Cuidado com a cilada do “não”!

Tem gente que é motivada pelo “não”, por mais que isso lhe renda trabalho em dobro, insistência extra e a sensação de que a vida tem sido mais dura do que poderia. E quando esta dinâmica se instala no planejamento e na realização de seus objetivos, a coisa é de doer, de tão confusa que fica! A cada nova possibilidade de trabalho ou a cada ganho real, o dilema renasce: se tudo está dando tão certo, é o suficiente para que a pessoa perca o entusiasmo ou se encha de medo.

Conclusão: reforça-se a idéia de que para valer a pena, tem de dar trabalho, tem de ser difícil, tem de demandar esforço. Até admito que exista certa verdade nesta teoria, especialmente se considerarmos que sonhos e objetivos requerem esforços específicos, muitas vezes.

Porém, há uma enorme diferença entre ‘dedicar-se com afinco’ e ‘ficar dando murro em ponta de faca’, ainda mais quando furar as mãos está a serviço de lustrar o ego. Se o ‘sim’ é sempre sem graça e o ‘não’ é sempre motivador, dá para desconfiar de que tem algo precisando ser ajustado, você não acha?

Pois bem… pessoas que só se empolgam com o ‘não’ geralmente nem percebem que estão escolhendo o caminho mais complicado desnecessariamente; reféns desta cilada, também não se dão conta de que nem sempre o mais difícil rende maiores e melhores vantagens. Na maioria das vezes, muito pelo contrário!

Apostar em situações onde quase tudo está se mostrando desfavorável e contrário aos nossos esforços pode até ser uma escolha admirável quando a gente sente que realmente vale a pena arriscar e persistir, mas até neste caso é preciso que haja um limite.

Se estamos sempre perdendo o interesse quando a conquista está fácil e se excitando quando está difícil, é hora de refletirmos sobre o que é que estamos querendo provar para nós mesmos ou para os outros: que não aceitamos um “não” como resposta? Que somos capazes de atingir nossos objetivos custe o que custar?

Porque se for isso, estamos seguramente nos deixando dominar por um ego infantil e tolo. Enganados sobre o que seja determinação, investimos no ‘não’ e nas dificuldades só para provar que conseguimos. E aí… se conseguimos, em geral terminamos descobrindo que não é bem isso o que desejávamos! O ‘prêmio’ perde a graça e a dinâmica recomeça…

Feito crianças mimadas, descartamos o que temos e corremos atrás do que não temos, presos a uma rotatória que não nos leva a lugar algum. Por fim, perdemos a chance de alcançar objetivos e realizar sonhos que realmente nos preencheriam e desperdiçamos tempo demais com o que não passa de um capricho.

Se você tem sido vítima desta armadilha, sugiro que perceba que um ‘não’ realmente pode não ser um obstáculo intransponível, mas também não pode se tornar sempre uma provocação, um teste onde você deve provar que é capaz de transformá-lo em ‘sim’ de qualquer maneira!

Caso contrário, chegará o momento em que você já não saberá o que realmente quer. Tudo vira guerra, competição, disputa… Contra quem?!? Contra si mesmo, contra sua teimosia e seus enganos. E assim, não importa o que você ganhe, pois terminará sempre com a sensação de que falta algo…

Rosana Braga

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