Silvio Luzardo
“Seu Ananias levantou atrasado e na pressa bateu com o joelho na beira da cama. Ao tomar o café, derramou porção da xícara na camisa. Depois, ao sair de carro, raspou o retrovisor na beira de porta e, ainda por cima, deixou a marca do pneu sobre a grama.
Ao chegar à empresa, não reparou na presença de um cliente. Passou direto, enquanto chamava a secretária Eveline, pedindo-lhe o projeto “SORRIA SEMPRE” que estava implantando na sua organização.
A secretária, de forma respeitosa, anunciou o cliente e, com um ar receoso, explicou que o mensageiro Juquinha fora tirar cópia do projeto e ainda não voltara.
Seu Ananias chamou a atenção da secretária na frente do cliente, pois havia pedido o projeto para o final do dia anterior. Eveline tentou explicar que a copiadora estava com defeito e saiu envergonhada da sala. Ela não percebeu que tinham chegado mais dois clientes e tropeçou num deles.
Pouco depois, Juquinha apareceu com “a língua de fora” e Eveline pediu para ele mesmo entregar ao chefe. Sem antes, é claro, dar um cutucão no seu braço: “Eu te mato, Juquinha! Onde é que você estava?”.
Eveline estava reclamando da atitude do seu Ananias e do atraso do Juquinha com o contador Romualdo, quando tocou o telefone. Ao atender, a secretária disse: “Quem é? Espere um momento, faz favor!”, e foi terminar de lixar uma unha. Após o telefonema, pediu para Romualdo avisar o seu Ananias que mais dois clientes estavam esperando na sala de visitas. Romualdo foi, a contra-gosto, reclamando: “Tudo bem, Eveline, mas isso é função sua e não minha!”.
Eveline passou a manhã incomodada e saiu para buscar seu filho na escola. Ele estava brincando no pátio e não viu a mãe chegar. Luizinho levou um puxão de orelhas e um repreensão: “Você está sempre brincando em vez de me esperar aqui! Vai ficar de castigo hoje à tarde! Nada de computador e jogo de bola!”. Luizinho chegou em casa de “beiço torcido” e jogou a mochila no sofá. Bidu, o seu cãozinho de estimação, veio pulando em sua direção. Luizinho deu um pontapé no Bidu, que saiu uivando de dor, correndo lá para o seu canto.
Pergunto para você, leitor, que culpa tem o Bidu?
Provavelmente há duas aplicações para o “Estudo do Caso” acima e que pode interessar a você.
* Você faz uma leitura individual, como pessoa e analisa criticamente todo o processo que levou à pergunta final. Você perceberá, certamente, uma série de senões da área da comunicação, na área afetiva e na área de relacionamento que, direta e indiretamente, afetam o comportamento das pessoas e, também, o conceito das pessoas que observam o processo (no caso, os clientes). Isto é, não adianta tocar projeto de qualidade se não “há clima”.
* Se Você toca projetos de qualidade, desenvolve dinâmicas de grupo, participa de grupos de diagnósticos em empresas, que tal utilizar esse caso e desenvolver uma atividade para identificar problemas e implantar soluções?
Dinâmica do Caso do Bidu
1ª Fase da dinâmica
* Organizar um grupo com número ímpar (cinco ou sete é o ideal) e tantos grupos quantos forem necessários das pessoas participantes.
* Organizar o grupo de forma a ter um coordenador, um relator, um apontador do tempo, um secretário e demais membros.
* Distribuir o “Caso do Bidu” para leitura do coordenador, papel e caneta por cada membro.
* O grupo terá um tempo (15 a 20 minutos) para analisar o “Case”, discutir e fazer uma avaliação.
2ª Fase da dinâmica
* Atribuir ao coordenador uma missão: Equipe Alfa (por ex) deverá diagnosticar os problemas existem no “Projeto Sorria Sempre” da empresa.
* Elaborar um roteiro de providências que devem ser tomadas para corrigir e aperfeiçoar o projeto.
* Elaborar um painel (cartaz) em que sintetize a mensagem da para contribuir ou modificar o ambiente do “Projeto Sorria Sempre” (empresa do Sr. Ananias).
* Apresentar, com justificativa, em público, o resultado do trabalho.
* Colocar o cartaz em ambiente corporativo e, posteriormente, coletar reações e impressões.
3ª Fase da dinâmica (se houver mais de um grupo)
* Colher a oportunidade para desenvolver programa de trabalho em ambiente de competição entre as equipes.
* Distribuir o seguinte didático material:
- uma cartolina (uma cor para cada equipe)
- um tubo de cola de papel (se for quatro equipes, três tubos de cola)
- uma tesoura (se for quatro equipes, três tesouras)
- um pedaço de barbante (se for quatro equipes, três pedaços de barbante)
- uma régua (idem)
- 1 pincel atômico (um por equipe de cor diferente)
- revistas (sempre a metade do número de equipes).
Obs: a base do cartaz será a cartolina da equipe, mas ela deverá ter pedaços das cores de todas as cartolinas que estão nos outros grupos.
Necessariamente, os grupos deverão compor, na troca, para completarem a tarefa corretamente. Por exemplo: o barbante é um item indispensável em todos os cartazes etc.
Será dada a tarefa acima e um prazo de 30 minutos (ou negociado com o coordenador) para as equipes trabalharem.
Poderão ser designados observadores que apontarão o desempenho individual e analisarão o trabalho das equipes (cooperação, iniciativa, desembaraço, camaradagem, intercâmbio, negociação nos valores positivos e, também, os negativos como a retenção, a sonegação, a implicação, a cobrança etc). Vencerá a equipe que, no menor tempo ou dentro do tempo estipulado, cumprir a tarefa e colocar e usar todos os itens previstos. Aplique essa dinâmica e retorne ao Silvio Luzardo com o resultado da atividade. Valeu a pena?
