Emílio Odebrecht: inspiração para o autodesenvolvimento


Fonte: Instituto Empreender Endeavor

 

Emílio Odebrecht é um exemplo de crescimento e inspiração para jovens empreendedores. Seu estilo de comando considera fundamental dar atenção a todos os stakeholders da organização – clientes, acionistas, funcionários e comunidades presentes em locais onde as unidades da organização estão instaladas.

Nesta entrevista, o presidente do Conselho de Administração da Odebrecht S.A., um dos 250 mentores Endeavor, fala sobre sua trajetória, sustentabilidade e aconselha novos empreendedores a almejar sempre o aumento e perpetuidade do negócio. Confira a entrevista completa abaixo.

Qual é o maior desafio enfrentado pelos empreendedores hoje?
Emílio Odebrecht
- Sem dúvida, é o desafio da sustentabilidade. A sobrevivência do empreendimento, a criação das bases para o crescimento e o compromisso com a perpetuidade configuram o grande desafio que é a transformação do sonho em um negócio sustentável. Vale lembrar que, além da sustentabilidade do próprio empreendimento, assegurado pelas pessoas que o integram, pelos clientes aos quais estas pessoas servem, pelos resultados alcançados e pelo obrigatório investimento na empresa; há um novo imperativo para os empreendedores no mundo contemporâneo: o processo de geração de riquezas precisa traduzir para a sociedade um compromisso moral das empresas com os problemas que afetam o planeta e penalizam a humanidade, como a pobreza, a violência e a preservação dos recursos naturais entre outros.

A vontade que fez seu avô abrir uma construtora no Nordeste, em 1920, é a mesma que devem ter os empresários de hoje em dia?
Odebrecht
- O primeiro Odebrecht a chegar no Brasil, vindo da Alemanha, foi Emil, bisavô de meu pai. Ele chegou em 1856 e encantou-se com um país onde tudo ainda estava por fazer. Trabalhou muito, a maior parte da vida como funcionário público e tinha o espírito de servir e uma extraordinária visão de futuro. Essas características foram herdadas por meu avô e por meu pai, que, de forma pioneira, lideraram a constituição de duas grandes empresas no Nordeste. Meu avô Emílio, nascido em Blumenau, que migrou para o Nordeste em 1920, com 25 anos, e meu pai, em 1944, com 24 anos. O que os moveu é o que nos move hoje – servir e construir riquezas que sejam compartilhadas por todos. Não há nada mais importante que isso e, portanto, é o que deve continuar movendo os homens e as mulheres que acreditam na possibilidade de construção de um mundo melhor.

Qual é a importância da Endeavor para os empreendedores?
Odebrecht
- A Endeavor assumiu perante aos jovens que desejam empreender, o papel de apoiá-los notadamente como instituição educadora e difusora da experiência proveniente de voluntários, da equipe que comanda a instituição e dos membros de seu Conselho. Assim, tem contribuído de maneira decisiva e diferenciada para preparar novos empresários capazes de buscar a emancipação pessoal mediante a autonomia produtiva, de modo que possam ser senhores do próprio destino. Isso define sua importância.

Qual é a importância dos novos empreendedores para a economia brasileira?
Odebrecht
- Os novos empreendedores são importantes porque renovam em cada um de nós a confiança no futuro do Brasil. Afinal, o destino de nosso país está nas mãos de sua gente. Quando jovens decidem assumir o papel de protagonistas do processo de geração de riquezas, confiantes na própria capacidade e nas potencialidades brasileiras, o sentimento deve ser de esperança e orgulho.

O que é a Tecnologia Empresarial Odebrecht?
Odebrecht
- A Tecnologia Empresarial Odebrecht é uma filosofia de vida aplicada ao trabalho, estruturada a partir de princípios, conceitos e critérios que se fundamentam em valores e crenças. É o guia de nossas decisões e a base para a educação das novas gerações, que assegura o processo permanente de renovação na Organização Odebrecht. Seus pilares são a descentralização, a delegação planejada, a parceria – que nos permite caracterizar a Odebrecht como uma confederação de pequenas empresas – e a partilha dos resultados, que faz de cada parceiro integrante de nossas empresas, um sócio de fato, que se sente e age como se fosse dono. Ela surgiu quando meu pai, Norberto, que com apenas 23 anos de idade assumiu a liderança da construtora de meu avô que vinha enfrentando enormes dificuldades, decorrentes da Segunda Guerra Mundial. Meu avô deixou os negócios e meu pai assumiu, com o compromisso de pagar as dívidas acumuladas com fornecedores, clientes e com o banco financiador. Mas existiam ativos importantíssimos, que eram os mestres-de-obras e os trabalhadores formados nos canteiros de obras de meu avô. A única maneira de o jovem Norberto liderar aqueles mestres, homens de caráter, disciplina no trabalho e amplo domínio da profissão, todos mais velhos do que ele, era incentivá-los a se tornarem empresários dos pequenos negócios que herdara, que eram as obras por concluir. Deu-lhes autonomia para tomar as decisões necessárias junto aos clientes e combinou que a remuneração seria decorrente dos resultados alcançados. Deu certo e, assim, operamos até hoje.

O que um líder deve fazer para que seu negócio se perpetue?
Odebrecht
- A primeira coisa é ter clareza sobre onde ele quer chegar. A seguir, manter equipes coesas, alinhadas, desafiadas e motivadas, ligadas por laços de disciplina, respeito e confiança, capazes de criar a ponte que liga o acionista ao cliente. Ao líder caberá, então, reduzir esta ponte a menor distância possível, para que possa fluir, do lado do acionista, o espírito de servir e refluir. Do lado do cliente, os resultados que asseguram o crescimento da empresa e a geração de riquezas para seus integrantes e para a sociedade. Caberá também ao líder, buscar conquistar novos clientes, mas, principalmente, dedicar seu melhor esforço para manter os clientes aos quais já serve. Finalmente, ter a consciência de que as oportunidades, os recursos e os resultados estão fora da empresa, e ter a convicção de que cabe ao líder criar as condições para seus liderados poderem exercitar a capacidade de empresariar, sem imposição de limites, de modo a agir com criatividade e autonomia. Os liderados devem ser avaliados pelos resultados que proporcionam e não pelas atividades que realizam. Em síntese, perpetuar uma empresa exige identificar, formar e integrar pessoas comprometidas, criativas, dotadas de visão de futuro, que refutam egoísmos, oportunismos e uma visão mercenária da vida. Por isso, deve-se valorizar líderes formadores.

Os colaboradores mais recentes recebem treinamento para serem inseridos na cultura Odebrecht?
Odebrecht
- A formação dos nossos integrantes tem na educação pelo trabalho o fundamento e na educação para o trabalho, o complemento. Mediante a educação pelo trabalho preservamos o espírito empresarial de nossa organização e tudo começa pela convivência simultânea de três gerações dentro das empresas. A primeira geração, formada pelos mais idosos, concentra-se na perpetuação de nossa cultura, transmitindo valores e experiências. A segunda geração, composta de gente madura, na plenitude de sua força realizadora, concentra-se na busca de resultados que nos mantém no rumo do crescimento e educa a terceira geração, que a sucederá. A terceira geração, integrada pelos mais jovens, está voltada para aprender e alcançar os resultados cotidianos, que asseguram nossa sobrevivência. Sempre se pratica a pedagogia da presença, que significa oferecer ao liderado tempo, presença, experiência e exemplo. Na educação para o trabalho há um conjunto de ações estruturadas que oferecem aos integrantes condições para que enriqueçam cada vez mais seu cabedal de competências para melhor servir a seus clientes. Vale a pena destacar o Programa de Desenvolvimento de Empresários. Em um ambiente voltado para a troca de experiências, o programa permite acelerar o desenvolvimento de Jovens Parceiros selecionados pelo potencial de crescimento que demonstram e fortalecem os elos entre as três gerações que convivem na Organização, mediante o convívio, o debate franco e aberto, a integração e o mútuo conhecimento.

Que competências os jovens líderes devem desenvolver para atingir o autodesenvolvimento?
Odebrecht
- Há uma única e indispensável competência que é aprender a aprender. Aprender a aprender significa ter a capacidade de interpretar corretamente a realidade e suas circunstâncias, a partir das referências que o indivíduo tem ao seu dispor, formular um novo conceito e colocá-lo em prática, porque o potencial de crescimento de uma pessoa depende diretamente da sua capacidade de formular conceitos. O partido da descentralização, nossa experiência demonstra, favorece muito o processo de autodesenvolvimento.

Qual o papel da governança corporativa na perpetuação dos negócios?
Odebrecht
- A boa governança é um fator determinante para a perpetuidade de uma empresa, porque construída a partir de regras claras, coloca a capacidade de geração de riquezas das pessoas a serviço das duas forças vivas e fontes da vida empresarial: o cliente e os acionistas. Regras claras, sustentadas por valores, asseguram disciplina, respeito e confiança, definem hierarquias e transferem tranqüilidade e segurança emocional aos acionistas e aos executivos quanto aos investimentos e as decisões, bases para a perpetuidade. Mas é preciso ter em mente que a boa governança não começa na empresa e, sim, no acionista controlador ou no grupo de controle da empresa.

É possível multiplicar o empreendedorismo dentro das empresas?
Odebrecht
- Sim, até porque o mundo começa a conhecer uma nova era nas relações produtivas. A era anterior, a do emprego, cada vez mais cede espaço para a era em que começa a se impor a consciência de que o trabalhador pode e precisa se auto-remunerar por meio dos resultados que produz. Com isso quero dizer que a hora exige pessoas que, atuando nas empresas, saibam tornar produtiva sua capacidade de fazer acontecer, decidindo e agindo continuamente, exercendo a liberdade com responsabilidade, como verdadeiros empresários dos próprios conhecimentos, habilidades e competências. Uma forma de multiplicar o empreendedorismo dentro das empresas é oferecer as oportunidades de trabalho para pessoas que tenham sido preparadas não para obedecer ordens, mas para conquistar e satisfazer clientes, e, assim, se auto-remunerem pela parceria.

O que um empreendedor iniciante deve praticar para que seu negócio sobreviva, cresça e se perpetue?
Odebrecht
- O empreendedor iniciante precisa primeiro definir um modo de ser e agir, transformando suas concepções, seus valores e suas crenças, em uma filosofia empresarial explícita. Segundo: ter a consciência de que o maior patrimônio da empresa, seja ela pequena ou grande, não consta dos balanços, porque é aquele formado pelas pessoas que a integram. E, terceiro, saber com clareza qual é o seu negócio e, com profundidade, quem é o seu cliente, ao qual deve servir com maturidade, buscando resultados diferenciados, surpreendendo sempre, mantendo com ele uma relação de longo prazo, mediante qualidade, preço justo e fidelidade.

Há alguma mensagem que gostaria de deixar para os empreendedores do país?
Odebrecht
- Deixo o texto que abre, como se fosse a epígrafe, o livro Confiar e Servir*, que lancei recentemente. “A essência de nossa filosofia empresarial pode ser resumida a duas palavras: confiar e servir. Confiar nas pessoas e praticar o autêntico espírito de servir – aos Clientes e às comunidades em que estamos presentes. Esta tem sido a chave para o êxito de nossas empresas e pode ser também um caminho para as que pretendem se desenvolver com responsabilidade empresarial e compromisso com a sustentabilidade.”

*Confiar e Servir
Autor: Emílio Odebrecht
Páginas: 128
Editora: Versal Editores
Preço: R$ 34

 

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