Criatividade coletiva

Uma questão fundamental no mundo dos negócios são os fatores relacionados com o sucesso ou o fracasso das organizações. Muitas pesquisas já foram realizadas a esse respeito e as diversas causas que guardam relação com o fracasso já estão bem estabelecidas: falta de flexibilidade, excesso de burocracia, processos administrativos anacrônicos e assim por diante. Entretanto, todas as fórmulas de sucesso das modernas organizações parecem convergir para um único foco: a criatividade coletiva. Assim como Jack Welch, ex-CEO da GE, diversos executivos de prestígio internacional declararam categoricamente que a sua maior virtude foi terem se cercado de líderes brilhantes que souberam construir equipes visceralmente comprometidas com o processo de inovação. Encontrar e atrair executivos com essa vocação não é uma tarefa simples. As dificuldades principiam no momento da seleção, pois os currículos pouco dizem a respeito da vontade e determinação dos candidatos. É preciso observá-los em ação durante um bom tempo.
Nas confraternizações de final de ano, é comum ouvirmos dirigentes empresariais agradecerem a seus “colaboradores” pela valiosa “cooperação”. A rigor, as palavras cooperação e colaboração possuem o mesmo significado. Quando um grupo de pessoas coopera na execução de um determinado trabalho ou labor, podemos considerá-los “colaboradores”.
A colaboração foi fundamental para a espécie humana desde o seu alvorecer. No entanto, a “sociedade pós-industrial” requer mais do que bons colaboradores envolvidos no processo de produção. O grande ícone desse novo tempo é a “criatividade coletiva” (ou co-criatividade). Para tanto, mais do que simplesmente cooperar, é preciso conspirar.
A palavra “conspiração” tem sido usualmente empregada com uma conotação subversiva, revolucionária, sugerindo algo feito às escondidas, à margem da lei, como um conluio ou conjuração. Mas, do ponto de vista etimológico, conspiração (co-inspiração) traduz um conjunto de pessoas respirando o mesmo ar, trabalhando juntas unidas pelos mesmos ideais. Foi com essa conotação que a escritora Marilyn Ferguson empregou esse termo no título do seu famoso livro “Conspiração Aquariana”.
A determinação, a disciplina, a paixão e a obstinação, aliadas a um otimismo inabalável, são os “aditivos” que correm nas veias dos conspiradores. Eles formam grupos de pessoas que se comprometem visceralmente com os processos de mudança e contribuem decisivamente para o sucesso da organização.
Todo grande líder é um semeador de sonhos e uma das suas maiores atribuições é motivar sua equipe a realizar a missão que lhes foi confiada. A parte mais complexa do papel do líder é despertar a obsessão por resultados. Como motivar alguém a caminhar num ritmo diferente, se instintivamente faz parte de uma multidão, questionou Anita Rodick (ex-CEO da Body Shop) em “Meu jeito de fazer Negócios”.
Existe uma linha muito tênue entre a mente de um líder visionário e um louco sonhador. Todo grande sonho é uma espécie de loucura, pois não se enquadra no senso comum das multidões. A diferença crucial entre um líder visionário e um louco sonhador é que o líder consegue convencer sua equipe a embarcar em seus sonhos.
Há alguns anos, o escritor e palestrante Roberto Crema deu-me um dos seus livros, com a seguinte dedicatória: “Para Wanderley e esposa, desejando que vocês possam sempre dormir na mesma cama e nos mesmos sonhos”. A princípio essa colocação me pareceu bastante bizarra. Mas, logo concebi o seu significado: casais que não dormem no mesmo sonho acabam dormindo em camas separadas. Isso vale para uma família, vale também para uma empresa e para todo um povo.
Entretanto, com o processo de globalização, está se tornando cada vez mais difícil definir o que é um povo. Seguramente não é a cor da pele, a raça, a religião, a língua, os costumes e nem mesmo a nação em que vivem. Acho muito profunda a definição de Santo Agostinho: um povo é um conjunto de pessoas unidas pelo mesmo sonho. Por extensão, uma empresa pode ser definida como um conjunto de pessoas que compartilham os mesmos sonhos, a mesma visão, os mesmos ideais.
Em última análise, dentre as características marcantes das empresas bem sucedidas do mundo contemporâneo destacam-se o foco inovador, a determinação, o entusiasmo e, sobretudo, o “espírito de equipe dos seus funcionários” .
(texto de Wanderley Ribeiro Pires - quer participar de um evento com este palestrante? Clique aqui para saber mais e inscrever-se agora!)
Categoria: Liderança, Motivação, Sociedade, Vencer
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