Agressividade - Ai, Que Braveza !
A agressividade é um impulso saudável, sinal de que a criança sabe batalhar pelo que quer.
Ela só precisa aprender com o tempo a medida certa dessa energia para a convivência social.
Seu filho grita, bate, morde, xinga? São modos de expressar a agressividade, como faz a pequena Vitória, nas fotos desta reportagem. Basta ter algo negado para colocar toda a braveza de fora. “Ela morde os brinquedos, joga tudo no chão e grita. Logo que entende a situação, volta a ser um doce de menina”, contam os pais Andréa e Angelo Marsola.
A agressividade é um recurso de sobrevivência e defesa do ser humano. Mas pode se tornar destrutiva se não for educada desde os primeiros anos. Você nunca teve vontade de bater num colega de trabalho e, no fim, foi conversar com ele? Você sentiu a mesma raiva que a criança, mas agiu diferente. É que você aprendeu a controlar suas reações.
Paciência e autoridade
São as melhores armas para ensinar o filho a usar sua agressividade na medida certa, como impulso de determinação e garra, e não como sinônimo de violência. “Atitudes violentas não são aceitas socialmente. A criança violenta costuma ser rejeitada pelo grupo e se aproxima de quem a aceita: outras crianças agressivas. É o primeiro passo para a evolução da delinqüência”, diz a professora de psicologia Edwiges Ferreira de Mattos Silvares, da Universidade de São Paulo, que coordena um projeto sobre crianças agressivas.
Melhor conversa que castigo
Assim que observar os primeiros comportamentos agressivos em seu filho, vá orientando e colocando limites. Tapas e mordidas são típicos até 2 anos. Entre 2 e 4, é a hora de bater os pés, chutar e gritar. Depois surgem os insultos, os palavrões e os socos.
O melhor jeito de lidar com essas situações é conter essas atitudes e conversar com seu filho.
Punir a agressão com castigo nem sempre resolve. Criança pequena não entende esse limite e seu efeito pode ser até arriscado. Ficar de castigo para pensar no que fez, por exemplo, pode levar a criança a associar o ato de pensar a algo chato e ruim. A atitude mais apropriada é mesmo conter a criança e explicar a ela que violência física machuca e que não se pode insultar as pessoas. “Mesmo uma criança pequena é capaz de entender que um soco ou um pontapé machucam”, diz Edwiges.
Compreender por que o filho tem reações agressivas também ajuda. Márcia Resk, mãe de Felipe, 5 anos, arranjou um namorado quando o menino tinha 3 anos. A reação veio logo depois de ele perceber que não era o único a receber a atenção da mãe: “Ele passou a jogar objetos no chão e me chamava de chata e boba quando era contrariado. Eu ficava com raiva, mas conversava com ele. Essas reações diminuíram”, diz.
Nada de troco
Se Márcia não tivesse tido paciência nem controlado suas emoções, teria reforçado a reação agressiva da criança. “Uma contra-agressão nunca é justificada”, afirma a professora Edwiges. Ao conversar, os pais mostram ao filho que o diálogo é o melhor recurso para resolver um conflito. A criança aprende que não deve bater no colega quando ficar com raiva ou, se foi ela que apanhou, que não deve revidar na mesma moeda. Às vezes, a solução é avisar um adulto sobre o que está ocorrendo.
Sempre cedendo
Filhos que não expressam nenhuma agressividade também merecem cuidados. Uma criança que sempre cede quando o coleguinha tira os brinquedos de sua mão ou não disputa espaço com seus companheiros precisa aprender a reagir e a se defender.
“Mas sempre pelo diálogo e não com o uso de agressão física ou verbal”, diz Edwiges, lembrando que estudos demonstram que a criança não nasce cruel, mas pode tornar-se ao observar atitudes dos familiares e dos colegas.
Cartilha da paz
• Se o pai de um menino que apanhou de seu filho vier tirar satisfação, demonstre tranqüilidade, diga que também está aborrecido e que irá conversar com seu filho.
• Na situação inversa - seu filho é que apanhou -, não vá tomar satisfação, a não ser que a agressão tenha sido muito séria. É algo que deve ser resolvido entre as crianças. Mas você deve conversar com seu filho sobre o assunto.
• Se o seu filho presencia um confronto familiar - uma criança batendo na mãe, por exemplo -, o melhor é afastá-lo do local e explicar que aquela criança ainda não aprendeu a se comportar.
• Caso seu filho agrida verbalmente alguém em público, reprove o ato, deixando claro que não é aceitável, mas sem desrespeitá-lo. Ele deve ter tido motivos para a agressão e é preciso entendê-lo.
Por: Mônica Brandão
Fonte: Revista Crescer, n.º 100, Março 2002
Categoria: Motivação
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Muito bom o texto.Sou psicóloga e trato criaças agressivas, no geral falta-lhe amor e atenção, participação familiar, e outros.Qdo filho de pais separados, sentem-se traidos, exclusos. etc.Todos poderão ser tratados.Crianças marginalizadas tbem se tornam violentas, por uma questão de exclusão social,privações sem fim.
Rose,
Obrigada pelo comentário e pela visita.
É muito bom ouvir opinião de profissionais.
Abraços,
Prof. Rita Alonso