Educação à distância: uma alternativa viável para capacitação dos funcionários
Rita de Cássia da Silva Pedroso de Albuquerque
Há muito tempo, a capacitação dos funcionários passou a ter um valor estratégico para muitas organizações, por ser uma das maneiras de desenvolver o potencial do indivíduo para obter o alto desempenho de suas funções.
Capacitar o indivíduo significa torná-lo apto, competente para desempenhar seu papel na organização, sendo que a empresa pode utilizar o treinamento, o desenvolvimento ou a educação para envolver o indivíduo em um processo de aprendizagem.
Segundo Nadler, o treinamento tem como único objetivo melhorar o desempenho do empregado no cargo atual, o desenvolvimento refere-se ao crescimento do indivíduo tanto como profissional quanto como pessoa, não está relacionado apenas à tarefa e a educação está relacionada à oportunidade oferecida pela organização ao indivíduo de participar de um processo formal de aprendizagem.
Quando pensamos em aprendizagem, imaginamos uma reunião de pessoas específicas, com um professor (ou uma pessoa que ensina), que estão juntas por um período de tempo pré-estabelecido, com objetivos em comum e com um tema determinado que será desenvolvido com base em uma técnica específica. Ou seja, imaginamos as pessoas juntas, compartilhando o mesmo espaço e tempo, para aprender algo, adquirir uma nova forma de conduta ou modificar uma anterior, reconstruir experiências e modificar comportamentos, visando uma maior eficácia no trabalho (alto desempenho).
Porém, o espaço comum para aprendizagem tem se modificado e o conceito de tempo também tem sido repensado com o uso das tecnologias de comunicação. Uma “nova” forma de capacitar os indivíduos tem sido discutida nas organizações: a educação à distância.
Sobre educação à distância
Segundo Moran (2000), “educação à distância é o processo de ensino-aprendizagem, mediado por tecnologias, no qual professores e alunos estão separados espacial e/ou temporalmente. Apesar de não estarem juntos, de maneira presencial, eles podem estar conectados, interligados por tecnologias, principalmente as telemáticas, como a Internet. Mas também podem ser utilizados o correio, o rádio, a televisão, o vídeo, o CD-ROM, o telefone, o fax e outras tecnologias semelhantes”.
Nesse processo de ensino-aprendizagem, o professor não é mais o principal responsável em transmitir as informações, essas podem ser acessadas nos “bancos de dados, livros, vídeos, programas em CD ROM” (Moran, 1995), sites de busca da Internet. “Ensinar e aprender hoje não se reduz a estar um tempo numa sala de aula” (Moran, 2003). O processo de aprendizagem torna-se mais dinâmico, no qual o adulto aprendiz assume um papel mais ativo e condizente com a realidade do mundo globalizado.
Na realidade, a educação à distância (EAD) tem sido utilizada há muito tempo em diferentes países como uma alternativa de atingir um setor da população que não tem outra forma de acesso à educação, seja por razões geográficas, por falta de escolas próximas ou ainda por outras impossibilidades. A EAD, durante muito tempo, foi utilizada para dar oportunidade para aqueles que não puderam ou não tinham condições de se matricular em um curso regular, condição que fez com que a EAD fosse considerada um “estepe do ensino” (Azevedo). Nesse período, eram utilizados principalmente materiais impressos, enviados pelos correios, sendo a interação com o professor muito baixa ou inexistente, tendo como característica principal, além da distância, o isolamento do aluno.
Na década de 70, além dos materiais impressos, foi possível agregar ao ensino à distância outros meios de comunicação, tais como: televisão, rádio, telefonia, fitas de vídeo e áudio. Porém, os custos desses meios de comunicação ainda eram altos para as empresas, não despertando muito interesse por essa modalidade de ensino.
Hoje, a EAD parece estar ganhando forças, a possibilidade de utilizar as redes informatizadas e recursos de comunicação, mediadas por computador, como meio de transmissão de conhecimento, tem levado tanto as organizações quanto a área educacional a dispensarem maiores atenções a essa modalidade. A EAD passou a ser uma opção de qualificação, uma alternativa viável para melhoria quantitativa e qualitativa no atendimento às demandas educacionais.
Para o adulto aprendiz, a EAD proporciona a liberdade de escolher o próprio local e espaço de estudo. Para a organização, além de agilizar o processo de capacitação profissional dos funcionários, garante uma economia dos custos dos treinamentos corporativos em até 60% - redução de gastos principalmente destinados ao deslocamento dos funcionários para os cursos presenciais - hospedagem, passagem, transporte, alimentação etc (Dalmau et al).
Caminho da EAD nas organizações
A demanda por uma capacitação continuada tem levado algumas organizações a assumirem o processo de aprendizagem de seus funcionários. As empresas privadas, desde a década de 80, investem em EAD e hoje já possuem suas próprias universidades corporativas, as quais mesclam cursos presenciais e à distância. Apesar do conceito de universidade corporativa não estar consolidado, pode ser definida como uma estratégia para o desenvolvimento e educação de funcionários, consumidores e fornecedores para atender as necessidades do negócio de uma organização cujo negócio principal não é a educação.
No setor público, o interesse pela capacitação profissional é crescente e o investimento no aprimoramento dos centros de treinamento coincide com o caminho já trilhado pela iniciativa privada. Algumas organizações vêm investindo em treinamento à distância e em parcerias com universidades tradicionais e instituição de excelência para complementar a formação dos funcionários com informações atualizadas e modeladas, para possibilitar um melhor rendimento no trabalho. Outras instituições já possuem suas próprias universidades corporativas, nas quais os modelos presenciais e à distância são utilizados de acordo com suas competências.
Uma conclusão sobre a EAD
A utilização da EAD tem demonstrado um caminho alternativo para a capacitação profissional, sendo que sua utilização deve ser balanceada com o treinamento presencial de acordo com o programa a ser oferecido. Observa-se ainda que existem algumas resistências por parte dos alunos e instrutores às ferramentas de EAD, por estarem habituados com modelos presenciais e ainda não estarem preparados para usufruir das vantagens oferecidas pela EAD.
Segundo Moran (2003), “a escolha das mídias está intrinsecamente ligada ao público-alvo a ser capacitado, seus recursos tecnológicos e habilidades no uso das mesmas, distribuição geográfica, além da relação custo/benefício. Com a diversidade tecnológica, de infra-estrutura e cultural que temos no Brasil, diversas mídias coexistirão por muito tempo”, do material impresso à Internet.
Para que se possa utilizar a EAD como uma estratégia de capacitação é preciso que esteja claro o objetivo organizacional do curso, além de considerar a adequação dos conteúdos, informações e tecnologias a serem utilizadas à realidade dos funcionários.
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Categoria: Administração
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