A verdadeira liderança

Uma organização prestadora de serviços foi contratada para realizar um trabalho que envolveria vários integrantes da empresa. Um dos colaboradores da organização, que fazia parte do grupo, sem nenhum aviso, deixou de participar de suas atividades. Então, o líder do grupo decidiu visitá-lo. Era uma noite muito fria, e o líder encontrou o seu liderado em casa sozinho, sentado diante da lareira, onde um fogo brilhante e acolhedor queimava as achas.

Sabendo o porquê da visita do líder, o liderado deu as boas-vindas e o convidou para que sentasse em uma cadeira que estava perto da lareira e ficou quieto, esperando. O líder se acomodou confortavelmente, porém não disse nada. Em silêncio, ambos contemplavam o estalar das lenhas, o cheiro gostoso de lenha queimada e a dança das chamas em torno das achas.

Quando passou alguns minutos, o líder se levantou, foi até a frente da lareira, examinou as brasas que se formaram e cuidadosamente selecionou a mais incandescente de todas, separando-a das demais e empurrando-a para o lado e, então, sentou-se novamente, permanecendo silencioso.

O liderado quieto, porém fascinado, prestava atenção a todos os detalhes do líder. Aos poucos, percebeu que junto as outras a chama daquela brasa era a mais incandescente de todas; agora, solitária, o seu brilho e o seu calor diminuía, até que houve um brilho momentâneo e seu fogo apagou-se de vez. Em pouco tempo, o que antes era uma festa de brilho, calor e luz, agora não passava de um pedaço de carvão.

O líder se levantou, foi até a frente da lareira e manipulou novamente o pedaço de carvão, colocando-o de volta, com as outras brasas, no meio do fogo e quase que imediatamente ele voltou a incandescer, alimentado pelo brilho, pela luz e pelo calor dos outros carvões ardentes em torno dele.

Nenhuma palavra tinha sido dita desde o cumprimento inicial entre eles. O líder se levantou para ir embora. Quando tocou na fechadura da porta, o seu liderado disse: “Você é um líder verdadeiro, obrigado por ter vindo e por me ensinar algo através desse belíssimo sermão. Espere que vou com você, pois quero voltar ao convívio do nosso grupo”.

Phil Jackson, um dos melhores técnicos de basquete do mundo, foi treinador do Chicago Bulls, time do Michael Jordan, e dizia para os seus jogadores antes de cada jogo: “Só vamos conseguir vencer o campeonato se dissermos não ao egoísmo, não ao eu; e se dissermos sim à compaixão, sim a nós. Ou seja, se trocarmos o “eu” pelo “nós”, seremos campeões”.

Agora, gostaria de lembrar ao líder de que este é o seu papel verdadeiro: incentivar os seus liderados a executarem as tarefas, afirmando que é possível fazer um time ou uma organização brilhar. Muitas vezes, não é necessário o uso de palavras, basta a ação. Basta mostrar através de ações simples, mas verdadeiras. Você é líder para isso. Você é o responsável por fazer a sua equipe brilhar, por manter acesa a chama de cada liderado e por promover a união no seu time ou na sua organização, para que o comportamento dos seus liderados seja realmente eficaz e duradouro.

O que o líder verdadeiro pode fazer para que ocorra a execução das tarefas e para que seu time brilhe?

Não é nada simples, nem fácil. É necessário muito treinamento e disciplina, que tenham por objetivo corrigir, ensinar e proporcionar ao liderado mudança de comportamento e adaptação às necessidades da organização.

Caros líderes e liderados: uma vez, há muitos anos, Albert Einstein falou que a mais perfeita definição de insanidade mental e a maior ignorância da vida são: continuar a fazer as mesmas coisas todos os dias e do mesmo jeito, desejando obter resultados diferentes.

Então, agora responda somente para você as 3 questões seguintes:

1. Você acredita que existe a possibilidade de evolução contínua e que ela se aplica tanto na vida pessoal quanto na vida profissional?
2. Você acredita que para evoluir é preciso mudar ou você acha que é possível evoluir sem mudar?
3. Você está disposto a mudar para evoluir?

Bem, quero acreditar que você está disposto a mudar para evoluir. Então, o que deve ser feito?

É importante mudar a mente, a forma de pensar, porque se a mente não mudar, o comportamento não muda. Nunca, desde o início do universo, ocorreu algum tipo de evolução sem mudança. E quem não consegue mudar a si mesmo acaba não mudando nem o seu time e muito menos a sua organização, ou seja, não evolui.

Carlos Pozzobon é palestrante nas áreas de Liderança e Motivação Pessoal e especialista em treinamento psico-comportamental para treinadores e atletas na área esportiva.
E-mail: carlos@cwp10.com.br

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