Gerentes Estão Mais Agressivos No Ambiente De Trabalho
Fonte: Valor Econômico – SP – Carreira – 23/01/2008 Stela Campos
As mudanças no mercado, as fusões, aquisições, terceirizações e tudo que foge ao controle de quem ocupa um cargo gerencial têm feito muitos profissionais perderem a cabeça e se comportarem de forma mais agressiva no trabalho. Com isso, sofrem as equipes, colegas e quem mais estiver por perto.
Pesquisa realizada pela Isma-br (International Stress Management Association Brasil) com 1000 homens e mulheres, entre 25 e 60 anos de idade, que ocupam cargos gerenciais e executivos em empresas de médio e grande portes, mostra que 47% deles são agressivos, sendo que 18% têm acessos de raiva.
“A sensação de impotência diante dessas situações leva a esse tipo de reação”, diz Ana Maria Rossi, presidente da Isma-br. Até entre os agressivos, existem os que ficam irritados e não demonstram (38%). Mas para 83% deles, a raiva é a emoção mais comum, seguida pelo ressentimento, com 62%.
O fato do agressivo se inflamar e continuar reagindo, mesmo depois do acesso de cólera, faz com que ele sofra efeitos residuais dessas explosões, segundo a psicóloga. A pesquisa mostra que 8% dos agressivos tiveram acidentes de trânsito. Para se acalmar, 54% usam medicamentos e 38% consomem bebidas alcóolicas. “Eles têm dificuldade para se recuperar de um momento de fúria”, diz Ana Maria.
Esse comportamento implica em reações fisiológicas, segundo a pesquisa. A reação mais comum é a dor de cabeça (92%), seguida pelo cansaço (78%), taquicardia (21%) e hipertensão (16%). “Eles podem ter problemas cardíacos que levem a uma morte pré-matura”, diz a psicóloga.
Os profissionais mais suscetíveis a acessos de raiva são os que precisam reprimir suas emoções por conta da função que exercem no trabalho. “Esse comportamento atinge, principalmente, quem tem que lidar com o público”, diz a psicóloga. “Eles muitas vezes precisam demonstrar emoções que não sentem”, diz Ana Maria.
Na hora de demonstrar a raiva esses funcionários miram primeiro os colegas, em segundo lugar os subordinados, em terceiro seus superiores e por último, o cliente. “Muitas vezes os clientes são bem agressivos e eles não podem falar nada”, diz Ana Maria. “É um ciclo vicioso”.
A mesma pesquisa mostrou que os passivos- vulgarmente denominados “engolidores de sapo”- representam 38% dos entrevistados. Entre eles, a emoção mais comum é a culpa (91%), seguida da angústia (72%). O resultado é que encarando as coisas dessa maneira, 89% acabam sofrendo dores musculares e 35% desenvolvem problemas gastrointestinais, como azia e gastrite.
Os mais equilibrados, chamados de assertivos na pesquisa, representam apenas 15% dos entrevistados. Deles, 53% sofrem de dores musculares, 18% possuem algum tipo de problema gastrointestinal, 8% taquicardia e 6% hipertensão. As emoções que mais perturbam são a ansiedade (61%) e a preocupação (43%). Afinal, ninguém é de ferro.
Categoria: Liderança
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