Por que prestar atenção nas Comunidades de Prática?
Maria Alice Capocchi Ribeiro
www.rh.com.br
Hoje, o conhecimento é o combustível do mercado. No entanto, um dos maiores desafios das grandes empresas está centrado em como melhor utilizar o conhecimento que seus colaboradores continuamente geram. Cultivar Comunidades de Prática (COP) tornou-se a estratégia mais eficaz para alavancar esse driver do desempenho corporativo na era da informação.
As COPs reúnem-se em torno de interesses comuns, criando, compartilhando e aplicando conhecimento dentro e fora de equipes, unidades de negócios e até mesmo da empresa como um todo, fornecendo assim um caminho concreto para a criação da verdadeira organização do conhecimento.
Por que prestar atenção em COPs?
A vantagem competitiva, tanto em processos como em produtos e serviços, está ligada ao processo de inovação contínua e essa depende de qualidades humanas tais como curiosidade, insight, idéias e determinação. Ou seja, a inovação reside na capacidade das pessoas aplicarem conhecimento para produzir novas soluções para velhos e novos problemas.
No mundo real, as competências essenciais da gestão de conhecimento não se encontram nas abstrações de teorias, mas sim nas COPs. Wenger (Communities of Practice: Learning, Meaning and Identity, 1998) expõe que as COPs derivam a proposição de valor por serem capazes de:
* desenvolver e disseminar as melhores práticas mais rapidamente;
* transformar “ilhas de conhecimento” em comunidades profissionais auto-organizadas de compartilhamento de conhecimento;
* alimentar e se alimentar de bancos de soluções e abordagens já testados;
* promover cooperação trans-funcional e trans-departamental;
* otimizar a capacidade de seus membros de iniciar e contribuir em projetos que ultrapassam as fronteiras organizacionais.
As COPs conseguem estruturar o potencial de aprendizagem de uma organização de duas maneiras: pelo conhecimento que desenvolvem em seu núcleo e pelas interações que desenvolvem em suas fronteiras. Assim como um ativo da empresa, uma COP pode se transformar num passivo se seu expertise for isolado e se tornar uma ilha. Assim sendo, é de suma importância identificar tanto o núcleo quanto as fronteiras das COPs, pois o núcleo é o centro do expertise, mas a maioria dos insights emerge das relações trans-fronteiriças. As COPs se tornam verdadeiramente ativos quando o núcleo e as fronteiras interagem de maneira complementar.
Quais os indicadores de uma COP?
* Um forte senso de identidade une a comunidade (exemplos: técnicos, vendedores, pesquisadores), manifestada pelo “jargão”, postura e gestos empregados pelos membros e pela visão de mundo compartilhada.
* A prática não é determinada por procedimentos formais: a aprendizagem deriva do que é efetivamente feito e avaliado como eficaz, competente.
* Existe um relacionamento contínuo, regular entre os membros.
* Os métodos de trabalho colaborativo (práticas, ferramentas e fundamentação) são compartilhados.
* Há um fluxo de informações ágil entre os membros.
* Inovações (transferência das melhores práticas) são rapidamente difundidas.
* As discussões são rápidas e diretas ao ponto.
* Os problemas são rapidamente identificados e estruturados.
* Há uma clara consciência das competências, pontos fortes e fracos e contribuição de cada membro.
* Todas as ações executadas, os recursos utilizados e os resultados são contínua e consistentemente avaliados.
No entanto, as COPs não surgem, desenvolvem-se e se tornam produtivas de um dia para outro. Elas não podem ser criadas por imposição ou gerenciadas com mão-de-ferro. As COPs constituem, então, um investimento no futuro da organização e não uma iniciativa a ser tomada visando um ganho de curto prazo. É importante notar que as COPs vão existir independente do apoio que receberam, mas enquanto internamente seus membros considerarem que sua existência é relevante. Ou seja, uma COP representa um investimento mínimo para uma empresa, pois naturalmente faz parte da vida corporativa.
Cabe à organização, então, desenvolver infra-estruturas organizacionais e técnicas que não impeçam ou descartem o desenvolvimento natural das COPs, mas sim que as reconheçam, as apóiem e alavanquem seu desenvolvimento.
Categoria: Administração, Recursos Humanos
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