Gestão do Conhecimento e o conhecimento do que é
Uma fonte de recursos para as consultorias nestes tempos de cintos apertados para treinamentos, contratações etc; a Gestão do Conhecimento rende muito pano pra manga e enche a conta bancária dos nossos amigos consultores. Não porque eles sejam do lado negro da força, mas por culpa dos próprios clientes: nós.
Para quem não sabe para onde ir, qualquer direção serve.
Esta máxima, por mais incoerente que seja ao mundo dos negócios, é uma constante. Isto porque muitos gestores e agentes de mudança não têm clareza daquilo que devem desenvolver (é pedir demais, quando nem conhecem direito a demanda que gerou a necessidade de desenvolver algo). Uma crueldade que qualquer um pode fazer é perguntar porque deve-se “implantar” a Gestão do Conhecimento na empresa, afinal eles só sabem que é importante e outros “blá-blá-blás” modistas que ouvimos por aí.
A falta de um diagnóstico que identifique a real necessidade, como também os elementos já existentes de Gestão do Conhecimento na empresa, levam à evasão de recursos que muitas vezes causam sérios prejuízos para a mesma. Digo “elementos já existentes”, porque qualquer empresa possui uma estrutura mínima de Gestão do Conhecimento. Se ela é eficiente e eficaz, aí já é outra história.
Um erro recorrente é acreditar que tudo se resolva com Tecnologia da Informação. Ahhhh … a solução de todos os males: “uma base de TI que nos dê tudo que precisamos!!!”
A pergunta “cara-pálida” é: o que você precisa?
A compra de pacotes de sistemas podem gerar um custo de mudança futura altíssimo, fora o desgaste organizacional com a sua implantação. E as empresas de consultoria, já acostumadas à relação médico-paciente, oferecem de tudo e todas as promessas possíveis. Quando contacto alguma empresa do ramo, eu já me adianto que tenho todos os processos mapeados e estruturados, com DFD’s descritos, competências definidas, atividades e indicadores estabelecidos. Surpresa a deles ouvir que o cliente saiba exatamente o que quer (vocês não imaginam o quantas reuniões são economizadas, assim como uma proposta comercial mais coerente).
Vejam bem, há clientes e clientes, assim como consultorias e consultorias.
Assim como há clientes que não sabem o que querem, há consultorias que querem empurrar o que tiver. Mas também há (uma minoria, é verdade) clientes cientes do que querem e consultorias profissionais o bastante em correr o risco de não vender a ter que implantar algo que possa vir a ser uma experiência negativa para o cliente.
Um bom diagnóstico pode inclusive apontar que não é preciso nada além do que mexer nos processos ou na estrutura da equipe, sem passar por um investimento em TI. Mas se apontar a aquisição de um sistema, há todo um dever de casa para ser feito antes: o alicerce para receber a base de TI tem que ser muito bem definido e implantado, para que a empresa necessite adaptar-se o mínimo possível à base adquirida, mas sim o contrário.
A implantação por módulos, customizados aos processos já implantados e que dê liberdade ao usuário para configurá-lo da forma que bem entende, sem a dependência do fornecedor (a não ser é claro, para os desenvolvimentos normais do sistema), são algumas das diretrizes fundamentais para uma base seja funcional e facilite a adoção pelas equipes.
Uma boa gestão de mudança deve esforçar-se a conduzir o projeto em questão com o mínimo de traumas e dar clareza à atratividade da implanção de forma que seja evidente o desconforto em não adotá-la. Como fazer isso sem um diagnóstico adequado e o desconhecimento da resposta da pergunta: “De onde viemos e para onde vamos?”
Jason Sagara
Categoria: Administração, Motivação
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