Revolução dos pontos fortes

Cosete Ramos — Última modificação 08/11/2006 09:32

Num dia típico de trabalho, apenas 17% das pessoas nos Estados Unidos usam as capacidades nas quais são boas. “Quanta perda de oportunidade!”, disse o conferencista Marcus Buckingham no Congresso Internacional de Treinamento e Desenvolvimento realizado em Dallas (EUA). A consultora Cosete Ramos explica o que é a revolução dos pontos fortes, que dominou a abertura do desse congresso da American Society for Training and Development.

A primeira sessão geral da ASTD (American Society for Training and Development) - Dallas/EUA – dia 8 de maio de 2006 - abriu de forma brilhante o Congresso Internacional de Treinamento e Desenvolvimento.

O conferencista foi Marcus Buckingham. Ele atuou por duas décadas como pesquisador da Organização Gallup, sendo considerado uma autoridade no tema produtividade de empregados e práticas de gerenciamento e liderança. Afirma que sua missão consiste em criar o casamento entre os sonhos dos trabalhadores e a determinação das organizações para vencer.

De forma dinâmica e animada, o palestrante levantou um instigante tema, sobre o que denominou de a Revolução dos Pontos Fortes.

Examinando estudos sobre o desempenho das equipes de trabalho, aponta que há uma enorme variação entre os bons e os maus times. A diferença reside no fato das boas equipes terem sempre um grande gerente. Enfatizando este aspecto, afirma que a duração da permanência de um professional em uma empresa depende consideravelmente da qualidade da liderança.

Independentemente do tipo de grupo, os dirigentes excelentes utilizam o mesmo esquema. Eles sabem que sua tarefa é transformar talento em desempenho. Logo, catalisam e alimentam os talentos das pessoas, individualmente, e visualizam incrementos possíveis para o crescimento delas. Além disso, vêm cada indivíduo como um fim em si mesmo. A essência da sua abordagem consiste em descobrir o que é único sobre cada professional e capitalizar nesta força. A diferença entre grandes gerentes e outros medianos é que os primeiros focam nas fortalezas enquanto os últimos trabalham nas fraquezas, identificando os pontos fracos dos funcionários e buscando falhas para serem remediadas. 

A maioria dos empregados, quando conversam com seus supervisores, durante a avaliação anual, espera alguns rápidos elogios e uma lista enorme de áreas para melhorar. Pesquisas mostram que nos Estados Unidos apenas 21% dos dirigentes escolhem reforçar os pontos fortes e na China e no Japão 24%. Na Inglaterra, 38% enfatizam as forças e 62% as fraquezas.

Dados gerais de 2005 e 2006 mostram que 59% das empresas estão preocupadas em consertar as falhas e 41% em fortalecer os pontos fortes. Levantamentos mostram que, num típico dia de trabalho, 17% (EUA) e 15% (Inglaterra) das pessoas estão usando aquelas capacidades nas quais são bons.

Quanta perda de oportunidades, enfatiza Marcus Buckingham!!! Vivemos num mundo que se procura corrigir o que está ruim. Entre excelência e fracasso, se decide concentrar tempo e recursos no fracasso. Este paradigma, propõe ele, precisa ser banido do ambiente de trabalho.

Tal ênfase exagerada na fraqueza das pessoas não é tanto falha das organizações e sim um indesejável traço cultural que tem suas raízes nas discussões em família, ao se tratar do desenvolvimento e da educação das crianças, nas quais os pais geralmente focam nas notas baixas dos filhos.

O que aconteceria, pergunta ele, se homens e mulheres gastassem mais de 75% do seu tempo, a cada dia de trabalho, usando suas habilidades mais poderosas e engajados em suas tarefas preferidas, basicamente fazendo exatamente o que elas querem e têm capacidade de fazer muito bem?

O palestrante enfatiza a importância de pessoas e organizações reforçarem aqueles aspectos que se constituem nas forças ou nas fortalezas únicas de cada ser humano – naquilo que ele ou ela é bom ou boa - naquilo que o ou a distingue das outras pessoas. As companhias que focam em cultivar as forças dos empregados, ao invés de simplesmente melhorar suas fraquezas, conseguem aumentos dramáticos em eficiência, ao mesmo tempo em que possibilitam o máximo de crescimento e sucesso pessoal.

Reforçando suas concepções, Marcus Buckingham apresenta três mitos que precisam ser desmascarados e substituídos por outras realidades.

mito   À medida que cresce, você muda a sua personalidade

realidade  À medida que cresce, você se torna cada vez mais quem já é, de verdade. O desafio será mudar, tendo consciência que a essência de sua personalidade permanecerá a mesma.

mito Você cresce mais apostando em suas áreas de fraqueza.

realidade  Você cresce mais apostando nos seus pontos fortes. É exatamente nestes últimos que residem suas grandes chances de melhoria professional e onde estão suas oportunidades de crescer mais. É exatamente onde deve investir seu tempo e o seu dinheiro. O desafio da pessoa é fazer o melhor com suas fortalezas; expressando o máximo de si mesmo.

mito   Você deve fazer o que o time precisa e exige.

realidade  Você colabora melhor com a sua equipe de trabalho quando oferece suas capacidades mais destacadas. Excelentes times enfatizam e capitalizam nos pontos fortes de cada membro. Grandes profissionais trazem o que possuem de melhor, sendo esta a contribuição mais efetiva que podem oferecer para o crescimento e a produtividade do grupo.


Falando diretamente aos profissionais, Marcus faz as seguintes afirmações.

  1. Destrua estes mitos.
  2. Retome o controle do seu dia de trabalho.
  3. Assuma a responsabilidade de aumentar incrementalmente seus pontos fortes.
  4. Escolha o que vai fazer com as suas fortalezas.
  5. Enfrente o risco de fazer florescer seus talentos.
  6. Foque nas suas características distintivas e a contribuição única que poderá oferecer. Todos serão vencedores quando isto acontecer.

    É preciso estabelecer urgentemente, defende o conferencista, organizações que tenham uma cultura centrada no desenvolvimento das fortalezas e dos talentos do ser humano. Como esta proposta parece revolucionária, Marcus Buckingham a chama de a Revolução dos Pontos Fortes ou das Forças. Ele propõe que esta idéia é a chave para encontrar a rota mais efetiva para o êxito pessoal e a ligação que faltava no sentido de obter eficiência, competência e sucesso, fatores pelos quais muitas organizações lutam constantemente.

 

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1 comentario para “Revolução dos pontos fortes”

  1. Gostei muito do site, achei por acaso.
    Gostaria que vcs formassem uma rede, pois nós da área de rh somos bombardeados de coisas ruins, matérias sem pé e nem cabeça, um verdadeiro lixo eletrônico.
    Parabéns,

    Jacyel Mattoso
    COnsultor Organizacional - Especialista em Pessoas

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