O profissional do terceiro milênio necessita viver seu processo de capacitação e desenvolvimento.
Sua busca o colocará, não só diante de uma carta de direitos, mas de uma carta de responsabilidades.
Portanto, este ser humano – o herói do cotidiano – é alguém que deve empreender uma jornada de aprendizagem contínua.
Este texto faz analogias do arquétipo Viajante e as competências pessoais.
Os arquétipos são estruturas básicas do inconsciente coletivo, potencialidades diversas de expressão e realização pessoal, que configuram uma herança psicológica geral da qual somos depositários de todos os seres humanos. Os arquétipos são formas determinadas de enfrentar a vida, atitudes particulares que aparecem representadas em imagens universais.
Estas imagens, segundo Jung, encontram-se presentes de uma ou outra forma em todas as culturas do mundo, desde a forma mais primitiva de mitologia, até a cultura dos meios de comunicação de massa. Incluindo a mente de todos os seres humanos.
Os arquétipos se manifestam na religião, na arte, na literatura e outras formas de cultura.
Cada arquétipo tem uma estrutura básica.
Podemos nos apropriar de um ou vários arquétipos em nossa vida. Com sua eleição, eles nos guiam de forma não consciente em nossos planos pessoais – tanto com mensagens positivas quanto com as negativas.
Cada arquétipo tem seu lado luminoso e seu lado sombrio.
Aprendermos a reconhecer cada um dos arquétipos é um passo fundamental para conhecermos nossa realidade interna.
Convido-os a percorrer O CAMINHO DO VIAJANTE.
“Cheguem até a borda, ele disse.
Eles responderam: Temos medo!
Cheguem até a borda, ele repetiu.
Eles chegaram.
Ele os empurrou…e eles voaram”.
Voar, para muitos de nós, significa de superar limites, ir além do horizonte, enfrentar o desconhecido, ir em busca do sonho.
Parece uma tarefa fácil e ao alcance do todos. E deveria, se não estivéssemos sob a égide de mandatos e padrões que, na maioria das vezes, nos paralisam frente aos desafios.
Os modelos de gestão, ainda em fase de realinhamento, conservam paradigmas que, no lugar de estimular as pessoas à aventura e ao risco, fazem com que tenham medo do novo.
O Caminho do Viajante, tem como função básica, estimular o profissional a ajudar suas equipes a alçar novos vôos. Empurrar as pessoas, quando estas estiverem prontas para voar! Descobrir a mágica da liderança, em qualquer posição que ocupe na organização.
Ao enfrentar os desafios, vamos viajar por caminhos ora conhecidos e ora inimagináveis.
É necessário passar pelo caminho do viajante e aprendera conviver com o medo e o domínio,
o risco e a confiança, a certeza e a incerteza, com o alvo e o caminho.
A ESTRATÉGIA DO VIAJANTE
VIAJANTE
• OLHAR DO VIAJANTE: O viajante tem o coração aberto ao desconhecido, supera medos, preconceitos e certezas. Desfruta a viagem, valorizando o caminho. Está aberto a novos pontos de vista e se mistura nas formas de vida, culturas e maneiras distintas que encontra pelo caminho, tornando a viagem mais agradável e desafiante.
• A POSTURA DO VIAJANTE: O turista delega sua viagem a uma agência e segue a programação feita por outros. O viajante tem sua própria meta, é um verdadeiro explorador, deixa-se seduzir pelo encanto do inesperado. Engana-se, refaz sua rota. Leva pouca bagagem. Cresce com a caminhada. Faz do estranho o conhecido. Assume a vida como uma aventura que vale a pena ser vivida, sem nunca perder o entusiasmo, a capacidade de aprender e surpreender-se. O viajante está sempre disposto a enfrentar de tudo: o programado e o inesperado. Se cai ou se machuca, no lugar de parar e reclamar, levanta-se e procura a cura para seguir a viagem, sem buscar culpados.
• O PERFIL DO VIAJANTE: Explora o mundo externo e também interno, trabalhando na construção permanente de sua identidade. Cultiva a paixão pelo conhecimento, tem espírito pioneiro e abraça as causas que valham a pena lutar. Escuta seus sentimentos, enfrenta seus temores, identifica suas necessidades e descobre seus sonhos e dons.
COMPETÊNCIAS
• Autoconfiança.
• Interesse pelo novo.
• Crença nas possibilidades de alcançar resultados através das pessoas.
• Flexibilidade para lidar com as diferenças individuais.
• Entusiasmo com projetos em andamento.
• Capacidade para enfrentar as dificuldades com coragem, persistência e energia.
• Exploração e identificação de oportunidades onde os outros enxergam o caos.
• Reconhecimento dos erros e facilidade em refazer planos sempre que necessário.
• Capacidade para aprender com sua equipe.
• Habilidade para correr riscos calculados.
• Senso de exploração
• Constante busca do auto- conhecimento como fonte de fortalecimento da auto-estima
• Identidade forte
• Sensibilidade para identificar suas próprias necessidades, sonhos e medos.
• Consciência de que é o responsável pela própria vida, pela liderança pessoal.
O CAMINHO DO VIAJANTE – ETAPAS.
Quando adotamos a estratégia do viajante, passamos pelas etapas que se seguem:
1ª – POSTURA DE ESTABILIDADE: caracterizada pela aceitação da rotina e pela ausência do espírito explorador.
2ª – SINAL DE ALERTA: causada por algum acontecimento que nos tira da zona de conforto. Por exemplo, uma perda ou uma mudança inesperada na vida pessoal ou profissional. Agindo como elemento alavancador para a ação.
3ª – ENCONTRO COM AS SOMBRAS E DRAGÕES: frente ao desconhecido, emergem os temores. Medos oriundos da perda de estabilidade aparecem nesta etapa, como sombras e dragões, tentando paralisar nossa ação.
4ª – ENCONTRO COM ALIADOS: na travessia do viajante, sempre há aliados. Eles se manifestam através de pessoas, do resgate de crenças, de personagens do mundo mítico ou o do encontro com o lado espiritual.
5ª DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA: nesta etapa, começamos a descobrir uma nova consciência de nossas reais possibilidades, da missão e dos desafios que teremos que enfrentar. É o momento do “clic”, do acordar para novas possibilidades. A luz no fim do túnel.
6ª – CELEBRAÇÃO: ao assumir a travessia como uma aventura de descobrimento, o viajante finalmente vê-se livre dos dragões e encontra o seu herói interior, alça seus próprios vôos.
CONSTRUINDO O CAMINHO DO VIAJANTE
DESAFIO: escrever uma carta a um amigo distante (real ou imaginário) contando como foram seus últimos anos e como você se enxerga no futuro.
• Deixe voar a imaginação.
• Use as perguntas a seguir como guia.
• A descrição da carta conterá a realidade vivida e as imagens visualizadas do futuro.
PERGUNTAS BÁSICAS:
1. Que mudanças significativas fiz em minha vida nos últimos anos?
2. Que mudanças gostaria de promover em minha vida nos próximos anos?
3. Que fatores internos poderão dificultar estas mudanças: medos, crenças, preconceito, auto crítica exagerada?
4. Que fatores externos relacionados à família, amigos ou trabalho, poderão bloquear as mudanças desejadas?
5. Que aspectos em minha vida se tornaram rotina e já não se constituem em um desafio?
6. Quais os últimos riscos que assumi em minha vida e o que aprendi com eles?
7. Que mudanças importantes pretendo realizar em minha vida profissional?
8. Com que aliados posso contar?
9. A que conclusões posso chegar após refletir sobre as questões anteriores: preciso mudar aspectos da vida pessoal ou profissional?
10. Qual meu prazo para efetivar as mudanças necessárias e como vou celebrar as vitórias?
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Maria Rita Gramigna


