Crítica Versus Criatividade
* Rui Santo
A inveja, que abrevia ou suprime os elogios, é sempre minuciosa e prolixa na sua crítica e censura – Marques de Maricá.
O fortalecimento da capacidade crítica é profundamente prejudicial ao desenvolvimento da capacidade criativa.
Na escola, fortificar a capacidade crítica, freqüentemente até humilhação ou suspensão de crianças que têm idéias diferentes, gera um desestimulo duradouro ao jovem, do ponto de vista da capacidade criativa.
Evito incentivar as críticas, embora reconheça que dado nossa cultura, não é fácil e às vezes me pego fazendo-as. O Prof. Eduardo De Bono – referência mundial em criatividade, com mais de 4 milhões de notas, em palestra proferida no Brasil, mostrou os prejuízos provocados pelo fortalecimento da capacidade crítica, a ponto de sugerir que os congressos do mundo serão muito mais produtivos quando, ao invés de promover a discussão, debate, contestação, promoverem a busca do consenso frente aos conflitos, uma vez que nem todo debate caminha na direção do consenso. Muitos deles dirigem-se ao afastamento ou pior ainda, eliminação do outro.
A história nos mostra muitos exemplos de gênios, que foram “desconsiderados” durante a escola.
A professora de Thomas Edison levou-o para sua mãe, dizendo:
- Toma que isso é teu e não serve pra nada…
A CAPACIDADE CRITICA SÓ CONTRIBUI, SE ACOMPANHADA DA SOLUÇÃO, COM REALCE, SE A SOLUÇÃO FOR CRIATIVA
Do contrário, não contribui efetivamente.
Criticar por criticar é tão fácil que qualquer um faz. Criticar e solucionar com respostas ordinárias, tampouco acrescenta. Não encontro mérito criativo nisso.
Embora a crítica instigue à solução, a distância entre um e outro é muito grande e exige muitas, centenas, milhares de idéias criativas para cada fase, aplicáveis a cada instante até a completa implementação diferenciada, principalmente em culturas corporativas não muito habituadas a inovações do tipo “desenvolvida aqui”, na própria empresa.
O caminho é fortemente desestimulante para quem está acostumado a criticar. O profissional criativo pondera e conclui que, se não tiver alguma solução real, solucionado está, pelo menos até que a resposta surja.
Quando a AIDS apareceu, em um dos primeiros congressos sobre o tema, um pesquisador apresentou a solução. Tirou do bolso uma camisinha, apresentando-a ao público como a melhor solução. Na verdade a única disponível por volta de 1985.
Fortalecer a capacidade crítica é fortalecer o passo imediatamente anterior à solução que não necessariamente incentiva novas respostas e, freqüentemente, retrai a criatividade dos colaboradores.
Para mudar essa cultura corporativa, somente um intenso programa interno, com grande visibilidade, acompanhada por “cerimônias” de premiação e mérito colaborativo, promovido com a presença de toda diretoria.
Eventos importantes devem ser comemorados com festas. Mas os colaboradores que dão reforços e novas sustentações à empresa, merecem mais. Para o profissional criativo, inserir um “DIPLOMA DE MÉRITO CRIATIVO”, entre seus diplomas curriculares, certamente tem um grande significado para o fortalecimento pessoal e de sua carreira. Não me parece pouco. Que você acha?
Voltarei a este assunto, complexo e vibrante por si só.
*Rui Santo é Engenheiro Sênior Internacional, professor de criatividade MBA/PECE/USP – Gestão e Engenharia de Produto, artista plástico, autor de várias técnicas de criatividade, consultor em criatividade e inovação, além de palestrante em empresas e eventos. Pode ser encontrado pelo e-mail: ruisanto@uol.com.br.
Categoria: Recursos Humanos
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