Como Manter O Eqüilíbrio Dentro Da Instabilidade

*Ana Maria Rossi, Ph.D.

Taxas de desemprego em alta, economia em baixa. Esta dupla é suficientemente explosiva para abalar o equilíbrio de qualquer profissional. Para os próximos anos, os analistas prevêem um horizonte um pouco menos turvo, mas a instabilidade continua e com ela o medo da demissão. Só este sentimento já é suficiente para que a ansiedade e os níveis de estresse aumentem. Aliás, a situação econômica é apontada por 42% dos brasileiros como fator estressante, ficando atrás apenas do medo da demissão, 59%. Os dados são da ISMA-BR (International Stress Management Association no Brasil).

Alguns psicólogos americanos estão se referindo às vítimas da recessão como portadores de estresse pós-traumático.
Os principais sintomas são dificuldade para dormir, irritação, impaciência, falta de concentração, memória fraca, músculos tensos, respiração rápida e superficial, frequência cardíaca acelerada e mãos e pés frios e suados. Mas o que fazer diante daquilo que parece tão fora do seu controle?

Muitas vezes, profissionais de Recursos Humanos ou aqueles que ocupam posições de comando de equipes, sofrem com a tarefa de serem os responsáveis pela comunicação ou decisão de uma demissão. Um executivo de 45 anos, de uma multinacional, teve o doloroso encargo de decidir a sorte de seus funcionários. Sentiu-se tão angustiado que quase tornou-se disfuncional. Não conseguia concentrar-se e sua memória ficou péssima. Ele também antecipava que poderia ser o próximo. Utilizando-se de técnicas de autocontrole e mantendo um estilo de vida saudável, este executivo conseguiu relaxar e dar-se conta de que de nada adiantaria consumir sua energia com antecipações negativas. Precisava estruturar-se emocionalmente para que sua performance fosse a melhor possível. E ele continua no emprego até hoje.

Algumas atitudes podem ajudar a manter o pensamento focado no trabalho e lidar melhor com o estresse e a ansiedade nesses momentos de crise e dificuldades na economia. Ter uma atitude positiva e evitar antecipações negativas é a primeira delas. A família e os amigos também costumam ser um excelente pilar de apoio nesses momentos difíceis.

Revise seus valores pessoais: aqueles que têm crenças espirituais, geralmente, vivem as crises de uma maneira mais indolor. E, sem dúvida, o conselho mais importante: não personalize sua demissão, caso isso aconteça. O que está em jogo é o seu trabalho e não você como pessoa. Assim, terá mais autoconfiança para procurar outra colocação ou uma atividade temporária para suprir suas necessidades.

*Ana Maria Rossi, Ph.D, é presidente da ISMA-BR, International Stress Management Association no Brasil, Doutora em psicologia clínica e comunicação verbal, Mestre em Comunicação de Massas e Mestre em Psicologia. Mais informações sobre ela e seu trabalho podem ser encontrado no site www.ismabrasil.com.br

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