Marketing pessoal – muito além da auto-ajuda


André Dametto

Você sabia que o Marketing Pessoal é como uma faca? Estranho, não? Mas como qualquer ferramenta, ele pode ser usado a seu favor ou contra você. Muitas pessoas não acreditam nele, desconfiam de seu embasamento, mas uma coisa é fato: você sempre está fazendo o seu marketing! Então, já que é assim, a questão é fazê-lo bem feito. Basta existir para ter deixado alguma marca no mundo. A velocidade da sociedade contemporânea não oferece muito tempo para que reflitamos sobre qual conceito teremos sobre cada pessoa. Então, é fato: as pessoas criarão uma percepção sobre você e, infelizmente, não investirão muito tempo nisto. Malcolm Gladwell, mostra com fatos e dados em seu livro Blink que as pessoas nos julgam através das primeiras impressões, e o que é mais contundente: geralmente, as confirmam após certo tempo de convivência.

Existem diversos mitos que afastam profissionais mais conservadores do tema. Um deles é o de que o Marketing Pessoal é auto-ajuda. O alvo deste artigo é justamente mostrar que a mesma ciência do marketing que apoiou diversas organizações a criar valor de negócio, pode ajudar pessoas a alcançarem seus objetivos. Há também quem diga que Marketing Pessoal é tema para gente rica e fútil, que não tem com o que se preocupar. Eu afirmo justamente o contrário: se você quer prosperar ainda mais e tem conteúdo, recomendo fortemente que considere esta competência no seu rol de prioridades para desenvolvimento. É o tipo de conhecimento de alto retorno, gerando muitos ganhos sem tanto investimento.

Uma das formas de introduzir a “agenda” do marketing no cotidiano de empresas, países e também de pessoas é deixar claro que existe ciência por trás de toda a retórica existente. Não faltam consultores, artigos, livros, palestras e uma panacéia de conceitos para nos deixar sempre com a sensação de que não sabemos tudo. E nem precisamos! O mais importante para o Marketing Pessoal é saber qual o seu objetivo, reconhecer seus pontos fortes, ter bem claros os seus valores, encontrar um local onde aplicá-los, e fazê-los percebidos. John Kennedy, ex-presidente americano, sabiamente dizia que o segredo do sucesso é não querer agradar a todo mundo.

Philip Kotler, renomado autor de Marketing, criou um modelo dos 4 Ps: Produto, Preço, Praça e Promoção. Como em qualquer negócio, temos um “produto” a oferecer: as nossas competências (conhecimentos, habilidades e atitudes) e a “embalagem” disso tudo. Esta embalagem tem tomado um vulto tão importante que chega a ser reconhecida como outro P, de package. Nas pessoas, esta forma é tudo que se refere aos cinco sentidos: sua imagem, os sons que você emite, o seu cheiro, sim, o seu cheiro. A importância da forma foi comprovada cientificamente. Albert Merabian, da Universidade da Califórnia, no seu livro Silent Messages, defende que o poder de influência do conteúdo das palavras em um discurso não passa de 7%, enquanto, a forma como as palavras são ditas e a fisiologia representam 38% e 55% deste poder, respectivamente.

Fica cada vez mais claro então que, mais do que ser bom, é importante também parecer ser bom. O diferencial de um produto, um serviço ou mesmo de uma pessoa não é intrínseco a eles, mas está na percepção do outro, que pode ser um cliente, um amigo, ou como o marketing denomina, o mercado. Este mercado tem diversas necessidades, e cabe ao marketing gerenciá-las, convertendo em desejos que o seu negócio atenda. Isto é o que chamamos de demanda.

Kotler afirma que o “Marketing Pessoal é uma nova disciplina que utiliza os conceitos e os instrumentos do Marketing em benefício das vivências pessoais e profissionais dos indivíduos, valorizando o ser humano em todos os seus atributos, características e complexa estrutura”. É importante deixar claro que Marketing Pessoal conta pontos a favor em qualquer processo seletivo: flerte, namoro, dinâmica de grupo, entrevista de emprego ou até mesmo a atenção dirigida em uma conversa. É o tipo de competência que serve para a vida toda, em diversas vivências.

É bom deixar claro também que o Marketing Pessoal não é um substitutivo para outras competências. Liderança, Trabalho em Equipe, Planejamento, Empreendedorismo, Gestão da Mudança, Gestão de Conflitos, Negociação e Criatividade são competências complementares e que merecem desenvolvimentos específicos. O papel do Marketing Pessoal é colocar em evidência este grande sábio que todos nós somos. Já sabemos muita coisa, e em vez de aprender mais e mais, precisamos mostrar ao mundo e aplicar aquilo que já sabemos.

Para concluir, vou lhe dizer algo tão óbvio que a gente esquece: você vai chegar onde você está indo. As empresas e pessoas sempre são bem-sucedidas! O que pode estar errado são seus objetivos e suas estratégias, mas nunca os resultados, pois estes são conseqüências. Sendo assim, com este artigo, convido-lhe a refletir sobre o que você está fazendo para obter os resultados que alcançou em sua vida. Saúde e sucesso!

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