São seus olhos!
Num único dia e a partir de um mesmo estímulo posso receber retornos ou “feedbacks” absolutamente diferentes!
Quer ver como?
Paro o carro e dou passagem a um pedestre.
Um sorri e me agradece.
O outro em contrapartida, mostra-se desconfiado e me xinga. Apesar de não me conhecer.
Outro exemplo:
Escrevo um texto de caráter profissional, e recebo dezenas de e-mails de pessoas que jamais vi. Na maioria deles recebo palavras elogiosas, que se referem ao texto em questão. Podem haver discordâncias respeitosas de opinião ou de fonte de pesquisa. Todos crescemos com esta discussão.
Porém, recebo um único e-mail em que sou surpreendida com insultos à minha pessoa. Sou julgada, sem direito a perguntar: Mas de onde você tirou isto?
Bons olhos sem dúvida alguma, arrancam o melhor de nós. Ao passo que maus olhos, falta de educação e principalmente julgamentos pessoais, levam ao não entendimento, à ruptura da comunicação, e em alguns casos a reações exercidas pelo lado sombrio, existente em todos nós.
Uns recebem uma propaganda via e-mail e tem quatro reações diferentes:
- Gostam, escrevem elogiando.
- Tranquilamente delatam aquilo que não lhes interessa e guardam aquilo que poderá ser útil. Particularmente eu ajo deste jeito, e já até repassei coisas que achei interessante como, por exemplo, cursos de desenvolvimento pessoal e profissional. Na era da informação é preciso estar “antenado” e desenvolver-se sempre. Estes são os meus olhos!
- Entendem como “spam” e solicitam a exclusão educadamente
- E uma minoria doentia (sim isto é doença!) ofendem, ameaçam tripudiam e novamente julgam!
Profissionalmente falando doença é quando uma reação é exagerada em relação ao estímulo que recebe.
Julgar sem conhecer pessoalmente uma outra pessoa é no mínimo um exercício constante da violência. E um aspecto doentio e transbordante da personalidade. A pessoa não consegue lidar com este lado e o projeta radicalmente em outra pessoa. A tônica dos comportamentos doentios é o exagero e a falta de espontaneidade ao lidar com as diversas situações da vida. Só para fazer um aparte teórico, para que ninguém confunda com a palavra julgamento. Psicólogos, por exemplo, não julgam ninguém por princípios éticos de sua profissão, mas são capazes de ler (apenas para si mesmos) comportamentos patológicos.
Existe um filme que no passado eu utilizava muito em treinamento, quando trabalhava principalmente os grupos com o conceito de percepção. Trata-se de um filme belo, e com características de filme “noir”, e se chama “O Olho do Observador”, e era (não sei se ainda é) distribuído no Brasil pela Siamar.
De todos os filmes produzidos para treinamento, este segundo o meu ponto de vista (os meus olhos) é o melhor. Ele conta a história de um rapaz que vivia em busca da mulher perfeita e pura, a Madona. Até que um dia a encontra num restaurante. Ela se não me falhe a memória desaparece (faz um tempão que assisti a este filme) e a partir daí várias versões ocorrem à respeito do comportamento do rapaz:
· A mãe que só falava, diz que seu filho nunca a ouve.
· O gangster que vivia armado, diz que ele provavelmente era violento e picareta.
· E por aí vai.
O que a história do filme mostra claramente é o quanto os nossos olhos afetam a nossa percepção.
Quem pode dizer de si mesmo, é apenas o si mesmo, ou aquilo que pensamos que somos. Crucificar ou elogiar uma pessoa que não se conhece, é apenas uma questão de olhar.
Julgar, sem se deter a fatos, mas sim a critérios pessoais é sempre extremamente perigoso.
Aliás, este é o princípio do feedback: fatos, jamais comportamentos.
Posso até dizer: Eu não gosto quando você faz isto, pois me magoa, por exemplo!
Que é muito diferente de dizer a alguém: Você é um pilantra!
Críticas e julgamentos nos afastam uns dos outros. Se remeter a fatos, ao contrário, pode gerar algo grandioso, que é a reflexão.
Julgamentos só colocam o outro na parede. Temos exemplos diários disto, quando lemos um jornal, por exemplo. E a partir da opinião pessoal de alguém, ou de seus olhos, julgamos uma pessoa, sem sequer conhecê-la.
Portanto, ao receber um elogio ou uma crítica de alguém que você “nunca viu mais gordo”, lembre-se:
São apenas os olhos do outro, e a maneira como que ele(a) enxerga o mundo falando.
Se as críticas forem exageradas ou num tom ofensivo, é melhor nem responder. Deixe com o outro, aquilo que é apenas do outro. Siga o exemplo de Dona Beja, uma personalidade influente de Minas Gerais
(1800 a 1873) que virou alvo inclusive de uma novela brasileira.
Certa vez Dona Beja recebeu um monte de esterco fedido da esposa de um de seus amantes, e com um bilhete pra lá de mal educado!
No dia seguinte Dona Beja mandou entregar para esta mulher um ramalhete das rosas mais bonitas existentes na região. Com as rosas seguiu a seguinte mensagem:
- Cada um dá aquilo que tem!
Fatos e comportamentos são coisas absolutamente diferentes. Quem os confunde cria apenas barreiras relacionais.
E mesmo diante de um fato é possível ter leituras diferentes, em função dos olhos que se têm. Há muitos anos atrás lia um jornal chamado “O Pasquim”, que saia todas às sextas-feiras. Numa das edições um dos jornalistas responsáveis contou a seguinte história:
“Havia um cachorro em estado de putrefação numa determinada rua. As pessoas que lá passavam, diziam:
-Nossa que horror, como ele é feio!
- Veja só o estado que ele está em plena rua!
E outros comentários jocosos. Até que num dia passou o mestre Jesus. Ele olhou para o cachorro e para as pessoas ao redor que apenas criticavam a sua feiúra mortal e disse:
- Mas vocês viram os dentes deste cachorro? Vocês prestaram atenção como eles são brancos e bonitos!”
fonte: www.pavandesenvolvimento.com.br
Categoria: Administração, Motivação
Enviar por email
Imprimir este Post
