Conflitos Interprofissionais

Nosso país está entrando em uma nova fase de vida que, com o aprofundamento das liberdades públicas e a maior autonomia política das entidades da sociedade civil, cria condições sem precedentes para um fortalecimento das profissões liberais através de uma ação coordenada de suas entidades em prol dos interesses comuns e dos anseios específicos de cada uma delas.

A preservação do espaço dessas profissões e a possibilidade de seu avanço cultural, tecno-científico e profissional dependem grandemente de sua capacidade para entender o momento e atuar em consonância com as necessidades.

A história das profissões liberais mostra sobejamente essa necessidade. 0 sistema de organização das profissões regulamentadas, visando o registro, a fiscalização e a ética para a preservação do interesse público maior, embora cumprindo um papel da maior importância para a afirmação da integridade, da dignidade e do espaço das profissões, tem revelado certas deformações.

Estas, ao invés de beneficiá-las, acabam prejudicando-as em conjunto, na medida em que levam a conflitos interprofissionais que as desgastam reciprocamente, quando deveriam estar voltados esses esforços no sentido da afirmação das profissões pela via do fortalecimento de seu papel social.

É hora das entidades representativas buscarem as formas adequadas de atuar em conjunto pelo fortalecimento das profissões liberais, deixando de lado os ranços corporativistas que provocam conflitos interprofissionais desnecessários e prejudiciais ao seu avanço.

Hoje estão criadas as condições para que, em conjunto, se possa encontrar fórmulas capazes de resolver a questão das “áreas cinzentas” entre as profissões, fazendo com que os campos compartilhados o sejam realmente, e elas possam atuar em conjunto para preservá-los para o grupo de profissões que os compartilham, reduzindo assim a ocorrência de conflitos interprofissionais que só desgastam, nada somando ao crescimento das profissões. Acabou o primado corporativista do “dividir para reinar”. É preciso substituí-lo pelo primado democrático e consensual do “unir para crescer”.

Wagner Siqueira

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