Consumidor Futuro
Editoria da Agência USP
Aumento da população da terceira idade e diminuição do número de jovens são alguns dos resultados de pesquisa da FIA, indicando que o mercado deve se preparar para ampliar as opções de produtos para pessoas idosas
Que produtos ocuparão as gôndolas dos supermercados em 2010? O que compraremos e o que deixaremos de comprar? Em busca de respostas como estas, o Programa de Estudos do Futuro, da Fundação Instituto de Administração (FIA), vinculada a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, desenvolveu a pesquisa “Perfil do Consumidor do Futuro”, que mostrou que o mercado deve se preparar para oferecer mais opções para a população da terceira idade, pois haverá um aumento da participação dos idosos na estrutura social brasileira e a diminuição da população jovem.
O número de crianças de até nove anos - que hoje representa 32 milhões de brasileiros - cairá cerca de um milhão em 2010. Já os adultos com mais de 50 anos, no mesmo período, passarão de 28 para 42 milhões, o que representa um aumento de 50%. “É um grande mercado que surge, com disposição de consumir produtos específicos e que não pode ser desprezado pelas empresas”, afirma a coordenadora da pesquisa do Profutura, Renata Giovinazzo.
Essas mudanças na estrutura etária da população brasileira trazem implicações para o mercado, ou seja, podem ser novas oportunidades de negócios. Para os consumidores pertencentes à terceira idade, os investimentos devem ser concentrados em setores como o de construção civil - mas agregando outros serviços específicos para esse tipo de público - educação - já que as pessoas trabalharão até uma idade mais avançada e manterão o interesse pela atualização profissional -, turismo e lazer - o que ajudará a resolver o problema da sazonalidade no setor, tendo em vista o maior tempo livre desse tipo de público.
O aumento da participação da mulher no mercado de trabalho foi outra tendência apontada pelos especialistas consultados. Como 55% das mulheres estarão empregadas em 2010 - aumento de 12% em relação a 1999 - o poder de compra desse público se equiparará ao dos homens. “A mulher está mais participativa, ganhando espaço nos negócios e na política e se capacitando”, disse a pesquisadora. “O mercado também está mais interessado em contratar mulheres porque passa a ser importante para as empresas ter uma maior presença feminina na tomada de decisão, para atuar melhor neste segmento”, completa.
Segundo Renata, ainda que em queda, os jovens continuarão a representar um grande contingente de consumidores (serão 64 milhões em 2010). Além disso, trata-se de um segmento importante, porque é um grupo formador de opinião e que influencia diversos setores do mercado - são atraídos pela modernidade e partem em busca de independência - tais como o de tecnologia, esportes e viagens, educação, moda e alimentos em embalagens individuais. “O foco das empresas não deve ser em ampliação, mas em melhoria da qualidade da educação, serviços de saúde e lazer para a população jovem”, declarou a pesquisadora. “É importante que as empresas fidelizem os jovens, porque eles representam valor de consumo ao longo dos anos.”
Categoria: Vendas
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