Em Vez De Internacionalizar A Amazônia, Vamos Amazonizar O Mundo

Em 1992, quando uma conferência mundial no Rio de Janeiro reconheceu que o futuro do planeta dependeria do meio ambiente, movimentos sociais ecoaram em todos os continentes que esse futuro ambiental também estava ligado com uma outra justiça social e cultural. No Brasil, centenas de entidades populares e técnicas da Amazônia uniram-se em uma rede denominada Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) criada para promover a participação das comunidades da floresta nas políticas de desenvolvimento sustentável. A Rede GTA é formada por dezesseis coletivos regionais em nove estados brasileiros que ocupam mais da metade do tamanho do país, envolvendo agricultores, seringueiros, indígenas, quilombolas, quebradeiras de côco babaçu, pescadores, ribeirinhos e entidades ambientalistas, de assessoria técnica, de comunicação comunitária e de direitos humanos.

Com um grande número de projetos e mobilizações gerando novas políticas e atitudes ao lado de seus parceiros e outros fóruns socioambientais, a rede mostra que os maiores guardiões da biodiversidade e do futuro estão nas comunidades das matas, nos litorais, nos rios, nas florestas e demais remanescentes naturais. E que a cooperação dos povos nativos e tradicionais é essencial para encontrar o rumo da sustentabilidade, palavra-irmã da dignidade e da cidadania que implica em mudanças também dos moradores das cidades com seu consumo, com suas escolhas, com sua cultura. Em 2003, uma carta aberta divulgada pelo Conselho Deliberativo do GTA alertava contra o modelo de “ilhas” de proteção ambiental cercadas por áreas devastadas e renovava a defesa de um modelo integrado de sustentabilidade. Essas certezas são maiores que todas as ameaças e desafios presentes sobre a Amazônia latino-americana.

http://www.gta.org.br/

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