Há 35 anos morreu a pintora Tarsila do Amaral
Essa era a receita, sob a forma de um poema de Mário de Andrade, dos badalados jantares na rua Barão de Piracicaba, no centro da São Paulo dos anos 20. No casarão morava uma das mais aristocráticas famílias paulistas, dona de plantações de café no interior. E com uma charmosa e ilustre integrante: a pintora Tarsila do Amaral, na época casada com o poeta e escritor Oswald de Andrade. Serviam os banquetes entre uma e outra viagem a Paris, onde os dois artistas fixavam residência quase uma vez por ano.
Num período mais longo de estadia no Brasil, no início de 1928, Tarsila evocou as criaturas míticas da infância que saíam das histórias contadas pelas negras descendentes de escravas nas fazendas dos avós.

Auto-retrato (1923)Queria dar um presente de aniversário ao marido, algo que o impressionasse. Começou a pintar uma tela, que entregou a Oswald no dia de seu aniversário, a 11 de janeiro. Ao receber o quadro, ele ficou extasiado com sua beleza. Chamou o amigo Raul Bopp e sugeriu que dessem à obra o nome de um selvagem, pois a figura parecia um gigante. Lembraram-se do dicionário de tupi que Tarsila guardava na cabeceira e encontraram o termo certo: Abaporu, o homem que come carne humana.

Estava fundada a antropofagia, um dos mais importantes movimentos artísticos brasileiros, que preconizava a devoração cultural das técnicas importadas dos países desenvolvidos para reelaborá-las com autonomia, convertendo-as em produto de exportação.
Principal representante da antropofagia nas artes plásticas e precursora do surrealismo no Brasil, Tarsila nasceu a 1º de setembro de 1886, na cidade paulista de Capivari. Seu avô, o “Milionário”, tinha tanto dinheiro que resolveu comprar o luxuoso Hotel D´Oeste, em São Paulo, simplesmente porque um empregado não o havia deixado se hospedar por causa da aparência de um homem simples. A família mandou Tarsila estudar na Europa. Ela frequentou a Academia Julian e os ateliês de André Lhote, Albert Gleizers e Fernand Léger. Depois de idas e vindas, desembarcou no Brasil em 1922, quatro meses após a Semana de Arte Moderna. Então, formou-se o grupo dos cinco, capitaneando a maior reviravolta da cultura nacional neste século, o modernismo: Tarsila, Menotti del Picchia, Anita Malfatti, Oswald e Mário de Andrade. Em 1925, fez uma excursão pelas cidades históricas de Minas Gerais. Registrou em suas telas a redescoberta do interior simples e puro, das cores caipiras, no movimento chamado de pau-brasil. Perdeu grande parte das terras na crise de 1929 e deu início à pintura social, retratando o desamparo do homem despersonalizado pela industrialização.
A jovem Tarsila era de uma beleza edificante, desfilava com altivez, os brincos pendentes quase tocando os ombros. Menotti del Picchia costumava lembrar o dia em que a conheceu: “Tinha eu na frente uma das criaturas mais belas, harmoniosas e elegantes que me fora dado ver.” A pintora casou-se quatro vezes - duas oficialmente. O primeiro casamento acabou por causa do ciúme do marido, que não queria vê-la pintando.
O segundo, com Oswald, durou até 1930, quando ele a traiu. Depois veio a união com um médico que a levou para as reuniões do Partido Comunista (a pintora viajou para a Rússia em 1931 e passou um mês na cadeia, ao retornar ao País). Por fim, um romance de duas décadas, com um crítico de arte 20 anos mais jovem. Teve uma filha e uma neta. Ambas morreram antes dela. Conseguiu vencer a tristeza com as palavras de ânimo do médium Francisco Xavier, seu amigo pessoal.
Gostava de ouvir piadas, não pelo sarcasmo de quem as contasse, e sim pelos erros de português. Morria de rir com as falhas. Corrigia uma por uma, mania que adquiriu com as intensas leituras, principalmente de dicionários. No fim da vida, estudava grego antigo e recitava poesias incompreensíveis. Já não podia andar, limitada a uma cadeira de rodas após uma cirurgia na coluna. Morreu de câncer a 17 de janeiro de 1973. Foi enterrada de vestido branco, conforme seu desejo. O Abaporu (o presente dado a Oswald) foi leiloado em 1995, por US$ 1,3 milhão. É até hoje a obra mais valiosa comercializada em leilão por um pintor brasileiro.
Categoria: Cultura
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muinto bonito a homenagem
Amei saber de tudo sobre ela,ela é bonita,diario bem feio…
Tarsila do amaral foi bem recebê-la
Bjos Victoria Ataide
gosto dessas culturas que mostram o passado e a historia de todos principalmente a Tarsila do Amaral.
oi
estou estudando sobre a Tarsila do amaral e possso ver q ela é uma mulher batalhadora