Propaganda não machuca?

Propaganda não machuca?

Deu no jornal: a equipe de som Furacão 2000 Produções Artísticas foi multada em R$ 500 mil por ter lançado a música “Um tapinha não dói”. A ação foi ajuizada em 2003 pelo Ministério Público Federal, que considerou que a música banaliza a violência contra a mulher, além de transmitir uma visão preconceituosa contra a imagem feminina. Segundo a notícia, a música divide as mulheres em boas ou más conforme sua conduta sexual.

Não vou entrar na polêmica se a ação judicial configura prática de censura. Quero polemizar a questão central que serviu de escora para a decisão: o uso que a sociedade faz hoje da imagem da mulher, seja como apelo musical, seja para vender bugigangas comerciais.


Belos corpos femininos servem para vender perfumes e cosméticos, como carros e acessórios automotivos. Para ficar num item popular ao público masculino, lembro o uso de belas e sinuosas mulheres na propaganda das principais cervejas brasileiras. A imagem da mulher é usada de forma descarada como elemento central de sedução…


Os homens constituem o maior público consumidor de cerveja, perto de 65%, o que explica o apelo sedutor das campanhas publicitárias enfocadas em mulheres esculturais com pouquíssima roupa.

Fui pesquisar e descobri que o público-alvo das bebidas sempre teve clara distinção social. A cerveja, vista desde muito tempo como produto destinado ao homem, desde o início do século XX já utilizava mulheres nas ilustrações de marcas pioneiras. Ou seja, há mais de um século a indústria usa a imagem da mulher para vender cerveja para homem…



Ao contrário da música do “tapinha”, que escancara suas intenções machistas sem rodeios ou artifícios inteligentes, a propaganda usa e abusa de recursos subliminares. Não diz o que quer com todas as letras, antes insinua com imagens e slogans… A fotografia, ao invés de palavras, é quem lança e propaga a mensagem principal. A mulher desnuda, cheia de caras e bocas, diz e vende mais que qualquer baixaria do funk. Fica a pergunta: isso não seria também uma visão preconceituosa contra a imagem feminina? Ou será que propaganda não dói e nem machuca?

 

(por Alexandre Pelegi - www.primeiroprograma.com.br)

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