A Liderança de times nas Organizações

Ana María Giamarino

Percebemos cada vez mais, nas organizações, a necessidade de um alinhamento estratégico que envolva, não só posicionamento de produtos e mercado, como pessoas e performance para o atingimento das metas traçadas.

Por este motivo alinhar caminhos, preparar e acompanhar pessoas, numa visão integrada de resultados coletivos, têm sido desafiador para as lideranças.

LIDERANÇA DE POSSIBILIDADES
O líder deverá cada vez mais focar a sua atuação no desenvolvimento das pessoas, levando em conta seus interesses, motivações e talentos com as metas e direcionamento da Organização. Quão bem ou quão mal, este alinhamento é feito, tão melhor serão os resultados para as pessoas e empresas.

Quais são as possibilidades de realização que cada membro da equipe busca para si ? Este é um desafio constante - harmonizar os interesses de forma a atrair sempre o melhor para ambos.

Quais são as melhores contribuições que cada um pode trazer para a Organização e para a sua Vida ?

A empresa é um lugar de realização pessoal, como qualquer outra parte da vida de um indivíduo - escola, lar, orquestra, trabalho social, comunidade religiosa, etc… Como cada um pode dar a sua contribuição é uma questão de descoberta que pode ser um foco importante da atuação “coaching” de um líder, tanto no aconselhamento de carreiras, como no acompanhamento e desenvolvimento de performance.

Num mundo de muitas pressões, prazos e cobranças, muitas vezes, os líderes tem perdido a profundidade da tarefa de liderar PESSOAS na direção de COISAS. Esta inversão tem trazido decepções e frustrações e, o que existe de mais divino no trabalhar, que é o REALIZAR, CONQUISTAR - envolvendo o aprender, conviver, experimentar tem sido substituído por - simplesmente ALCANÇAR ou ATINGIR.

REALIZAR envolve mais porque coloca a pessoa no papel de conquista, o ALCANÇAR ou ATINGIR se restringe a obrigações e tarefas. Frases feitas, do tipo “já fiz a minha parte” têm sido ouvidas com certa frequência em algumas Organizações, demonstrando que alguns ainda não encontraram a sua melhor forma de contribuir, por isto estão fazendo apenas “a sua parte” Empresa e indivíduo estão em um jogo de perda - de energia, de motivação de potencial, de tempo, dinheiro e possibilidades.

Os líderes de PESSOAS tem aprendido que, encontrar em cada membro da equipe aquilo que FAZ BRILHAR seus olhos, aquilo que chamamos MOTIVAÇÃO, é o que nos faz lutar, buscar, exceder …. REALIZAR.

A organização é e pode ser cada vez mais este espaço de REALIZAÇÃO, o que não significa deixar de focar RESULTADOS, METAS, MERCADO, CLIENTES, significa apenas iniciar pela ESSÊNCIA, pois tudo o mais será consequência.

IDENTIFICANDO OS LÍDERES
Por tudo isto, mais do que nunca, as empresas precisam CUIDADOSAMENTE identificar seus líderes buscando perfis, muito mais ligados a características humanas de sociabilidade do que críticos e teóricos de mercado, que muitas vezes invertem a ordem entre PESSOAS e “COISAS”.

Quanto uma Organização é capaz de comunicar seus objetivos e metas ao ponto de fazer fluir a energia vital e expressiva de todos?

Esta vibração chega quando nos empenhamos em fazer algo que nos pareça extraordinário.

O QUE É ISTO ? COMO FAZER ?
Quando os valores de uma Organização “batem” - coincidem com os valores pessoais da maior parte de seu público - interno (funcionários/colaboradores) e externo (mercado/clientes etc..), por certo, muitos pontos de contato podem ser estabelecidos e um alinhamento de interesses acontece.

Quanto melhor e mais constantemente as metas, a visão e os valores são comunicados e discutidos, tanto mais se tornam parte do dia-a-dia de cada pessoa, despertando a “vibração” por fazer algo extraordinário para si mesmo (auto-realização), para os clientes (visão de mercado/foco do Cliente) e para a comunidade onde a Organização está inserida (responsabilidade social).

LIDER QUE CHAMA À PAIXÃO E NÃO AO MEDO
São antigas as histórias sobre expectativas - olhar o copo meio cheio ou meio vazio, olhar a crise como ameaça ou oportunidade, sobre a venda de calçados aos indígenas, entre outras - mas apesar de conhecidas, o líder voltado às pessoas e suas realizações precisará constantemente, liderar pelas possibilidades de cada indivíduo, buscando suas paixões, sua identidade e não focando as restrições e ameaças.

Muitas organizações investem tempo e dinheiro em processos complexos para selecionar ou treinar profissionais, mas nem sempre se preocupam em encontrar aqueles que têm perfis pessoais de identidade com os valores, os produtos, ou os serviços que são oferecidos aos seus Clientes.
Isto é básico e é essência. Quando não há um alinhamento interno - dentro do indivíduo - não existe coerência, e a consequência fatalmente será um “sofrimento” que não traz os melhores resultados possíveis, não haverá o “eco” interior entre o discurso e a prática.
Sem um significado maior, o trabalho, a tarefa, a meta ou o projeto ficam sem sentido. Alinhar valores e trabalhar sempre com ética é essencial.


METAS E OBJETIVOS CLAROS, GUIADOS POR UMA VISÃO CONSISTENTE
De fato, a capacidade de liderar pessoas, por si só, pode não fazer toda a diferença, mas Organizações que têm líderes “fortes” são organizações que comunicam com clareza uma visão consistente, em que todos compreendem as metas e objetivos, o seu próprio papel no curto e no longo prazo e se sentem comprometidas, envolvidas e apaixonadas por isto.

As emoções que estão envolvidas na relação entre as pessoas e o ambiente precisam ser realçadas e levadas em conta. Muitas vezes estas emoções têm sido agrupadas numa “gaveta” de espiritualidade, mas mesmo em menor profundidade do que termo supõe, elas podem e devem ser estimuladas em favor do trabalho e do ambiente - ALEGRIA, GRAÇA, PLENITUDE, PAIXÃO, COMPAIXÃO, entre tantas.

HARMONIZANDO
Como um regente de orquestra, o líder não está tocando a música, ou qualquer instrumento, mas sim, sintonizando os músicos com cada um dos seus instrumentos para que soem juntos.

Cada um conhece bem a sua parte, treina e faz o seu trabalho, mas seu resultado só é percebido e valorizado quando em harmonia com os demais.

Assim na Organização cada divisão executa suas estratégias, direciona seus planos, sem contudo perder de vista a “nota” inicial dada pelo Regente.

No momento em que todas as divisões se unem, e o produto chega ao mercado, o Cliente “ouve” a harmonia entre Vendas, Marketing, Publicidade e Propaganda, Suply Chain, Finanças, RH, etc.. e, então pode “saborear” ou “deleitar-se” ao som harmonioso de uma orquestra afinada.

Pessoas que têm paixão pelo “instrumento que tocam” , treinam e se aperfeiçoam a cada dia para dar o melhor de si e para que, no conjunto da Orquestra o seu instrumento soe em harmonia.

Podemos Ter esta paixão “musical” na Organização quando despertamos em cada funcionário o prazer pelo resultado, como obra final de um trabalho de cada indivíduo na REALIZAÇÃO do seu melhor, na descoberta de suas próprias possibilidades alinhadas com as possibilidades da Organização.

Precisamos sim, Ter líderes voltados para a desenvolvimento de suas equipes, considerando cada vez mais as pessoas e suas possibilidades.

Precisamos de organizações que tenham mais líderes de pessoas que tragam resultados e menos líderes “tarefeiros” que busquem resultados “apesar” das pessoas, não investindo em desenvolver e treinar.

Sem dúvida, alguns pressupostos básicos para as Organizações precisam incluir:
Definição de perfil de liderança, seleção por identidade com valores, missão/visão e valores definidos, divulgados e celebrados, metas e objetivos claros - comunicados, acompanhados e avaliados, feedback e coaching constantes, avaliação e aconselhamento de performance, reconhecimento.

Embora revestido de alguma teoria , temos concluído na prática, que tudo isto influencia diretamente na performance, no clima, na cultura e nos resultados.

Nossas observações no dia a dia de diversas organizações, em workshops de Team Building, com atividades mais comportamentais, ou em programas de avaliação de Desempenho, Treinamento de Atendimento a Clientes ou formação de líderes, concluímos que pessoas mais “engajadas”, mais identificadas com seu papel, o fazem de forma alegre, bem humorada, radiante e falam com paixão e entusiasmo de suas experiências, seja com Clientes, em atendimentos telefônicos, no Call Center ou pessoalmente, atendendo queixas, ou levando esclarecimentos, ou ainda fechando pedidos de vendas. Percebemos ainda líderes preocupados em acompanhar, desenvolver seus funcionários em direção aos objetivos, atentos em considerar as possibilidades de cada um e o seu melhor lugar de contribuição, bem como identificamos através dos membros de cada equipe e seus resultados respectivos, a ação de sua liderança.

A preocupação em bem avaliar cada membro da equipe, considerando a sua participação no resultado geral, sem perder de vista a sua motivação, faz com que a liderança não se torne uma atividade automática ou apenas burocrática e administrativa, há algo bem maior que precisamos considerar, pois a forma pela qual exercemos a liderança ou recebemos uma liderança sobre nossa vida, influencia em muitas áreas, não só a profissional.
Estar consciente deste papel e sua amplitude faz a diferença no ambiente, nos resultados, nas possibilidades de crescimento e sucesso de pessoas e organizações.

Fuente: Ana Maria Rédua Giamarino, é consultora e diretora da Giamarino -
Desenvolvimento e Valorização de Pessoas S/C Ltda.
e vem atuando em parceria com Carlos Ferreira, da F2 Associados no desenvolvimento de lideranças e no alinhamento de times em workshops vivenciais para grandes grupos.

1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas (Artigo sem votos)
Loading ... Loading ...


Deixe um comentario