Etiqueta Corporativa: Melhorando A Empresa, Interna E Externamente

Você acha que etiqueta é pura frescura? Ainda mais para ser aplicada em ambiente empresarial? Se sim, cuidado. Sua empresa pode estar correndo riscos internos e externos. Afinal, etiqueta corporativa está longe de ser apenas uma série de normas para se comportar à mesa.

Não é frescura. Etiqueta são regras de comportamento para a civilização. Se a gente não tem regras básicas, um passa por cima do outro e acontecem os absurdos que a gente vê por aí. Brigas de trânsito, na rua. E são pessoas de bem, mas que não têm o menor controle.” Essa é a opinião de Sandra Liger, especialista em Psicologia Organizacional, com cerca de 30 anos de experiência na área de RH, consultoria e treinamento empresarial.

Também consultora empresarial, Walkiria Almeida concorda: “Algumas pessoas ainda acham que é bobagem aprender, que você só vai precisar em eventos cerimoniosos. Mas etiqueta você usa desde o momento em que acorda até o momento em que vai dormir. Passa pela forma com que você conduz seu trabalho, direciona as pessoas que trabalham com você, se relaciona com seus subordinados e clientes. Ser elegante nada mais é do que você saber lidar e se relacionar com as pessoas harmoniosamente”, diz ela, professora da FECAP e responsável por uma palestra gratuita sobre o tema que ocorre no próximo dia 24 de julho: “Comportamento Profissional, com Ênfase em Etiqueta”.

Ela afirma que muitos alunos, quando vêem o nome da palestra, do curso e da disciplina, já não gostam porque simplesmente não consideram importante. Mas a professora faz uma ressalva importante: “Qualquer pessoa que queira ter êxito na vida profissional deve fazer. Se você não tem esses atributos, você não vai conseguir promoções. Você vai, sim, ficar à margem de tudo. Então, tem gente que fala: eu não preciso disso, eu sou competente no que faço. E nunca é promovido. As empresas prezam por isso. Etiqueta não vem sozinha.”

DICAS PRÁTICAS E BÁSICAS:

· Sempre, absolutamente sempre, desligue o celular se entrar em uma reunião.

· Jamais chegue atrasado a encontros de negócios.

· Dando alguma gafe, saia dela rapidamente. Não fique tentando se explicar.

MINIMIZANDO E PREVENINDO CONFLITOS

Sabe aquela funcionária que não sabe se vestir adequadamente e está sempre com roupa transparente e decotada? Ou aquele funcionário que está sempre mascando chiclete na hora de atender o telefone? E aqueles que sentam e mais parece que estão deitados em uma cadeira de praia? Sem comentários para os tantos que adoram palitar os dentes, comer tampa de caneta ou furtar comida alheia da geladeira da empresa…

Absurdo? Mas acontece, e com mais freqüência do que se imagina. E tudo isso é educação , higiene… enfim, etiqueta. Em vez de fazer fofoca a respeito do colega, reclamar, chiar e brigar por causa dessas más posturas, é mais fácil e eficiente deixar as regras claras e treinar todos de acordo com elas.

Alguns gestores não se deram conta, mas pessoas mal-humoradas e mal-educadas desmotivam departamentos inteiros, fazendo produtividade e resultados baixarem. Por que responder à altura de uma grosseria? “Elegante é o silêncio depois de uma barbaridade. E mais: eu acho que etiqueta não é só para facilitar a convivência da empresa ou melhorar a imagem da empresa. Aumenta, sim, a produtividade. Quando as pessoas se respeitam, não roubam a idéia um do outro, parabenizam um ao outro. Não tem como dar errado”, continua Sandra.

IMAGEM DA EMPRESA

Um funcionário da empresa X vai a um almoço de negócios importantíssimo. Mas ele não sabe se portar da forma mais adequada. Escorrega à mesa, mostra reprovação à escolha do prato do colega, futuro sócio, parceiro ou cliente, atende o celular a todo momento, adora falar mal do próprio diretor ou subordinado. Resumindo: é um inconveniente.

Quem fica queimado é ele ou a empresa que ele representa? Logicamente, os dois. Mas… “Muito mais a empresa. Eu estou aqui conversando com você. Se eu fizer alguma coisa, você dificilmente vai falar “aquela professora”, você certamente vai falar “aquela professora do INPG”, diz Sandra.

Portanto, atenção! Observe seus funcionários, treine-os como se todos fossem algum dia participar de um grande encontro de negócios. Afinal, cada um, também à sua maneira, está representando a empresa e passando uma imagem, nem sempre desejada.

COMO AJUDAR? QI X QE

Professora de várias instituições de ensino superior e do INPG – Instituto Nacional de Pós-Graduação, onde ministrou, na primeira semana de julho, o curso específico sobre Etiqueta Empresarial, Sandra Liger aponta que as empresas deveriam pensar “tanto em QI quanto em QE”.

· QI – quociente intelectual – Estudo, técnica. Muito trabalhado por todos.

· QE – quociente emocional – Ligado a relacionamento e comportamento, às vezes esquecido e deixado de lado.

Para ela, todos querem e fazem de tudo para desenvolver técnicas, mas esquecem que muitas vezes o mais importante é o relacionamento. Não adianta só investir no QI das pessoas. Não adianta você ser ótimo, se você não sabe se relacionar. Etiqueta está muito ligada à ética, e ética não é um detalhe.

Então, seria possível ajudar? Para Walkiria: É possível, primeiramente, através do exemplo. Então, os executivos do primeiro escalão devem dar exemplo. Eu não posso exigir que meus funcionários venham vestidos de maneira adequada se eu não me visto adequadamente. E, em geral, as empresas têm, sim, investido nisso. O departamento de RH é fundamental, porque ele é quem vai projetar tudo isso.

Sandra conclui ressaltando que os treinamentos voltados para a etiqueta corporativa já são mais do que tendência, são realidade. “É imprescindível ajudar. Devia ser obrigatório. Se não a pessoa não teve a sorte de ter educação em casa, ou ter estudado em uma boa escola, a empresa tem de tratar. E as empresas têm realmente procurado mais. Quando eu comecei, os meus cursos eram vistos como “perfumaria”. Hoje, não. Os cursos que mais são dados nas empresas são justamente os comportamentais.”

Letícia Fagundes

Fonte: http://www.catho.com.br/estilorh/index.phtml?secao=236

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