando para o desenvolvimento?

MRY: Eu acho que eu sempre tive esse espírito empreendedor. Eu gosto muito de fazer negócio. Várias coisas aconteceram para que eu acabasse assumindo a Movicarga. Meu irmão deixou a empresa. Ele era o mais indicado para comandar na visão do meu pai, já que além de mais velho ele é homem. E a Movicarga estava passando por uma crise. Para mim, foi um desafio enorme. Com apenas 23 anos e com essa enorme responsabilidade…

MARIA REGINA NO COMANDO…

C&S: Você se considerava inexperiente ao assumir a Movicarga em 1987? Acha que havia sido preparada para assumir a empresa?

MRY: Eu estava completamente despreparada. Eu só tinha 23 anos! Eu me lembro de um cliente que me mostrou que eu não tinha capacidade de levar adiante a empresa. Naquele momento eu fiquei triste. Mas depois parei para refletir e fui atrás de um aprimoramento. Fui fazer pós-graduação em Marketing e Finanças. Fui conhecer todas as técnicas de vendas. Eu consegui enxergar aquela crítica de forma construtiva. Não tive orgulho.

C&S: Seu pai deixando o comando da empresa…

MRY: Meu pai é uma pessoa realizada. A Movicarga não tem os problemas comuns de toda empresa familiar: ciúmes e disputa pelo poder. Poder para mim é passear, dormir até tarde, aproveitar a vida (risos). Então, acho que isso também reflete no nosso sucesso. A Movicarga tem um dono, ou seja, não é uma empresa que tem vários acionistas. O nosso endividamento é zero. Qualquer funcionário sabe que aqui não tem protecionismo; ele sabe que pode subir pelo seu esforço e competência.

C&S: O preconceito dos funcionários em ter como chefe uma garota de 23 anos… e ainda mulher…

MRY: No início tinha muito preconceito. Eles achavam que eu não iria dar conta por ser muito nova e mulher. Eu tive que mandar o chefe da oficina embora. Ele tinha anos de casa e não aceitava receber ordens minhas. Sempre queria saber se meu pai tinha autorizado o que eu havia pedido. Eu tinha uma escolha: ou o mandava embora ou eu saía. No início, eu tinha um grande problema. Os mecânicos podiam me enganar se quisessem. Eu não entendia daquilo. Isso me forçou a entender do assunto, sair em busca de aprimoramento.

C&S: Foi testada no início pelos seus clientes e fornecedores? Eles não acreditavam que você poderia dar conta do recado?

MRY: Eu fui muito testada. Eles me sabatinavam. Algumas vezes faziam perguntas que nem eles sabiam responder. Ficava chateada, mas confesso que foi a melhor época da minha vida. Meu pai tem a percepção de que se o cliente não te vê é porque o seu serviço vai bem. Essa era a visão do mercado na época do meu pai. Você podia controlar o mercado e escolher o seu cliente. Mas quando eu assumi, a situação era outra. Era preciso cuidar do marketing da empresa.

C&S: O que te levou a seguir em frente? A ter pulso firme?

MRY: No início a idéia era provar para o meu pai que eu era mulher e capaz, o que ele não concordava. Até que eu me dei conta de que eu queria ser igual a ele, uma líder, uma pessoa carismática. Eu queria esconder dos outros que eu era apenas uma menina. Então eu usava saia comprida, cabelos presos e óculos. Eu fazia expressão de brava (risos). E eu acho que eu comecei a crescer de verdade quando eu me desprendi dele. Quando assumi o meu estilo próprio. Isso foi em 1991. Eu acho que a partir daí, a empresa cresceu.

C&S: As diretrizes de seu pai… quais as diferenças entre a forma dele conduzir a empresa?

MRY: Meu pai é mais conservador do que eu em todos os sentidos. Ele tinha um pavor de trabalhar com mão-de-obra, o que aliás é super complicado. Trabalhar com empilhadeiras e máquinas é mais fácil: quebrou você conserta. Com pessoas você tem que saber lidar. Eu achei que a gente deveria arriscar e mudei de setor. Começamos a oferecer serviços de logística, e não só o aluguel de empilhadeiras. Meu pai, mais conservador, nunca me incentivou. Ele disse que era uma loucura e que eu era irresponsável. Mas a minha mãe sempre me apoiou. Ela me ajudou muito nessa transformação. Quando eu fechei contrato com a Formula 1 meu pai disse que eu estava jogando no lixo anos de trabalho, que estava afundando o nome da empresa. Mas depois desse cliente, a empresa se renovou. A Fórmula 1 nos abriu muitas portas. Enfim, apesar da gente ter formas diferentes de enxergar os negócios, temos a mesma preocupação de investir em funcionários.

C&S: Alexandre Valone, (diretor de infra-estrutura) um antigo funcionário que voltou para te ajudar quando você entrou no comando… por que ele?

MRY: Quando a gente começou, tudo era muito rudimentar. Eu vendia e ele fazia a entrega. Então, desde o começo nós nos complementamos. A gente faz uma dupla excelente. Quando a gente viaja para o exterior, os próprios clientes pedem para irmos juntos para mostrarmos a visão completa do negócio. Eles reconhecem que a gente se complementa.

C&S: Jornadas de 16 horas por dia no início da carreira. Como foi essa fase?

MRY: Eu trabalhava muito. Mas vou te falar uma coisa: foi a época mais feliz da minha vida. Meus filhos ainda estavam muito pequenos. Eu tive uma gravidez de risco da minha filha. Então, trabalhava em casa, deitada na cama. Na gravidez do meu filho eu trabalhei até as 21h, e ele nasceu às 24h (risos). Eles sentiram falta da mãe em casa. Mas o pai foi um apoio muito forte para eles. Uma vez eu recebi uma conta para pagar o curso de balé. Então, eu liguei para a escola e perguntei o que estava acontecendo. Eles explicaram que minha filha, que na época tinha cinco anos, disse que iria fazer aula de balé e que como a mãe não tinha tempo, ela mesma iria se matricular. A minha filha pediu para o motorista comprar tudo o que precisava. Eu vejo que tiveram pontos negativos, mas tiveram muitos pontos positivos também. Meus filhos são muito responsáveis.

C&S: Como se sente em ter sido a principal responsável pelos resultados positivos da Movicarga? De 15 para 1000 funcionários e um faturamento de US$ 600 mil para US$ 20 milhões… avalie a sua administração…

MRY: Eu sou apaixonada pela Movicarga e fico muito feliz em ver esse resultado. Eu sou uma profissional muito realizada. Comando uma empresa muito boa para se trabalhar. Nada é de graça aqui. Se fizer um bom trabalho, certamente eu recompenso. É uma troca. Eu acredito que esse é um dos motivos que alavancou a Movicarga. Se eu não tivesse um time excelente não atingiria esses resultados.

C&S: Quem acreditava em 1973 que a Movicarga seria uma empresa de sucesso? Com apenas 8 mil dólares na conta…

MRY: Só minha mãe e meu pai acreditavam…

C&S: A Fórmula 1 para a Movicarga…

MRY: A empresa pode ser dividida antes e depois da Fórmula 1. Foi um marco para a Movicarga. Quando eu fechei o contrato com a F1, eu tinha 28 anos. Eu assumi todos os riscos. A movimentação daquela carga preciosa, o carro do Ayrton Senna… se eu danificasse qualquer carga a imagem da empresa estaria perdida. Meu pai disse que eu estava louca. Mas eu decidi não vou voltar atrás. Tinha trabalhado muito para conseguir aquilo. Toda a equipe trabalhou demais. Eu mesma descarregava carga e passava pano no chão do box do autódromo. Às vezes, eu sentava no chão e tinha vontade de chorar… de cansaço e de alegria. Eu sofri muito preconceito também. Eles tinham medo de que eu não daria conta do trabalho. E hoje eles só querem mulheres dirigindo as empilhadeiras. Descobriram que as mulheres são mais cuidadosas (risos). Eu comecei só fazendo a descarga da Fórmula 1, e hoje somos responsáveis por toda a operação. Além deste cliente, fazemos toda a logística de shows internacionais, de cervejarias, além de outros grandes clientes da indústria brasileira.

C&S: A descoberta de que o futuro estava no setor de serviços e não mais no de produtos…

MRY: A nossa atividade original é o aluguel de empilhadeiras. Isto representa hoje apenas 4% de nossas atividades. Muitas empresas fazem o aluguel, por isso resolvemos partir para uma área ainda inexplorada. Então, tivemos que criar uma infra-estrutura para cuidar de todas as operações.

MARIA REGINA POR ELA MESMA…

C&S: Acredita que se adaptou às novas exigências do mercado? Relaciona a isso o seu sucesso?

MRY: Eu acho que me adaptei. Eu fui muito humilde ao admitir as minhas incompetências, a minha falta de conhecimento no início. Decidi me atualizar, estudar, ou seja, fui me reinventar. Devo ao esforço e à humildade o meu sucesso.

C&S: Suas principais competências e como as desenvolveu…

MRY: Eu acho que a minha principal competência é o meu otimismo. Eu sempre acho que as coisas vão dar certo. Eu sou uma pessoa muito persistente também. Receber um não é muito fácil; o difícil é você seguir adiante. Eu não sou teimosa, eu sou determinada. Eu acredito que sempre dá para tirar uma experiência proveitosa de qualquer situação.

C&S: As mulheres no mercado de trabalho…

MRY: Eu acho que a mulher tem muita chance de crescimento. Aquele velho preconceito está acabando. No segmento de logística, que exige ponderação, determinação e paciência a mulher ainda tem muito espaço para conquistar. No geral, a mulher já está inserida no mercado de trabalho. O que eu acho difícil é conciliar todas as jornadas: cuidar dos filhos, da casa e trabalhar.

C&S: Acha que trabalha demais atualmente?

MRY: Hoje eu tenho um papel muito mais estratégico na empresa do que operacional. A empresa cresceu tanto que exige um planejamento. E atualmente eu estou me dedicando muito mais aos meus filhos.

C&S: Significado da palavra foco para você…

MRY: Eu sempre falo em foco (risos). Minha irmã diz que aprendeu a palavra foco comigo. Foco para mim é responsabilidade, é obstinação, é dever, é qualidade e honestidade. Não adianta você fugir do seu objetivo principal. Você tem que ser focado se quiser ter sucesso. Por exemplo, às vezes eu tenho que atender um cliente que não gosto. Mas eu não me importo porque o foco é o negócio e não o meu lado pessoal. Perder o foco é deixar de lado o racional e se deixar levar pela emoção. É claro que a empatia também ajuda muito, mas não deve ser a prioridade. Não no meu negócio.

C&S: Seus irmãos seguiram caminhos diferentes… seu irmão com um negócio próprio e sua irmã partiu para a área de psicologia… você se sentiu abandonada?

MRY: Meu irmão morou um tempo no exterior e depois abriu uma loja de carros, e minha irmã é psicóloga. Eu não me senti abandonada. Eles trabalharam um tempo na Movicarga e depois seguiram seus caminhos. E eu tenho a minha mãe, que me ajuda muito aqui.

C&S: O tino comercial de sua mãe, Sohad…

MRY: Ela é realmente uma bruxa. Uma vez, meu pai prestou um serviço para a Ford e tinha resolvido cobrar R$ 500 por carreta. Minha mãe disse que ele podia cobrar R$ 12 mil cada uma. Meu pai ficou assustado, mas seguiu o conselho. O negócio foi fechado. Ela tem uma visão muito boa para os negócios.

C&S: Sua mãe como companheira de trabalho…

MRY: Trabalhar com ela é uma escola. É um presente. Ela é uma pessoa muito boa, mas é muito exigente quando o assunto é trabalho. Não perdoa nada. É implacável (risos). Minha mãe é super-protetora… cuida de tudo e de todos. É apaixonada pela Movicarga. Ela trabalha todos os dias aqui.

C&S: Significado da palavra “reinventar” na sua vida profissional…

MRY: Essa palavra está no meu dia-a-dia. Cada dia tem um novo desafio. O mercado está muito competitivo. Então você sempre deve estar criando, buscando as melhores soluções. Reinventar virou até uma obrigatoriedade devido à competitividade. Virou uma questão de sobrevivência.

C&S: Você se considera uma pessoa ambiciosa?

MRY: Tudo o que eu consegui foi pelo meu esforço. Eu sou uma pessoa determinada e as coisas foram acontecendo naturalmente. Para mim, o verdadeiro poder está na nossa felicidade e não no grau de importância do nosso cargo. Acho que justamente por eu não ter esse apego à ambição as coisas acabaram dando certo para mim. A minha missão é ter gente feliz trabalhando aqui. Trabalhar com gente infeliz não dá. É aquele velho dilema da pobre menina rica. Não adianta ter muito dinheiro se você não é realizada na sua vida pessoal. Mas eu nunca fui uma pessoa acomodada profissionalmente. De jeito nenhum. Ambiciosa não. Determinada sim. Sempre.

C&S: Workaholic assumida ainda hoje?

MRY: Não. Agora, a relação com os meus filhos é muito mais intensa. Eu vou para casa obrigatoriamente no final do dia. Eu viajo com eles e eles fazem questão de passearmos juntos. Eu fui mãe muito cedo e talvez por isso tenho uma relação muito boa com eles. Eu tenho muito prazer em estar com meus filhos. Aprendo muito com eles.

C&S: E o preço do sucesso…

MRY: Foi alto. Abri mão de muitas coisas. Me separei do marido. Eu me lembro que trabalhei em muitos aniversários. Acho que tudo tem um preço na vida. É uma decisão que você toma.

C&S: Se pudesse voltar no tempo, mudaria alguma coisa? O que?

MRY: Eu mudaria sim. Queria ter acompanhado o crescimento dos meus filhos. Eu não lembro quando eles começaram a falar e quando eles começaram a andar. São imagens que eu não tenho. Eu me lembro exatamente de quando conseguimos o contrato com a Fórmula 1. Tenho lembranças muito fortes quando o assunto é trabalho. Foi uma opção que eu fiz.

EM UMA PALAVRA…

Meu pai… é um referencial.

Minha mãe… é meu porto seguro (rs).

A executiva brasileira… é ainda muito sofrida.

Meu maior medo… é não ter saúde para trabalhar.

Eu quero… ser feliz.

Me arrependo… de não ter ficado mais tempo com meus filhos.

Hobby… velejar.

Sonho de consumo… dormir até tarde (risos).

Prioridade… meus filhos.

Planos… eu vivo o presente.

Maria Regina ama o que faz. Provavelmente, tenha sido esse o motivo, somado a sua competência e determinação, que fez com que a Movicarga renascesse. Hoje a empresa é responsável por toda a logística da Fórmula 1, desde o Aeroporto de Viracopos, em Campinas, até o autódromo de Interlagos, em São Paulo. Além de atender toda a indústria brasileira, a Movicarga gerenciou a logística de grandes shows como Madonna, Michael Jackson e Rock in Rio. Tudo isso só foi possível porque havia um sonho em família. O sonho do casal Sohad e Alberto Yazbek, que mais tarde também virou o sonho de Maria Regina e de outras 1000 pessoas. O que parecia distante foi alcançado. Graças à determinação e humildade dessa mulher que move montanhas.

* Renata Dias Garcia é jornalista do Grupo Catho. Tel.: (11) 3177-0700, ramal 351.

 

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