O Futuro Dos Escritórios
Iluminação natural, sistema de ar-condicionado individual e pé-direito alto. Na Ambev, Redecard, Serasa, Microsoft e Natura essas soluções de ponta já são realidade
No início do século 20, apenas 20% dos profissionais trabalhavam em escritórios. O restante se concentrava em fábricas, nas linhas de produção. Hoje, ocorre o inverso: a grande maioria das pessoas passa horas e mais horas trancafiada em seu cubículo — muitas vezes mal iluminado, sem ar puro e cercado de ruídos de todo tipo. É fácil visualizar o cenário. E não é difícil perceber que esse conjunto de características pode ser um atentado à produtividade de qualquer um. As empresas, finalmente, estão entendendo essa realidade e têm apresentado soluções para lá de interessantes para adequar o ambiente de trabalho às necessidades de seus profissionais. A idéia é priorizar o conforto, o bem-estar e a qualidade de vida. “É preciso colocar toda a tecnologia disponível e as soluções de arquitetura a serviço das pessoas”, diz o arquiteto Edo Rocha, responsável pela nova sede da Serasa, em São Paulo.
Para isso, as empresas antenadas têm optado por iluminação natural dos ambientes e elementos da natureza, como madeira e plantas, na decoração do escritório. O pé-direito alto e o predomínio das transparências dão amplitude aos espaços. As salas integradas facilitam a comunicação e o acesso às pessoas. Os arquitetos começam a pensar até em iluminação e sistema de ar-condicionado individuais para adequar, de fato, a arquitetura às necessidades de cada um.
Infelizmente, um ambiente moderno ainda não é realidade em todas as empresas — nem mesmo nas consideradas bons lugares para trabalhar. Pelo menos é o que mostra um estudo da arquiteta Cláudia Andrade. Cláudia enviou questionário às 100 empresas relacionadas no Guia EXAME — As Melhores Empresas para Você Trabalhar — 52 responderam. A pesquisa faz parte da tese de doutorado que a arquiteta deve defender ainda neste ano na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. “O ambiente de trabalho pode ajudar a aumentar a competitividade das empresas, mas nem sempre as companhias levam isso a sério”, diz Cláudia. De acordo com o levantamento, na maioria dos escritórios cada funcionário ocupa uma estação de trabalho que mede entre 2 e 3,30 metros quadrados. Nos países europeus, esse espaço varia de 7,5 a 15,5 metros quadrados. Nos Estados Unidos e no Canadá, as menores estações vão de 3,6 a 9 metros quadrados. “A alta densidade populacional gera maior distração, menor concentração, muito ruído e sentimento de invasão de privacidade”, diz Cláudia.
VOCÊ S/A foi buscar as exceções, ou seja, as companhias que arregaçaram as mangas e foram às obras. Selecionamos cinco das melhores em termos de ambientação. Seus escritórios possuem soluções funcionais e, principalmente, voltadas às necessidades de quem passa boa parte da vida naquele ambiente. Entre e fique à vontade.
LUGAR DE TRABALHO COM CARA DE BAR
Pense num escritório com jeitão de bar: descontraído e com aquele burburinho de gente conversando alegremente. Pois bem, esse lugar existe e não poderia deixar de ser a AmBev, a maior cervejaria do Brasil. Em São Paulo, a sede tem uma ampla sala de reuniões, chamada Praça do Sol, com mesas e cadeiras como as de um bar, para 350 pessoas. Serve tanto para quem quer bater papo quanto para quem precisa fazer uma reunião e decidir um plano estratégico para a companhia. A sala tem pontos para rede de computadores.
Café, refrigerante e água, à vontade. Vira e mexe, os diretores da empresa reúnem seus funcionários para anunciar eventos ou um novo produto. Ah, sim: a praça não oferece cerveja — uma das poucas coisas que a diferenciam de um grande bar.
Categoria: Administração
Enviar por email
Imprimir este Post
