Melhorar a qualidade de vida é essencial para manter mão-de-obra qualificada nas grandes metrópoles

Reinaldo Gomes*

Um dos objetivos pela busca da qualidade de vida é a fuga do stress. A Organização Mundial de Saúde define o stress como epidemia global. Há pouco tempo, um estudo feito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), com 1.800 pessoas com atividades distintas, indicava um grande número de executivos com problemas de saúde. 32% dos entrevistados apresentavam sintomas de stress que mereciam atenção médica.

Estudos da General Motors nos EUA, num passado recente, mostravam que a empresa gastava mais com despesas médicas e perda de produtividade causadas pelo stress do que com o aço que comprava para seus automóveis.

Um dos grandes problemas dos centros cosmopolitas, apontados como um dos responsáveis pelo stress da população, é o trânsito. Em São Paulo, por exemplo, às vezes perde-se cerca de quatro horas em congestionamentos, diariamente, entre a ida e a volta do trabalho. A situação é tão relevante que até uma rádio especializada em trânsito foi criada para informar caminhos alternativos aos motoristas.

No começo deste mês de dezembro, uma revista de grande circulação no país trouxe uma matéria falando que as grandes metrópoles do mundo, entre elas São Paulo, mesmo não sendo capitais de seus países, são os centros de decisão do mundo capitalista. São cidades que regem o comportamento urbano em todo o mundo. Nelas estão instalados os principais núcleos corporativos do planeta que geram, segundo uma pesquisa de uma grande consultoria internacional, quase US$10 trilhões, cerca de 16% do produto bruto do global.

São números tão grandes que ninguém imagina a importância de um profissional nesse contexto. A cadeia, a grosso modo, é a seguinte: o profissional dentro da empresa, que está dentro da cidade, que pertence a um país, que está dentro do continente que pertence ao globo. Se a empresa perde um bom profissional, sua produção também é afetada, o que vai influenciar numa queda de arrecadação tributária ao município. Para o país, a queda da produção diminui a participação do município no PIB, diminuindo assim o crescimento da nação, o que prejudica os negócios globalizados. É muito mais complexo que isso, mas é só para se ter uma idéia.

Algumas cidades estão fazendo de tudo para proporcionar qualidade de vida e evitar a fuga dos profissionais que atuam em empresas sediadas no município.

Metrópoles como Londres e Nova York, além de oferecer atividades de lazer com excelência, investiram pesado em segurança e meio de transporte. São Paulo ainda está muito longe de oferecer a mesma qualidade das duas, mas caminha pra chegar lá. No final de 2007, a Câmara Municipal da maior metrópole do país, aprovou em primeira votação, um projeto de lei que poderá tirar 50% da frota de veículos das ruas em horários de pico, através de um sistema de rodízio. É uma medida interessante para desafogar o tráfego urbano. Por outro lado, a aprovação da lei, isoladamente, pode prejudicar ainda mais o que se objetiva, a qualidade de vida. É que ainda não há um sistema de transporte público eficiente e suficiente para atender às necessidades de toda a população de forma satisfatória.

São Paulo é o mais importante centro econômico-financeiro da América Latina e a principal cidade do hemisfério sul para tomadas de decisões corporativas. Por isso é tão importante melhorar a qualidade de vida e manter a mão-de-obra qualificada nesta grande metrópole.

Fonte: Trevisan Consultoria
26/03/2008

Gomes, Reinaldo


Reinaldo Gomes é jornalista.

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