Políticas Ambientais

RESUMO DO SUMÁRIO DO RELATÓRIO PARA FORMULADORES DE POLÍTICAS AMBIENTAIS

No dia 2 de fevereiro de 2007, foi apresentado pelo IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change - Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas), um resumo do relatório final (quarto relatório, outros tres já tinham sido apresentados em anos anteriores), cujo texto completo será divulgado ao longo do ano. Nesse sumário, estão expressas as conclusões principais, que serão suportadas pelos estudos a serem apresentados nos relatório final. Essencialmente, constata-se que o clima terrestre está, efetivamente, se tornando mais quente por uma elevação excessiva da concentração de gases de efeito estufa, devido, principalmente à ação humana, resultante da utilização de combustíveis fósseis e outras atividades, como queimadas de largas áreas florestais. Como consequência desse aquecimento, há uma perturbação do comportamento normal das estações, com o agravamento de períodos de secas, o acréscimo localizado de precipitações pluviométricas, o padrão dos ventos, o encurtamento progressivo das estações mais frias, o derretimento generalizado das geleiras, a modificação da salinidade da água do mar. Tudo isso, devido ao rítimo frenético das mudanças (se se considera a escala de tempo normal das mudanças climáticas mundiais, advindas apenas de causas naturais), leva a uma modificação muito rápida do “habitat” humano e das espécies, além de uma redução de recursos naturais (tais como alimentos e água potável) disponíveis para a sobrevivência das espécies.

Assim sendo, as conclusões do relatório devem servir como um alerta em relação ao repensar dessas atividades humanas, hoje corriqueiras e de um repensar em relação à expansão exagerada da população mundial (em particular daquela mais pobre, mais desprovida de recursos para se contrapor äs mudanças climáticas que lhe são adversas).

Uma pergunta pode ser feita, quanto ao próprio futuro da humanidade: se as previsões para o final do século 21, são tão sombrias, o que se poderá esperar dos séculos que virão? É necessária uma profunda meditação a elaboração de um planejamento estratégico num nível global e uma implementação muito séria daquilo que, séria e conscientemente, vier a ser decido.

A seguir um resumo, numa tradução livre, dos principais pontos do “Summary for Policymakers”

INTRODUÇÃO

A contribuição do Grupo de Trabalho I ao Quarto Relatório de Avaliação do IPCC, descreve o progresso na compreensão dos agentes humanos e naturais e naturais das mudanças climáticas, mudanças climáticas observadas, processos climáticos e atribuições e estimativas de mudanças climáticas previstas. Essa contribuição é uma continuação das avaliações anteriores do IPCC e incorpora novas conclusões dos últimos seis anos de pesquisa. O progresso científico, desde o TAR (Terceiro Relatório de Avaliação do IPCC) , baseia-se em grandes quantidades de dados novos e mais abrangentes, análises mais sofisticadas dos dados, progresso na compreensào dos processos e sua simulação em modelos e em uma maior exploração dos graus de incertezas.

AGENTES NATURAIS E HUMANOS DA MUDANÇA CLIMÁTICA

As concentrações atmosféricas de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, aumentarm significativamente, como resultado das atividades humanas, desde 1750 e, atualmente, excede, em muito, os valores da era pré-industrial, conforme determinado da análise do interior de nucleos de gelos, abrangendo muitos milhares de anos. O aumento nas concentrações de dióxido de carbono, são devidas principalmente ao uso de combustíveis fósseis e a modificação no uso da terra, conquanto as variações das concentrações de metano e óxido nitroso, devem-se, primariamente, à agricultura.

A compreensão da influência antropogência (devida ao homem), no aquecimento e resfriamento do clima, melhorou desde o Terceiro Relatório de Avaliação (TAR), tendo como consequencia, uma confiança muito alta (a) que o resultado líquido, da média dos efeitos das atividades humanas, desde 1750, foi de aquecimento, com um reforço radiativo (b) de +1,6 [ +0,6 a + 2,4] W m-2.

Notas:

a - Neste Resumo para os Formuladores de Políticas, os seguintes níveis de confiança foram usados para expressar a avaliação dos peritos em relação à certeza dos resultados: confiança muito alta, significa, pelo menos, 9 chances em 10, de estarem corretos; alta confiança significa 8 chances em 10 de estarem corretas;

b - Reforço Radiativo é uma medida da influência que um fator tem na alteração do equilíbrio entre a energia que entra e a que sai do sistema da atmosfera da Terra e é um índice da importância do fator como um mecanimo potencial da mudança climática. Um valor positivo tende a aquecer a superfície, enquanto um valor negativo tende a resfriá-la. Neste relatório, os valores dos reforços radiativos são para 2005, em relação às condições da era pré-industrial, definida como 1750 e são expressas em watts por metro quadrado (w m-2)

OBSERVACÕES DIRETAS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS RECENTES

O aquecimento do sistema climático, é inequívoco, como é atualmente evidente, pelas observações do aumento na temperatura média do ar e dos oceanos, derretimento generalizado da neve e gelo e uma elevação global do nível médio dos oceanos

A níveis continentais, regionais e das bacias oceânicas, mumerosas mudanças de longo termo, nas condições climáticas, tem sido obser vadas. Tais variações incluem mudanças na temperatura e no gelo do Ártico, mudanças generalizadas na quantidade de precipitações de chuvas, salinidade do oceano, padrões de direção e força dos ventos e aspectos de condições climáticas extremas, incluindo secas, precipitações pesadas, ondas de calor e intensidade de ciclones, tufões e furacões.

UMA PERSPECTIVA PALEOCLIMÁTICA

Informações paleoclimáticas (a) dão suporte à interpretação que o aquecimento na última metade do século é não usual, pelo menos se comparada com os últimos 1300 anos. A última vez em que as regiões polares foram significativamente mais quentes que no presente, por um longo período (cerca de 125.000 anos atrás), a redução no volume do gelo polar, resultou numa elevação de 4 a 6 metros do nível do mar.

Notas:

a - Estudos paleoclimáticos, usam mudanças em indicadores climaticamente sensíveis, para inferir mudanças passadas no clima global, em escalas de tempo que vão de décadas a milhões de anos. Tais indicadores (como a espessura dos anéis dos troncos de árvores) podem ser influenciados, por temperaturas locais e outros fatores, tais como chuvas e são frequentemente representativos de estações particulares, mais do que de uma série de anos.

COMPREENDENDO E ATRIBUINDO A MUDANÇA CLIMÁTICA

A maior parte do acréscimo observado na temperatura média global, desde a metade do século 20 é muito provavelmente devida ao acréscimo observado na concentração de gases estufa gerados por atividades humanas. Essa constatação é um avanço desde a conclusão do TAR, de que “a maior parte do aquecimento observado nos últimos 50 anos, é provavelmente devida ao acréscimo da concentração dos gases de efeito estufa”. Influências humanas observáveis, agora se extendem a outros aspectos do clima, incluindo o aquecimento dos oceanos, à temperatura média dos continentes, temperaturas extremas e padrões dos ventos.

Análise dos modelos climáticos, conjuntamente com dados de observações reais, permitem determinar, pela primeira vez, uma possível amplitude a ser atribuida à sensibilidade climática e conduz a um aumento nos níveis de confiança na compreensão da resposta do sistema climático ao reforço radiativo.

PROJEÇÕES EM RELAÇÃO A FUTURAS MUDANÇAS NO CLIMA

Para as próximas duas décadas, projeta-se um aquecimento de cerca de 0,2 C por década, dentro de um conjunto de cenários de emissões de gases de efeito estufa. Mesmo se a concentração de todos os gases estufa e aerosois sejam mantidas constantes nos níveis do ano 2000, um aquecimento adicional de cerca de 0,1 C, por década pode ser esperado.

A emissão continuada das emissões de gases de efeito estufa, nos níveis atuais, ou acima deles, podem causar aquecimentos maiores e induzir muitas mudanças no sistema do clima global durante o século 21 que poderia ser, muito provavelmente, miores do que aqueles observados durante o século 20.

Existe, agora, uma confiança maior nos padrões que que se projeta para o aquecimento e outros aspectos em escala regional, incluindo mudanças no comportamento dos ventos, chuvas e alguns aspectos de extremos e de gelo

O aquecimento antropogênico e o aumento do nível do mar continuaria durante séculos, devido à escala de tempo associada com os processos climáticos e suas consequências, mesmo se a concentração dos gases de efeito estufa fossem estabilizados.

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