O que é “talento empresarial”?
Um assunto recorrente nas corporações é a busca e retenção de talentos. Isso aparece com maior constância nestes momentos de economia em crescimento e concorrência árdua em mercados cada vez mais disputados por conglomerados econômicos muito bem preparados para dar a seus acionistas e colaboradores resultados financeiros exuberantes.
Bem, o que define um talento no sentido empresarial? Conforme está no dicionário, podemos chamar de talentoso aquele que “tem aptidão, capacidade inata ou adquirida”. O que se busca, então, são pessoas com aptidão para executar diversas tarefas com resultado melhor do que a média. Essa capacidade pode nascer com o indivíduo (inata), e é assim que são vistos os grandes poetas, grandes músicos e – por que não? – os grandes vendedores ou gestores de empresas. Mas também pode ser adquirida. Como? Mediante treinamento regular, em que se explore ao máximo a capacidade de aprendizado de cada um.
No primeiro caso, o universo em que se encontram aqueles que já nascem talentosos, os indivíduos são naturalmente mais capazes de aprender e, portanto, são mais disputados pelos gestores. Há, porém, o inegável fato de que talentos espontâneos são em número reduzido e, por isso mesmo, muito mais difíceis de encontrar. Resta aos gestores, portanto, a formação de talentos cuja melhor aptidão é adquirida por ensinamentos, treinamentos, reciclagens, etc. Vale dizer que a formação de talentos será tão mais promissora quanto maior a qualidade de quem os identifica e prepara. Assim, a identificação e formação de talentos não é, obviamente, ação para amadores.
Essas observações vêm a propósito do momento que o Brasil atravessa, conforme citado no início deste comentário. As empresas, cada uma à sua maneira, estão em busca de pessoal mais habilitado. Só que, quando a economia cresce aceleradamente – conforme o que ocorreu em 2007, e tende a se repetir este ano –, cresce também a busca de profissionais talentosos para que se possa tirar de um mercado aquecido o máximo proveito empresarial. Ocorre, no entanto, que a aceleração econômica tem seguido em velocidade muito maior do que a oferta de talentos inatos ou com aptidão adquirida.
Assim, abre-se uma corrida desenfreada em busca de mão-de-obra numericamente insatisfatória ou até inexistente. Isso ficou claro, por exemplo, no episódio da privatização das teles, quando a busca por profissionais da área de Tecnologia da Informação (TI) criou uma situação irreal no mercado, que depois se “acomodou”. Várias lições puderam ser tiradas do episódio, tanto para empregados quanto para empregadores, pois diversas empresas que entraram em concorrências foram “surpreendidas” com a aprovação de suas propostas mas não tinham em carteira o principal de seus insumos: a mão-de-obra qualificada.
Vale, assim, ressaltar que o País continua a mostrar claros sinais de crescimento e,
portanto, é preciso formar talentos o quanto antes. Além disso, não é segredo para
ninguém que as empresas de melhor desempenho são as que não apenas constroem
equipes de maior aptidão, mas também sabem como manter seus talentos. Por isso,
ganham força os movimentos pela retenção do pessoal mais preparado, porque o
processo de recrutamento e seleção é bem mais difícil. Dando ênfase a esse aspecto,
a revista Harvard Business Review chegou a mencionar que recrutar é “a arte de
acertar um alvo em movimento”.
Hélio Terra
Categoria: Administração, Empregabilidade, Liderança
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