Liderança global – a próxima geração é pesadelo ou sonho que se realiza?
Marshal Goldsmith, em sua palestra na ASTD (American Society for Training and Development), em Orlando (EUA), em junho de 2006, discutiu os desafios e as oportunidades da globalização e o perfil de um líder global no futuro. Ao iniciar, apresentou os resultados de uma pesquisa mundial, publicada em seu livro, envolvendo 202 líderes, de 120 companhias, 60% com menos de 40 anos de idade e mais de um terço abaixo de 30. O objetivo era analisar a liderança e o mundo como eram dez anos atrás, como estão hoje e como estarão daqui a dez anos.
Cinco tendências emergiram do estudo em relação ao perfil da próxima geração de líderes globais.
1. Pensar globalmente
o Este aspecto envolve tanto o aumento e a expansão da comunicação global como a capacidade de operar no mercado global e a necessidade de entender a cultura global.
2. Apreciar a diversidade cultural
o Este fator se relaciona a ter experiências com diferentes culturas e falar diversas línguas. É fundamental também aprender a trabalhar em diferentes partes do mundo e isso implica trabalhar como parceiro e não como “patrão”.
3. Desenvolver bom domínio tecnológico
o Este tópico envolve saber como a tecnologia irá impactar os negócios. Ser capaz de recrutar e desenvolver uma boa equipe tecnológica. Saber realizar investimentos em tecnologia. Ser um modelo de uso da tecnologia.
4. Construir parcerias e alianças
o Este aspecto abrange estabelecer laços fortes, tanto dentro da organização como fora, com clientes, fornecedores e também competidores.
5. Compartilhar liderança
o Este fator envolve o desafio do líder global de liderar trabalhadores do conhecimento. Perguntar e não mandar. “Se deseja desenvolver os outros, comece consigo mesmo”. Liderar num mundo de profissionais que são agentes livres, tratando-os como verdadeiros parceiros e não empregados. Lidar com o que é importante para eles e não somente para a companhia. Agir com flexibilidade e “clara honestidade”.
A pesquisa mencionada por Goldsmith aponta mais dez características para os líderes globais de hoje:
• criar uma visão compartilhada;
• desenvolver pessoas;
• dar poder às pessoas;
• alcançar maestria pessoal;
• encorajar diálogos construtivos;
• demonstrar integridade;
• liderar a mudança;
• antecipar oportunidades;
• assegurar a satisfação dos clientes; e
• manter uma vantagem competitiva.
Respondendo à questão colocada no título da palestra, a conclusão aceita foi que a globalização pode produzir resultados que são ao mesmo tempo um “sonho que se realiza” e um “pesadelo”.
Goldsmith encerrou sua palestra com um tema que envolveu todos os participantes. Como alcançar maior felicidade pessoal e auto-estima num mundo global tão exigente e competitivo? As pesquisas atuais sobre felicidade mostram que homens e mulheres estão menos felizes hoje, apesar de tudo que têm a sua disposição.
A discussão final tocou em pontos como a necessidade de encontrar significado no trabalho, de ter paixão por aquilo que se realiza e de buscar constantemente novas formas de aumentar a felicidade e a auto-estima.
Cosete Ramos (www.cosete.com.br) é doutora em Educação, Florida State University - EUA. Mestre em Administração da Educação, Califórnia State University - EUA. Especialista em Aprendizagem Baseada no Cérebro; Tecnologia Educacional e Gestão da Qualidade. Foi professora dos Cursos de Graduação e Mestrado em Administração de Empresas e Pública, da Universidade de Brasília.
Categoria: Liderança
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