Promoção de saúde, responsabilidade social e impacto econômico na empresa
João Francisco Severo Santos
www.rh.com.br
A progressiva exigência de qualidade nos produtos e serviços em nossa sociedade tem contrastado com a diminuição da qualidade no estilo de vida individual da maioria da população. O processo de otimização dos recursos humanos das empresas, na maioria das vezes, está associado à diminuição das atividades físicas de lazer e a adoção de outros comportamentos de risco à saúde (CRS) como o tabagismo, o estresse e o abuso de bebidas alcoólicas e outras drogas (lícitas ou não).
Inúmeros estudos têm demonstrado que esses CRS são responsáveis por aproximadamente 51% das doenças degenerativas nos países industrializados. No ambiente empresarial, estima-se que 70% da incidência de doenças e 50% dos gastos com assistência médico-hospitalar estão diretamente relacionados com os CRS.
Em um mundo de competição cada vez mais acirrada, o sucesso depende cada vez mais da capacidade de “pensar lateralmente”. Quando a Dupont, nos EUA, lançou a sua primeira experiência de Promoção de Saúde Empresarial (PPSE) com um programa de combate ao tabagismo, nem os gestores do projeto esperavam um resultado tão expressivo: uma redução de 12% no número de funcionários fumantes e queda de 13% nos custos com assistência médico-hospitalar em 12 meses, com um retorno estimado de dois dólares para cada dólar investido no projeto. Após a avaliação desses resultados, a empresa implantou mais 10 programas de atenção à saúde e à qualidade de vida dos funcionários, por constatar que isso é um excelente investimento para o desenvolvimento empresarial.
A General Eletric, seguindo esse exemplo, obteve uma redução de 38% em seus custos com assistência médica em apenas 18 meses de implementação de um Programa de Promoção de Qualidade de Vida no ambiente de trabalho. A General Motors é a empresa que tem obtido os melhores resultados com um retorno financeiro de “6 para 1″ através de um programa muito amplo que contempla aspectos físicos, psicológicos, sociais e ambientais do trabalho. Esses casos divulgados periodicamente no American Journal of Healt Promotion refletem uma grande tendência nos EUA e Canadá que, aos poucos, começa a se afirmar nas corporações brasileiras.
O Grupo Pão de Açúcar e a Azaléia, hoje são mundialmente reconhecidos por seus programas de atenção à saúde do trabalhador, que associam a melhoria da qualidade de vida com aumento de produtividade e responsabilidade social. Essas empresas investem milhões de reais a cada ano em seus programas, por terem consciência da importância tática e estratégica desses para sua afirmação em um mercado cada vez mais competitivo.
Esses exemplos ressaltam que o local de trabalho é um importante espaço para o desenvolvimento de intervenções ambientais e educacionais socialmente responsáveis visando mudanças dos CRS. Por isso, a maioria das grandes empresas está começando a adotar os PPSE como uma prioridade emergente. Toda via, os PPSE apenas geram retorno quando planejados e implantados por profissionais especializados que utilizam as ferramentas adequadas para as características de cada empresa. De fato, cada empresa é uma realidade única e as ações isoladas como, por exemplo, à implantação de ginástica laboral sem outras ações complementares, têm demonstrado pouca eficiência e sustentabilidade.
Os PPSE são excelentes instrumentos de responsabilidade social e uma importante estratégia para lidar com comportamentos de risco à saúde que podem afetar a produtividade e a qualidade dos serviços prestados pelo funcionário, além de gerar retorno institucional e econômico (dependendo do objetivo).
Várias evidências científicas têm demonstrado que:
* funcionários mais ativos, motivados e conscientes produzem mais e têm menores riscos de doenças e acidentes de trabalho;
* programas de modificação de comportamento podem melhorar a produtividade e reduzir o risco de doenças e custos relacionados;
* programas de promoção de saúde no local de trabalho bem planejados, implementados e gerenciados geram um significativo retorno do investimento;
* investir em planejamento e prevenção é 4 a 5 vezes mais econômico do que a solução de problemas evitáveis.
O impacto de um PPSE precisa ser visto no contexto de um investimento e não simplesmente de um custo de operacional empresarial. Em face da elevação rápida dos custos com cuidados médicos e jurídicos relacionados ao ambiente de trabalho, os programas bem estruturados têm um grande potencial para reduzir essas despesas, como também para aumentar o desempenho dos empregados, enquanto resultados em produtividade e qualidade de serviços na empresa. Alem disso, esses programas auxiliam na redução do afogamento dos serviços públicos de saúde, o que resulta em retorno social.
Categoria: Administração
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