Cientista Propõe Uma Nova "Economia Da Floresta"
Admin On abril - 29 - 2008
O cientista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, disse que o Rio de Janeiro é vulnerável ao efeito da elevação do mar pelas mudanças climáticas e deve se preparar, inclusive, construindo diques. Ele contou detalhes do estudo feito pelo INPE que mostra que parte da Amazônia pode virar cerrado, dividindo a floresta ao meio.
- Não será um cerrado rico como o nosso, que é a mais rica região de savana do mundo, será um cerrado empobrecido – disse.
O efeito pode fazer desaparecer mais da metade das espécies vegetais, e isso afetará diretamente as espécies animais que vivem desses vegetais.
Ele contou outra coisa interessantíssima: que a Amazônia não tem paralelo no mundo.
- O Brasil sempre se desenvolveu copiando modelos externos, mas agora não há nada o que possa ser copiado. Na Amazônia, além dos princípios ativos, tem uma megadiversidade, complexas teias biológicas, onde podemos aprender como é a vida.
Segundo ele, qualquer uso que se faça da floresta hoje é mais pobre que esse uso, de explorar sua biodiversidade. A pecuária, por exemplo, é bem menos rentável do que preservar a floresta:
- A Amazônia precisa ser preservada não para isolá-la, mas para estudá-lá, para explorar a floresta, não da forma extrativista; é uma coisa totalmente nova. O Brasil deveria liderar o desenvolvimento da nova economia da floresta – disse Carlos Nobre, que participou tanto dos estudos do IPCC quando dos novos estudos sobre Amazonia divulgados essa semana.
O cientista lembrou que a Amazônia é extremamente importante para regular o clima no hemisfério norte. Disse que a seca que houve há dois anos lá foi, em parte, efeito do aquecimento global, e foi taxativo: o Catarina, no sul, foi um furacão.
- Se os outros países nada fizerem, o planeta vai continuar a aquecer e destruirá a Amazônia de qualquer maneira.
Carlos Nobre acredita que agora é que se saberá o quanto da queda da taxa do desmatamento é pela crise da carne e da soja, o quanto é pela presença do exército e do governo tentando combater o desmatamento.
- Se continuar caindo a taxa de desmatamento, estaremos dando uma grande lição ao mundo. A Amazônia é importantíssima, é enorme reservatório de biomassa, e o fim da biomassa quando as árvores são derrubadas ou queimadas é virar gás carbônico. Isso aumentaria em 16% o aquecimento global. Se o desmatamento continuar, a chuva da Amazônia vai diminuir, e isso terá um impacto global.

Nobre alerta que a produção do biocombustível não pode ser feita a custa da floresta. Nem precisa, porque há muita terra degradada que pode ser convertida para a produção da matéria-prima para o etanol. Condenou também a queima da cana de açúcar como ainda é feita no Brasil:
- É um problema de saúde pública; aquela fumaça particulada faz um mal enorme à saúde humana.
Fonte: MiriamLeitão.com em 02/03/2007

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