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September , 2010
Friday





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Archive for the ‘Meio Ambiente’ Category

Insensatez

Posted by Adrian |Webmaster| On junho - 29 - 2010 1 COMMENT
“Assim como ninguém escava o terreno dos alicerces de sua casa, porque poderá comprometer sua segurança, do mesmo modo ninguém arranca as árvores das nascentes, das margens dos rios...”.

“Assim como ninguém escava o terreno dos alicerces de sua casa, porque poderá comprometer sua segurança, do mesmo modo ninguém arranca as árvores das nascentes, das margens dos rios...”.

(por Alexandre Pelegi – www.primeiroprograma.com.br)

Insensatez: este é o nome para o cidadão que dá um tiro no próprio pé. O jurista Osny Duarte em 1965, coordenador do então novo Código Florestal, já alertava para os riscos da devastação: “Assim como ninguém escava o terreno dos alicerces de sua casa, porque poderá comprometer sua segurança, do mesmo modo ninguém arranca as árvores das nascentes, das margens dos rios…”. Passados mais de 40 anos descubro que o termo insensatez é suave demais para explicar o comportamento depredatório do brasileiro. E as leis, ora as leis, estas continuam sendo objeto de escárnio dos poderosos e de afrontamento dos ignorantes.

Fala-se o tempo todo em fiscalização. E o que vemos, além do instituto da propina, é o crescimento degenerado da especulação imobiliária. Algumas entidades ambientais conseguem denunciar o descaso. Mas são poucas, não por falta de ação, mas porque habitamos um país de iletrados.

A ignorância é madrasta do descaso. Quantas pessoas se omitem, por não saber o que fazer? Quantas não são levadas pelo argumento fácil e sedutor do benefício próprio?

As organizações do terceiro setor, por mais bem intencionadas que sejam, têm um limite claro para atuar que, ao contrário do que se imagina, não é legal, nem institucional. Refiro-me à ignorância do cidadão.

Alguém já disse que a única forma de se mensurar a consciência de um povo é seu nível de organização. Um povo desorganizado, além de vulnerável a safardanas e corruptos, é um povo sem defesa. Não conheço outra forma de fomentar consciências que não a educação.

De 1965 até hoje as florestas foram derrubadas e desrespeitadas na proporção direta em que nosso ensino caiu em qualidade. A cada árvore derrubada é como se houvesse em correspondência uma escola pública sucateada. Um povo sem escola pública de qualidade é um povo sem proteção. Como alguém assim pode defender a natureza?

O prato de comida e o emprego salvador se tornaram a única e imediata preocupação do cidadão. Sem escola, ele não consegue enxergar salvação em ações coletivas. Vinga o “salve-se quem puder”. E que Deus nos proteja… Antes do slogan “plante uma árvore”, por que não lutar pelo correto “salve uma escola”?

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Biocombustíveis

Posted by Adrian |Webmaster| On junho - 14 - 2010 ADD COMMENTS

O debate sobre o uso de biocombustíveis está cada vez mais em voga, pois é sabido, com muita clareza, que os combustíveis fósseis, os mais utilizados, são finitos e as reservas terrestres só tendem a diminuir e terminar, sem renovação. Além disso, são extremamente poluidores e causam sérios desequilíbrios no ambiente.

Mas o que seriam os biocombustíveis? São materiais biológicos que, quando em combustão, possuem a capacidade de gerar energia para realizar trabalhos. É certo que praticamente todo material biológico gera energia, a fruta que comemos, a planta que queima.

Mas aqui vou me concentrar naqueles com potencial combustível de interesse econômico – a energia para queimar é inferior à energia que gera posteriormente – e suas conseqüências ao ambiente.

O tipo mais difundido de biocombustível no Brasil é o álcool proveniente da cana de açúcar. Sua principal vantagem é a menor poluição que causa, em comparação aos combustíveis derivados do petróleo. A cana é um produto completo porque produz açúcar, álcool e bagaço, cujo vapor gera energia elétrica. Contudo, possui diversas desvantagens, como o fato de não resolver o problema da dependência do petróleo, devido à inflexibilidade no refino do mesmo.

O álcool proveniente da cana-de-açúcar tem sido o biocombustível número 1 na política brasileira de incentivo a energias alternativas ao petróleo. O mais grave do pro-álcool talvez tenha sido a necessidade de se utilizar um motor específico que não permite a utilização alternada entre álcool e gasolina, quando for interessante.

Ainda há a questão ambiental. Com o estímulo ao pró-álcool, grande área de Mata Atlântica foi substituída por plantações de cana de açúcar, particularmente no nordeste brasileiro. Isto acarretou graves problemas climáticos e edáficos, com elevação das temperaturas e da erodibilidade dos solos. Tanto que muitos usineiros agora têm preocupação em proteger os fragmentos que restam e recuperar áreas degradadas. Até porque hoje em dia o álcool não está dando um lucro satisfatório, como antigamente…

Biocombustíveis

Já o biodiesel, ou seja, óleo virgem derivado de algumas espécies de plantas, apresentam vantagens muito interessantes, como a possibilidade real de substituir quase todos os derivados do petróleo sem modificação nos motores, eliminando a dependência do petróleo. Além de ser naturalmente menos poluente, o biodiesel reduz as emissões poluentes dos derivados de petróleo (em cerca de 40%, sendo que seu potencial cancerígeno é cerca de 94% menor que os derivados do petróleo), possui elevada capacidade de lubrificar as máquinas ou motores reduzindo possíveis danos, é seguro para armazenar e transportar porque é biodegradável, não-tóxico e não explosivo nem inflamável à temperatura ambiente, não contribui para a chuva ácida por não apresentar enxofre em sua composição, permite dispensar investimentos em grandes usinas, ou linhas de transmissão, para atendimento local de energia em regiões com pequena demanda

As plantas mais utilizadas atualmente para produção do biodiesel são a soja, a colza, o pinhão manso, mamona, dendê, girassol e macaúba. As mais produtivas são o dendê (Elaeis guineensis) e a macaúba (Acrocomia aculeata – típica do litoral brasileiro), confirmando a potencialidade das palmeiras.

A soja (Glycine Max) é a mais utilizada nos EUA, onde também é comum misturar com restos de óleos usados para fritura.

A colza (Brassica napus) é a principal planta estudada e plantada para este fim na União Européia.

Existem outras muito produtivas, como a castanha do Pará, o coco e a copaíba, porém outros derivados seus são mais interessantes economicamente.

Tendo em vista tantas vantagens, o governo brasileiro têm estimulado a produção e comercialização do biodiesel, sendo o marco principal a publicação do Decreto No. 5.488, em 20 de maio de 2005, que regulamenta a lei 11.097 (janeiro/2005). Essa lei dispõe sobre a introdução do biodiesel na matriz energética brasileira. Inicialmente a proporção autorizada é 2% do diesel comum até 2008, 5% até 2013 e já é pensado 20%, sendo que nos Estados Unidos, os automóveis movidos com 100% de biodiesel têm apresentado rendimentos surpreendentes.

A política brasileira prevê o incentivo à produção da mamona no Nordeste e no Bioma Caatinga como um todo, do dendê no Norte e Amazônia e da soja no Cerrado, Sul e Sudeste. O maior problema está no fato de serem plantas exóticas, sendo que a macaúba, o buriti (Maurutia fexuosa), o pinhão manso (Jatropha curcas) e o babaçu (Ricinus communis), todas nativas, apresentam grande potencial, só não sendo mais produtivas que o dendê, o qual ainda tem a vantegem de apretesentar baixo custo de produção (custa cerca de um terço do óleo diesel europeu). Todavia, o conhecimento sobre a cultura das nativas ainda é incipiente e a tecnologia para utilização precisa de muitos estudos para ser mais viável economicamente. Ao contrário, as exóticas são mais conhecidas, suas culturas já são dominadas agronomicamente e existem muitos estudos publicados.

A mamona, além de ser menos produtiva do que todas essas nativas, possui muitas exigências de solo (irrigação e adubação), o que causa muitas modificações sérias no ambiente, não sendo portanto a mais indicada para a região Nordeste e Caatinga. Seria mais eficiente utilizar o pinhão manso, que é mais adaptado ao semi-árido nordestino. O pequi também poderia ser uma boa opção pela alta produtividade, mas não deve ser viável economicamente já que é uma arbórea de crescimento lento.

Substituir o que resta dos biomas brasileiros por mais monoculturas de plantas exóticas, existindo altos potenciais nativos, não parece ser a estratégia mais eficiente para levar o Brasil crescentemente à independência ao petróleo, à melhor contribuir para o controle das mudanças climáticas e para a preservação ambiental. A melhor saída seria estimular sistemas agro-florestais consorciando nativas e exóticas (a serem substituídas à medida que os estudos sobre as nativas, e a tecnologia associada, avancem), arbustos, árvores e palmeiras.

Leitura Sugerida:

Arbix, G. et al. 2004. Biocombustíveis. Cadernos NAE, número 2. Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Secretaria de Comunicação do Governo e Gestão Estratégica.

Sá, H. Biocombustíveis – Álcool, Óleos e Gorduras-Biodiesel. http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./energia/index.html&conteudo=./energia/artigos/biocombustivel.html

Pombo, L. 2005. Brasil se prepara para produzir biocombustível. Folha de São Paulo 16/08/2005. (http://www.biodieselbrasil.com.br/clip2005/agosto/clipping215bb-170805.html)

Faupel, K. & Kurki, A. 2002. Biodiesel: a brief overview. Attra: 1-8 (http://www.attra.ncat.org/attra-pub/PDF/biodiesel.pdf)

Contei com a colaboração fundamental de Buno Filizola e Haroldo Oliveira (MMA)

Branca M. O. Medina – branca@biologo.com.br – http://www.biologo.com.br/ – Bióloga licenciada e bacharel em ecologia pela UFRJ e mestre em ecologia, conservação e manejo da vida silvestre pela UFMG.

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Sacolas Plásticas

Posted by Adrian |Webmaster| On maio - 24 - 2010 2 COMMENTS

Um ano de combate ao uso excessivo de sacolas plásticas

Há mais de cinco anos a empresária e dona de casa Cira Moschetta carrega sua sacola retornável sempre que vai fazer compras e recusa sacolas plásticas. Ela conta que sua atitude isolada já foi motivo de gozação e brincadeiras entre amigos que viam em sua ação uma utopia, pois para eles, as pessoas jamais abandonariam as sacolas plásticas. “Nos mercados, os pacoteiros achavam muito estranho eu chegar com minha própria sacola”, revela Cira, moradora de Xanxerê, município com cerca de 40 mil habitantes, no Oeste de Santa Catarina.

Em abril de 2009, uma campanha pelo uso de sacolas retornáveis foi adotada por supermercadistas de Xanxerê, cidade que, desde então, acabou com o fornecimento gratuito de sacolas plásticas aos clientes. Quase um ano depois, dados levantados pelos supermercadistas da cidade apontam que nos sete maiores supermercados da cidade o consumo de sacolas plásticas baixou de 1 milhão para 150 mil unidades por ano.

Tudo começou quando um vídeo postado no Youtube denunciou uma grave agressão ao meio ambiente como resultado do uso excessivo e descarte incorreto de sacolas plásticas: um lixão de sacolas e outros objetos plásticos tomavam parte do Oceano Pacífico.

Ao assistirem ao filme, cerca de dez proprietários de mercados de Xanxerê – pólo do comércio da região do Alto Irani com cerca de 130 mil habitantes distribuídos em 14 municípios – decidiram agir e propuseram uma arriscada troca aos consumidores. Ao invés de receber a sacola plástica gratuita, todos deveriam comprar sacolas feitas com tecido que seriam vendidas nos mesmos supermercados a preço de custo. Os consumidores tinham ainda a opção de levar suas compras em sacolas plásticas recicláveis, vendidas por R$ 0,50 o pacote com cinco unidades. Xanxerê estava prestes a se tornar a primeira cidade do Brasil a abolir as sacolas plásticas nos mercados

A campanha foi anunciada em folhetos entregues nos caixas dos mercados em outubro de 2008, para ser lançada oficialmente em abril de 2009. A iniciativa contou com divulgação nas três emissoras de rádio, uma de televisão e nos jornais.

Nos primeiros dias sem sacolas gratuitas nos mercados, foram muitas as reclamações indignadas nos meios de comunicação e principalmente nos caixas dos próprios mercados. Clientes abandonaram o carrinho de compras na boca do caixa ao saber da “novidade”. Outros foram mais longe, literalmente, e preferiram fazer suas compras nos municípios vizinhos, como Xaxim, há cerca de 20 Km de Xanxerê.

Edson Marció, um dos organizadores da campanha e membro de uma família proprietária de dois supermercados de porte médio, admite que a reação era esperada, mas acabou sendo bem menor do que os empresários temiam. “Estávamos preparados para o pior. Se a atitude dos consumidores fosse de repúdio total, ou muito grande, pediríamos desculpas em conjunto e ressarciríamos, em dinheiro, no dia seguinte, às pessoas que compraram as sacolas retornáveis”. Mas nada disso foi preciso.

“Minha sogra reclamou muito no começo. Ela usava umas 15 sacolas plásticas virgem por semana para embalar o lixo doméstico. Hoje ela armazena tudo em sacos adequados para o lixo e só coloca para coleta quando o saco estiver cheio. Ela tem 80 anos e se adaptou muito bem”, conta Cira Moschetta, a empresária que já vem praticando o uso consciente das sacolas plásticas antes mesmo da campanha chegar à cidade.

Marció confessa que o maior medo dos empresários, ao iniciar a campanha, era mesmo de perder clientes. Mas felizmente, a aceitação da mudança superou as expectativas iniciais. Ele revela que o último levantamento para medir a aderência dos consumidores à campanha feita no início do ano, indicou que 85% dos consumidores deixaram de usar sacolas plásticas, sendo que apenas 54% dos consumidores de Xanxerê compraram a ideia desde o início.
Troca de experiência é o melhor caminho para o sucesso

Não demorou muito e os empresários de Xanzerê começaram a ser procurados por municípios vizinhos que desejavam adotar a iniciativa. Nesse momento, eles se deram conta da forma impositiva com que a campanha foi conduzida. “Nós imaginávamos que as imagens, os números e as conseqüências catastróficas ao meio ambiente – mostradas pelo vídeo – iriam sensibilizar a todos, e isso bastaria para conquistar a adesão dos consumidores”, reconhece Marció. Essa autocrítica permitiu que os novos interessados em substituir as sacolas plásticas na região não cometessem o mesmo erro.

“Sempre que uma iniciativa propõe mudanças no cotidiano de uma comunidade, o ideal é que ela seja feita de forma colaborativa, envolvendo todas as partes. A imposição geralmente leva a resultados muito ruins, pois mudar o comportamento, o hábito das pessoas significa essencialmente levá-las a uma autocrítica em relação a si próprio. Isso não se conquista com a imposição”, explica Heloisa Mello, gerente de operações do Instituto Akatu.

Outros nove municípios de Santa Catarina implantaram projetos semelhantes, com pequenas variações quanto à conscientização e formas de facilitar a adesão. Substituíram as sacolas plásticas por retornáveis os municípios de Xaxim, São Lourenço do Oeste, Mondai, Coronel Freitas, Cordilheira Alta, Seara, Ponte Serrada, São Domingos e Pinhalzinho.

“Eu achei a campanha da sacola retornável muito interessante, aderi a ela desde o início, e não só no mercado, mas na loja, na farmácia”, conta Márcia Puccini Bernardi, gerente comercial e dona de casa. Segundo ela, quando o volume é pequeno coloca na bolsa e evita usar a sacola plástica. “Levo a sacola renovável dentro do carro. Antes eu usava a sacolinha do mercado para o lixo, hoje eu compro o saco próprio pra lixo”, explica ela.

Opções para substituir as sacolas plásticas existem, tanto para levar as compras para casa, quanto para acomodar o lixo doméstico, destino de cerca de 80% das sacolas plásticas utilizadas no Brasil.

Segundo Mello, “exemplos como esses deveriam inspirar o mundo inteiro. Os moradores de Xanxerê estão mostrando ao mundo que é possível, que existem alternativas às sacolas plásticas. Mais do que isso até, que essas alternativas estão em nossas mãos, que diminuir os impactos negativos do nosso consumo é possível”.

Em abril de 2010, os consumidores de Xanxerê serão informados dos resultados da campanha iniciada há um ano. Mas, um resultado já pode ser notado: nos mercados, há alternativas para os consumidores levarem mercadorias para casa. São vendidos pacotes de papel reciclado, há empréstimo de caixas de papelão e um mercado vendeu com sucesso aos clientes uma caixa de plástico resistente, para ser transportada no bagageiro do carro.

Basta parar por alguns minutos na porta de qualquer supermercado para conferir – as sacolas retornáveis, de variadas formas, tamanhos e modelos, muitas feitas em casa, predominam!

(por Romeu Scirea Cilio, do Instituto Akatu)

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