Qualidade De Vida
POWERS, P.; RUSSELL, D. De bem com o trabalho: como fazer o que você gosta ou gostar do que você faz. São Paulo: Editora Best Seller, 1993.
RODRIGUES, Marcus Vinicius Carvalho. Qualidade de vida no trabalho: conceituações e perspectivas. In:___ Qualidade de vida no trabalho: evolução e análise no nível gerencial. 8.ed. Petrópolis: Vozes, 2000. Cap 5, p. 74 a 111.
Entende-se por Qualidade de Vida no Trabalho – QVT – a resultante direta da combinação de diversas dimensões básicas da tarefa e de outras dimensões não dependentes diretamente da tarefa, capazes de produzir motivação e satisfação em diferentes níveis, alem de resultar em diversos tios de atividades e condutas dos indivíduos pertencentes a uma organização (WALTON, 1973; WESLEY, 1979; DAVIS & WERT-HER, 1983; NADLER & LAWLER, 1983; HUSE & CUMMINGS, 1985).
“O que e necessário explicar não e que o faminto roube ou que o exploradoentre em greve, mas por que razão a maioria dos famintos não rouba e a maioria dos explorados não entra em greve”.
REICH
Segundo Zélia Miranda Kilininik, professora do FACE/UFMG, nos dias de hoje, passamos a maior parte de nossas horas produtivas trabalhando; precisamos trabalhar por dinheiro, mas também para dar algum sentido em nossas vidas: desafio, responsabilidade, possibilidade de colocar os sonhos em ação.
De acordo com POWERS & RUSSEL (1993), o fato de uma pessoa realizar um trabalho – do qual ela realmente goste – faz com que ela cresça e em muito contribui para sua qualidade de vida geral. Por outro lado, um trabalho inadequado reduz de algum modo a sua qualidade de vida. Um emprego que a pessoa odeie – podendo variar de presidente de uma companhia a coletor de lixo, de balconista de lanchonete a pesquisadora – a faz sentir-se má humorada, deprimida, e até mesmo revoltada. Realizar um trabalho desinteressante ou desagradável esgota a energia, diminui a motivação e geralmente reduz a auto-estima. Num círculo vicioso, a pessoa passa a se descuidar pessoal e profissionalmente e a distanciar-se do círculo de pessoas que realmente faz a diferença em sua organização ou profissão. E essa pessoa gostará menos ainda seu trabalho e se sentirá menos comprometida com ele.
“Para alcançar níveis elevados de qualidade e produtividade, as organizações precisam de pessoas motivadas, que participem ativamente nos trabalhos que executam e que sejam adequadamente recompensadas pelas suas contribuições. A competitividade organizacional – e obviamente, a qualidade e produtividade – passam obrigatoriamente pela qualidade de vida no trabalho”.
(Chiavenato, 2000)
Há casos de profissionais que exerciam funções de nível elevado, com todas ou quase todas as dimensões de qualidade de vida presentes e que, mesmo assim, partiram para outras profissões em busca de sua verdadeira vocação e, muitos têm sido exitosos nessa mudança.
Para efeito do desempenho e da qualidade de vida no trabalho, é cruciais repensar as prioridades pessoais, os métodos de autogerenciamento do próprio tempo, e as emoções negativas decorrentes das perdas ilusórias.
A Qualidade de Vida no Trabalho e a grande esperança das organizações para atingirem altos níveis de produtividade, sem esquecer a motivação e satisfação do individuo.
O termo qualidade de vida no trabalho – QVT surgiu em torno desta necessidade do bem-estar geral e a saúde dos trabalhadores no desempenho de suas tarefas. A qualidade de vida no trabalho envolve uma constelação de fatores:
- Satisfação com o trabalho executado;
- As possibilidades de futuro na organização;
- O reconhecimento pelos resultados alcançados;
- O salário recebido;
- Os benefícios auferidos;
- O relacionamento humano dentro do grupo e da organização;
- O ambiente psicológico e físico de trabalho;
- A liberdade e responsabilidade de decidir;
- As possibilidades de participar.
Tomando como modelo as empresas americanas bem sucedidas, os autores PETERS & WATERMAN, citado por RODRIGUES (2000), encontraram oito atributos que devem ser seguidos pelas organizações e que seriam a base para um programa de produtividade organizacional e melhor Qualidade de Vida no Trabalho. Os atributos são os seguintes:
- Uma firme disposição para agir.
- Maior aproximação do cliente.
- Autonomia e iniciativa dos trabalhadores.
- Produtividade através dos trabalhadores.
- Orientação por valores-filosofia organizacional.
- Limitar-se ao conhecido.
- Formas de trabalho simples e em pequenos grupos.
- Política administrativa flexível.
Existem países onde a política de QVT tem acentuado desenvolvimento: França, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Noruega, Holanda e Itália. No Brasil, estamos vivendo o início de uma nova consciência em relação ao trabalhador. As relações humanas, bem como os aspectos que a permeiam, tornaram centro de discussões e análises nas empresas na última década. Neste terceiro milênio, a qualidade de vida do trabalhador brasileiro vem sendo objeto de estudo e fator de mudança nas organizações.
Melhorar a qualidade do ambiente e as condições já existentes no aspecto profissional e pessoal do quadro funcional. A partir desta visão, a Moinho Motrisa S.A. - empresa sediada em Maceió, AL - adotou, há quase dois anos, uma política interna para diminuir e evitar o estresse entre os empregados.
Uma regra é considerada básica pela empresa: os administradores e os funcionários, de todos os níveis, são considerados agentes ativos nos processos de mudanças, dividindo as tarefas e as responsabilidades definidas, tanto na elaboração, quanto na execução das ações em andamento. Dentre as medidas adotadas, comenta Arlindo Cestari Filho - supervisor de RH da empresa, estão a promoção de eventos sociais, realização de cursos abertos de dinâmicas de grupo e discussões de assuntos que somem valores às pessoas. “As dinâmicas e os debates acontecem toda quarta-feira, durante o expediente da tarde, e às vezes, aos sábados”, complementa Arlindo Filho.
Os funcionários contam, ainda, com aulas diárias de ginástica laboral, que evitam as conhecidas lesões por esforço repetitivo (LER), e são incentivados a praticarem exercícios diários de relaxamento/alongamento. O supervisor de RH da Moinho Motrisa S.A. explica que a empresa inaugurou, recentemente, uma biblioteca para atender às necessidades dos empregados e pode ser visitada durante o almoço - horário experimental.
Segundo ele, a empresa costuma tomar medidas ao identificar um funcionário estressado. “Primeiramente, chamamos a pessoa para uma conversa bem informal, fora do horário do expediente. Conforme o que é constatado, ampliamos a conversa inicial com a participação do responsável pelo funcionário, além de colher outras informações adicionais com colegas e amigos”, revela.
Para trabalhar melhor questões semelhantes, a Moinho Motrisa S.A. está implantando um núcleo de Psicologia, em parceria com a Universidade Federal de Alagoas, que deverá funcionar três vezes por semana. Dessa forma, a empresa espera dar um salto quantitativo e de qualidade no apoio e no suporte para solucionar conflitos originados pelo estresse.
Arlindo Filho ressalta que a falta ou deficiência de comunicação interna dentro de uma empresa pode ser um agravante para gerar o estresse no trabalhador. “Num ambiente em que haja deficiência de comunicação, os problemas sofrem um processo de agravamento, pois ao não terem o devido retorno, acabam gerando uma expectativa muito negativa. Criam insegurança tanto na estabilidade do profissional, quanto no atendimento das necessidades pessoais do funcionário, ampliando desnecessariamente o grau de estresse”, conclui.
Segundo MULLER (2001), na Redecard, empresa de 650 funcionários nascida da Credicard, o assunto saúde é a preocupação número um do RH. Realizando campanhas periódicas de prevenção (como antiestresse, nutrição e ginástica laboral), a Redecard acredita que ajudar o funcionário a alcançar o bem-estar físico e mental pode beneficiar ambas as partes, a começar pelo aumento da auto-estima. “Nosso foco é fazer com que ações como essas aumentem a qualidade de vida dos funcionários e que atividades como a ginástica laboral ajude as pessoas a mudar seus hábitos”, conta Simone Achcar, gerente de RH da Redecard. Por conta dessa estratégia, empregados de níveis gerenciais têm direitos a uma verba anual podendo ser usada com cirurgia plástica, lentes de contato, massagem, academia, entre outras coisas. Já no caso de funcionários (de qualquer área e nível) que sofrem de obesidade mórbida, Simone explica que a empresa oferece como benefício o pagamento de spa. Uma das funcionárias que usufruiu esse benefício foi Wanessa Carlin, analista de intercâmbio da Redecard. Após o médico da empresa ter recomendado à funcionária um período no spa, Wanessa, de 27 anos, ficou, por conta da Redecard, os 35 dias de suas férias em um spa-fazenda escolhido por ela. Quinze quilos a menos e de volta ao trabalho, Wanessa diz que retornou renovada e com a auto-estima em alta. “O acompanhamento continua e, agora, tenho três profissionais – um nutricionista, um psicólogo e um endocrinologista – à minha disposição”, exulta a funcionária, que se diz feliz por ver a empresa ao seu lado. “Sempre tive apoio da Redecard nestes seis anos e três meses de empresa, inclusive no ano passado, quando sofri uma trombose no pulmão e fiquei entre a vida e a morte”. Wanessa diz que, apesar de sempre ter se dedicado bastante ao trabalho, o incentivo da empresa deve fazer com que ela se dê ainda mais. “A Redecard olha para o funcionário como um ser humano e oferece mais benefícios do que as outras empresas, por isso eu ficaria aqui até a aposentadoria”, garante. Para Wanessa, a tranqüilidade oferecida pela empresa e o clima com os colegas são os maiores benefícios oferecidos pela Redecard.
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