On abril - 28 - 2008
Ken Blanchard é um dos mais famosos e respeitados autores da área de liderança, aprendizagem e desenvolvimento de recursos humanos, nos Estados Unidos.
Sua palestra na ASTD (American Society for Training and Development), Dallas, maio 2006, foi bastante concorrida e muito aplaudida!
O conferencista começou relatando sobre um safári que participou, na África do Sul, com familiares e amigos. Analisou o comportamento dos leões que matam até os filhos se eles vierem a desafiar o seu controle sobre o seu território. A viagem visava, por outro lado, descobrir ao máximo sobre Nelson Mandela, que ficara na prisão por 27 anos, tendo sido tratado cruelmente e, apesar disso, saiu dessa experiência cheio de amor, compaixão e reconciliação. Comparando o que viu na floresta com a reação de Mandela ao tratamento recebido, concluiu que como seres inteligentes podemos escolher entre carne e espírito, entre ser servido ou servir, entre liderar em um nível menos ou mais elevado.
Porém, observando líderes ao redor do mundo, é possível verificar que muitos deles são líderes focados na “carne”, aqueles voltados para si mesmos, seus desejos e necessidades. No outro extremo, estão os líderes focados no “espírito”, que entendem que a organização é bem maior do que eles e que, portanto, sua meta é trabalhar no sentido de torná-la cada vez maior e melhor.
Blanchard recordou o pensamento do educador brasileiro Paulo Freire, no seu livro Pedagogia dos oprimidos, no qual o autor mostra que os oprimidos repetem o modelo autoritário do opressor, por ser o único que conhecem. Assim, o “velho” oprimido torna-se o “novo” opressor.
Em seguida, Ken enfatizou que é preciso desenvolver urgentemente um novo modelo de liderança. Enfocou os seguintes pontos cruciais no sentido de se buscar e obter uma liderança que atinja níveis muito mais altos.
1. Defina seus propósitos no alvo e na visão certos.
É responsabilidade dos líderes estabelecerem a visão e a missão da organização; a direção que oriente o caminho que se pretende trilhar. Torna-se importante desenvolver uma imagem e uma fotografia poderosa do futuro, que tenha sido acordada por todos. Uma questão-chave a responder consiste em “Qual é o nosso negócio?”, destacando-se a relevância de clarificar os valores organizacionais, a fim de que eles ofereçam definições claras, que possam guiar o comportamento de todos os profissionais que trabalham na instituição.
2. Trate seus clientes de maneira correta.
Ofereça escolhas que permitam ao clientes ter experiências significativas que possam encantá-los, estimulando para que se tornem verdadeiros admiradores da empresa. Ouça o que os clientes pensam. Inclua suas sugestões na visão estabelecida. Busque, permanentemente, atrair e manter grandes clientes.
3. Trate seus profissionais de maneira correta.
Como é possível que os dirigentes tratem de forma abusiva seus empregados e esperem que estes tratem bem os clientes da instituição? É fundamental criar um ambiente motivador para os funcionários, possibilitando que se tornem ao mesmo tempo pessoas entusiasmadas com o que fazem e vitoriosas no que realizam. Neste processo, é relevante criar um ambiente que valorize o treinamento, e no quais são oferecidas amplas oportunidades de aprendizagem, a fim de que todos tragam os seus cérebros para o trabalho. Destaque especial merece o esforço de atrair e manter grandes profissionais.
4. Tenha o tipo certo de liderança. Liderança é uma jornada transformacional, começando com oportunidades de desenvolvimento da (1) auto-liderança; continuando com (2) liderança um-a-um; passando pela (3) liderança de equipes e finalizando com a (4) liderança organizacional. “Como tornar-se um líder” é uma questão que deve ser tratada como um importante processo de aprendizagem institucional.
Numa organização humana, o conceito de liderança deve ampliar-se para abranger tanto resultados como pessoas. Portanto, na concepção de Ken, liderança é a capacidade de influenciar outros, fazendo florescer o poder e o potencial das pessoas e das organizações para o que é melhor para todos os envolvidos. Quando liderando a um nível muito mais elevado, é possível possuir uma filosofia e focar em ambos: satisfação humana e resultados sustentáveis.
Quanto à concepção e ao estilo de liderança, trata-se, na verdade, de uma de escolha que a organização precisa fazer: o que se deseja é um líder que serve ou um líder que quer e espera ser servido?
A postura deste último é voltada para obter coisas e vantagens para si, protegendo o que já conseguiu. Ele pensa que é a própria posição que ocupa, sem entender que o que possui é apenas uma delegação concedida por outros. É um dirigente cujo ego está sempre no caminho, determinado a alcançar a sua vitória particular.
No sentido oposto encontra-se o líder servidor, o único capaz de liderar em níveis mais altos, ao atuar ao mesmo tempo em duas grandes arenas – a primeira, estabelecendo a visão e a direção para o futuro; a segunda, na implementação das atividades, agindo como verdadeiro dirigente de torcida, em relação ao trabalho realizado pelos funcionários da empresa. Aceita sugestões e empenha-se em desenvolver novos líderes e dirigentes. O líder servidor sabe que o foco deve se colocado na visão e nos valores maiores da instituição.
Ken Blanchard concluiu colocando força e emoção em suas palavras. As organizações, sejam elas escolas, empresas ou países, precisam de líderes servidores. Os líderes servidores são indispensáveis porque entendem que é essencial afastar-se de um coração que se auto-serve e caminhar no sentido de desenvolver um coração que serve. Afinal, tornar-se adulto significa entender que a vida é sobre o que você dá e não sobre o que você recebe. Afinal, estamos no mundo não para sermos servidos, mas para servir.
Sua palestra na ASTD (American Society for Training and Development), Dallas, maio 2006, foi bastante concorrida e muito aplaudida!
O conferencista começou relatando sobre um safári que participou, na África do Sul, com familiares e amigos. Analisou o comportamento dos leões que matam até os filhos se eles vierem a desafiar o seu controle sobre o seu território. A viagem visava, por outro lado, descobrir ao máximo sobre Nelson Mandela, que ficara na prisão por 27 anos, tendo sido tratado cruelmente e, apesar disso, saiu dessa experiência cheio de amor, compaixão e reconciliação. Comparando o que viu na floresta com a reação de Mandela ao tratamento recebido, concluiu que como seres inteligentes podemos escolher entre carne e espírito, entre ser servido ou servir, entre liderar em um nível menos ou mais elevado.
Porém, observando líderes ao redor do mundo, é possível verificar que muitos deles são líderes focados na “carne”, aqueles voltados para si mesmos, seus desejos e necessidades. No outro extremo, estão os líderes focados no “espírito”, que entendem que a organização é bem maior do que eles e que, portanto, sua meta é trabalhar no sentido de torná-la cada vez maior e melhor.
Blanchard recordou o pensamento do educador brasileiro Paulo Freire, no seu livro Pedagogia dos oprimidos, no qual o autor mostra que os oprimidos repetem o modelo autoritário do opressor, por ser o único que conhecem. Assim, o “velho” oprimido torna-se o “novo” opressor.
Em seguida, Ken enfatizou que é preciso desenvolver urgentemente um novo modelo de liderança. Enfocou os seguintes pontos cruciais no sentido de se buscar e obter uma liderança que atinja níveis muito mais altos.
1. Defina seus propósitos no alvo e na visão certos.
É responsabilidade dos líderes estabelecerem a visão e a missão da organização; a direção que oriente o caminho que se pretende trilhar. Torna-se importante desenvolver uma imagem e uma fotografia poderosa do futuro, que tenha sido acordada por todos. Uma questão-chave a responder consiste em “Qual é o nosso negócio?”, destacando-se a relevância de clarificar os valores organizacionais, a fim de que eles ofereçam definições claras, que possam guiar o comportamento de todos os profissionais que trabalham na instituição.
2. Trate seus clientes de maneira correta.
Ofereça escolhas que permitam ao clientes ter experiências significativas que possam encantá-los, estimulando para que se tornem verdadeiros admiradores da empresa. Ouça o que os clientes pensam. Inclua suas sugestões na visão estabelecida. Busque, permanentemente, atrair e manter grandes clientes.
3. Trate seus profissionais de maneira correta.
Como é possível que os dirigentes tratem de forma abusiva seus empregados e esperem que estes tratem bem os clientes da instituição? É fundamental criar um ambiente motivador para os funcionários, possibilitando que se tornem ao mesmo tempo pessoas entusiasmadas com o que fazem e vitoriosas no que realizam. Neste processo, é relevante criar um ambiente que valorize o treinamento, e no quais são oferecidas amplas oportunidades de aprendizagem, a fim de que todos tragam os seus cérebros para o trabalho. Destaque especial merece o esforço de atrair e manter grandes profissionais.
4. Tenha o tipo certo de liderança. Liderança é uma jornada transformacional, começando com oportunidades de desenvolvimento da (1) auto-liderança; continuando com (2) liderança um-a-um; passando pela (3) liderança de equipes e finalizando com a (4) liderança organizacional. “Como tornar-se um líder” é uma questão que deve ser tratada como um importante processo de aprendizagem institucional.
Numa organização humana, o conceito de liderança deve ampliar-se para abranger tanto resultados como pessoas. Portanto, na concepção de Ken, liderança é a capacidade de influenciar outros, fazendo florescer o poder e o potencial das pessoas e das organizações para o que é melhor para todos os envolvidos. Quando liderando a um nível muito mais elevado, é possível possuir uma filosofia e focar em ambos: satisfação humana e resultados sustentáveis.
Quanto à concepção e ao estilo de liderança, trata-se, na verdade, de uma de escolha que a organização precisa fazer: o que se deseja é um líder que serve ou um líder que quer e espera ser servido?
A postura deste último é voltada para obter coisas e vantagens para si, protegendo o que já conseguiu. Ele pensa que é a própria posição que ocupa, sem entender que o que possui é apenas uma delegação concedida por outros. É um dirigente cujo ego está sempre no caminho, determinado a alcançar a sua vitória particular.
No sentido oposto encontra-se o líder servidor, o único capaz de liderar em níveis mais altos, ao atuar ao mesmo tempo em duas grandes arenas – a primeira, estabelecendo a visão e a direção para o futuro; a segunda, na implementação das atividades, agindo como verdadeiro dirigente de torcida, em relação ao trabalho realizado pelos funcionários da empresa. Aceita sugestões e empenha-se em desenvolver novos líderes e dirigentes. O líder servidor sabe que o foco deve se colocado na visão e nos valores maiores da instituição.
Ken Blanchard concluiu colocando força e emoção em suas palavras. As organizações, sejam elas escolas, empresas ou países, precisam de líderes servidores. Os líderes servidores são indispensáveis porque entendem que é essencial afastar-se de um coração que se auto-serve e caminhar no sentido de desenvolver um coração que serve. Afinal, tornar-se adulto significa entender que a vida é sobre o que você dá e não sobre o que você recebe. Afinal, estamos no mundo não para sermos servidos, mas para servir.
Cosete Ramos é doutora em Educação. Autora do livro O despertar do gênio: aprendendo com o cérebro inteiro (Qualitymark).
E-mail: cosete@uol.com.br. Site: www.cosete.com.br.
