A espera e a esperança

O tempo, literalmente, não pára! Ao contrário, estamos pisando fundo no acelerador. Deixamos metade do ano para trás e já estamos em meados do mês de Julho. Esse é um ótimo momento para refletirmos sobre os planos traçados para nossa vida e, principalmente, para esse ano. Se você está conseguindo alcançar suas metas traçadas, meus parabéns! Você está no caminho certo. Mas, se está longe de conquistar o que deseja, e torcendo para que a sorte mude, não perca a esperança, nem deixe de ler esse artigo.

Certamente, você já deve ter ouvido alguém lhe dizer: .A esperança é a última que morre!.. O problema é que algumas dificuldades, revezes e adversidades da vida parecem intransponíveis e assassinas dessa tal esperança. Sei que não é fácil acreditar em algo ou em si mesmo até o final, quando esse final está cada vez mais distante, mas me permita fazer uma reflexão sobre a palavra esperança, muitas vezes, confundida ou mal interpretada.

Segundo Paulo Freire, pensador e aclamado educador daqui da terrinha, .Existe uma diferença entre a esperança do verbo esperar e do esperançar.. Muitas pessoas esperam .que a sorte mude., .que tudo dê certo, a partir de agora., .que os clientes apareçam., .que venha a promoção., .que Deus me tire daqui!…. Mas isso tudo é espera, não é esperança. .Como assim? Não entendi!. . pensará você.

A verdadeira esperança, a última que morre, advém do verbo esperançar, ou seja, correr atrás, batalhar, persistir no caminho e seguir adiante, superando os limites. Qualquer outro tipo de esperança não teria vida longa. Talvez nem nascesse. Quer saber qual é o tamanho de sua esperança? Meça a intensidade de sua indignação, vontade e coragem para mudar a situação real. Não nascemos para não realizar nada, nem matar nossa esperança. Afinal, já dizia Albert Schweitzer: “A tragédia do homem é o que morre dentro dele enquanto ele ainda está vivo”.

Deus pode prover muitas coisas em nossas vidas, mas não precisamos ficar esperando o dia todo por essas providências. Embora seja mais cômodo esperar do que esperançar, você não pode se resignar sobre tudo que acontece (ou não acontece) em sua vida. A maior providência divina é a capacidade transformadora que reside em cada um de nós, muitas vezes tão adormecida, quanto esquecida… Por favor, avise-me quando eu me esquecer disso.

Somos o que somos, mas podemos ser o resultado do que fizermos para mudar o que somos. Se você não conseguiu atingir suas metas e está se distanciando de seu objetivo final, seja por razões ou ameaças externas, seja por incompetência ou fraquezas internas, tenha uma certeza: você não chegou nem perto de sua total capacidade. Isso mesmo! Quanto mais distante você estiver de seu pleno potencial transformador, mais distante estará de seu objetivo de vida e, principalmente, de tudo que você pode obter.

Esperança não é a arte de esperar. A isso chamamos paciência. Por essa razão, muitas vezes, a esperança parece ser a primeira a morrer. Na verdade, a esperança do verbo esperar, ou paciência, tem limites. Enquanto que a esperança do verbo esperançar traz consigo a vitalidade da fé na realização. Vou repetir: fé na realização. Não adianta ter fé e não realizar nada. Simplesmente, não dá para você não fazer nada, ou fazer o que sempre fez, e achar que o resultado vai ser diferente.

Ficar sentado esperando que as coisas mudem é literalmente esperar por um milagre, por uma providência divina. Não que os milagres não aconteçam. Eles acontecem, mas não para todos. Somente alguns privilegiados que não se dão ao privilégio da espera, apatia e inércia mental desfrutam de tais milagres. Não vejo outro exemplo maior do que citar a história de outro pernambucano, Ubirajara Silva, que resolveu esperançar de verdade:

Morador de ruas, vivendo por mais de 12 anos de esmolas nas esquinas de ruas e avenidas de Recife, Ubirajara resolveu mudar sua situação de fome e miséria. Em vez de esperar por uma providência alheia ou divina, decidiu ler diversos livros que encontrava no lixo e tudo o que via pela frente, fez um supletivo e foi mais além. Com apenas 2,00 Reais para passar todo o dia, resolveu estudar numa biblioteca pública, a fim de prestar um concurso. Qual foi o resultado? Essa semana, assumiu uma vaga como escriturário no Banco do Brasil. Inacreditável? Do banco da praça para o Banco do Brasil.

Finalmente, Paulo Freire recomenda uma paciência impaciente, de um lado, e uma impaciência paciente, de outro, a fim de conseguir projetar de dentro de si toda sua capacidade transformadora e realizadora. Por quê? Porque só a esperança do verbo esperançar é capaz de continuar a partir do ponto em que a esperança do verbo esperar, ou paciência, termina. Da próxima vez que lhe disserem: quem espera sempre alcança, saiba que só alcança aquele que esperança. Vá em frente amigo, mas com mais vontade do que o fez no primeiro semestre ou até agora em sua vida. Depois, conte-me seu milagre.

Você pode MAIS!!!

16/07/2008

Marcos Antonio de Sousa

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