Para Quê Serve Um Consultor?

As piadas existentes sobre a inutilidade e valor cobrado por um consultor são inúmeras. Elas advêm do fato de muitos consultores hipervalorizarem seus serviços, além de complicarem o óbvio.

Este é apenas um lado da questão. O outro é mais comum e triste do que se imagina: É o despreparo!

Muita gente que fica desempregada de repente e sem preparo algum vira consultor. São pessoas que não tem sequer 2 anos de experiência numa determinada área e se auto-intitulam consultores!

Já tive alunos no curso de pós-graduação que me perguntam:

- Você acha que eu devo virar consultor?

A resposta é quase sempre negativa, pois quem mais faz esta pergunta é justamente aquele que está cansado do emprego que tem, ou um recém desempregado.

Afirmo que para se tornar um consultor é necessário domínio do assunto/área que se pretende dar consultoria. Para que isto seja possível é necessário no mínino uns 10 anos de experiência profissional preferencialmente dentro do ambiente organizacional. Um bom consultor é aquele que viveu o lado de dentro de uma empresa, senão ele não passa de um teórico. E todos sabemos que a teoria só tem vida se for pratica.

Falar daquilo que nunca se viveu pode ser adequado no mundo acadêmico, mas jamais no universo organizacional. Até um estagiário sabe que o sentido daquilo que aprende na faculdade só será possível na vivência do dia-a-dia.

Acadêmicos que me perdoem, mas vivência é fundamental quando o assunto é consultoria. Se assim não fosse qualquer pessoa que faz um MBA estaria apta a encarar uma diretoria, por exemplo.

Claro, que um bom consultor reúne domínio profissional à escolaridade. Mas ambos devem permitir um equilíbrio. Experiência e escolaridade são diferenciais na balança na hora de contratar uma consultoria.

Um consultor é aquele que entende muito do que faz na prática e na teoria.

Ele deve ter se tornado ao longo de sua carreira também um pesquisador. E desenvolvido, conforme o seu “know how”, ferramentas em sua área de atuação. Ele jamais irá copiar qualquer coisa, ele cria, e por criar cobra. Afinal de contas “know how” tem preço, diferencial e principalmente valor.

Um bom consultor é um ser criativo, inovador.

Outra característica importante num consultor é a capacidade de ouvir o cliente. Comete um engano quem contrata aquele que só fala e pouco ouve o cliente. Um consultor experiente ouve o que o cliente pretende fazer e já nesta primeira reunião é honesto em dizer se é possível ou não realizar o que está na cabeça do cliente. Muitas vezes o cliente solicita algo inviável, porém o mais comum é o cliente não ter a exatidão daquilo que quer. Normalmente o cliente tem um problema a resolver, e não sabe como fazê-lo. Na área de sistemas, por exemplo, ele (o cliente) quer agilizar um processo e busca a solução na contratação de uma consultoria especializada. Em R.H., é comum a solicitação de ferramentas para a detecção de necessidades de treinamento, ou a melhoria da relação entre funcionários e subordinados através do desenvolvimento da liderança, entre várias demandas.

Clientes “econômicos” e que não sabem utilizar uma consultoria costumam dar com os “burros na água”, pois na ânsia de não gastar dinheiro acabam por contratar consultores que não preenchem os requisitos de um consultor. Contratam pelo preço, como se tivessem comprando bananas na feira.

Consultores experientes não são baratos, já que pesquisam, customizam trabalhos, e geram resultados importantes para a empresa.

A finalidade principal é injetar “know how” adquirido com muitos e muitos anos de prática.

Consultoria é um trabalho processual, não mágico, para dar certo requer mais do que boa vontade por parte da empresa. É preciso que ela também esteja de portas aberta e comprometida até o pescoço com o que pretende atingir.

Recentemente fui chamada por uma empresa cujo departamento de recursos humanos que lá se chamava gestão de talentos detectou problemas motivacionais junto aos seus colaboradores. Como consultora experiente fiz perguntas às duas moças (uma gerente e outra analista) que marcaram a reunião comigo para entender o que se passava com os funcionários. Elas não souberam responder a nenhuma pergunta, pois não tinham dados para informar a tal “detecção de problemas motivacionais”. A premissa de qualquer consultor é saber fazer diagnósticos, e perguntar é essencial para fazer uma proposta assertiva.

Dada a carência desta primeira reunião fiz uma proposta detalhada acerca dos passos que deveriam ser tomados por minha consultoria caso a proposta fosse aceita. Uma delas (a gerente) me escreveu um e-mail logo depois perguntando se eu não poderia apenas ministrar uma “palestrinha motivacional”. Vi todo o meu esforço como consultora ir por água abaixo e cheguei à conclusão que muitos clientes devido a sua própria inexperiência não sabem sequer o que faz um consultor. Nem todos os problemas empresariais se resolvem com palestras, que aliás só servem para inícios e términos de trabalhos. Isoladas não provocam resultados, salvo em datas comemorativas ou quando se pretende focar sobre um determinado tema.

Consultor dá consultas, pois domina, tem senioridade à respeito daquilo que faz. Caberá ao cliente confiar neste taco, e contribuir para o processo de forma produtiva. Consultoria é antes de tudo, uma relação de comprometimento, de transparência e jogo aberto para mudar e assim melhorar seja lá o que for.

Autoria: Suely Pavan - http://www.pavandesenvolvimento.com.br

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1 comentario para “Para Quê Serve Um Consultor?”

  1. Bom, concordo com o texto. Um consultor precisa REALMENTE de conhecimento e experiência no assunto, senão, sem chance de sucesso e um serviço muito bem feito.

    Para tanto, faz-se necessário que, os responsáveis pela atividade de consultoria, ou seja, os empregadores, tenham a consciência de não ultrapassarem o bom senso. Sim, digo isso porque o que mais se vê nos trabalhos de consultoria é um excesso de trabalho, muita responsabilidade e POUCA remuneração.

    Tenho conhecimento de causa, e digo isso com total segurança. Abaixo, apenas um exemplo (superficial) de um salário de consultor e de suas responsabilidades. (Exemplificaçã o pelas coisas que vejo).

    Suponhamos que um consultor tributário ganhe por volta de uns R$ 3.000,00 (estou até vendo a surpresa de alguns), porém, nos centralizemos nas responsabilidades:

    Nota: Imaginemos um consultor tributarista SOMENTE de ICMS do Estado de SP.

    - Responder ESCLARECIDAMENTE sobre tributação de variadas empresas de variadas atividades e variados produtos.

    Apenas uma noção do que seria isso:

    - Cliente manda e-mail perguntando: Quais porcentagens de ISS incidirá sobre empresas prestadoras de serviço?

    A princípio, NÃO DÁ PRA RESPONDER!!! Por que não? Oras… Primeiramente, deve-se analisar se este serviço encontra-se na lista de serviços descritos na Lei reguladora. Depois, deverá observar em qual Município foi feito tal serviço. Se a Lei do Município em questão regula a responsabilidade da retenção do imposto no mesmo, ou se seguirá regra geral. Deverá observar se há “guerra” fiscal entre os Municípios assim como há entre Estados, etc. Após isso, deverá obsevar qual o regime tributário da Empresa, se Simples Nacional, Lucro Presumido, Lucro Real (a ordem da análise NÃO altera o resultado). Depois dessa prévia análise, deverá verificar se o consulente ESTÁ correto no entendimento da pergunta, haja vista, que muitas vezes o que ele pensa ser uma simples prestação de serviço que é passível de ISS,na verdade, é passível de ICMS por decreto de Lei, como é o caso de prestação de serviços de transporte.

    Após ter que se desdobrar, muitas vezes, apenas para entender o que o cliente deseja e dar-lhe uma resposta o mais satisfatória possível, o consultor ainda tem que fazer reciclagem diária (isso ocorre em empresas competentes) , ou seja, leitura de leis e mudanças tributárias EXAUSTIVAMENTE.

    Como não bastasse, o empregador se acha no direito de dar matérias e pareceres para que o consultor possa postar em sites, boletins e propagandas d a empresa, além de responder perguntas por telefone e muitas vezes, dar palestras para os iniciantes de consultoria e, é claro, treinar os mesmos.

    Muitos desses consultores mal conseguem ficar um dia no final de semana em paz. Ahhhhh, e esquecí da “melhor” parte: No caso de respostas erradas e processos contra a empresa que prestou serviço de consultoria, quem será que será o responsável?? ? É claro, o “incompetente” consultor.

    Pois é meus amigos, ser consultor NÃO É FÁCIL, e PIOR AINDA é ser reconhecido como tal.

    Ana Eliza.

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