Cuide do seu emocional

O pesquisador americano Richard Peterson diz que todo investidor tem um lado emocional que pode atrapalhar suas aplicações

Miriam Kênia

Conhecimento técnico sobre o mercado financeiro é fundamental para ganhar dinheiro, mas não é o suficiente para se dar sempre bem nos seus investimentos. Saiba que, por mais preparado tecnicamente que você esteja para tomar decisões na compra e venda de ações, em algum momento o seu lado emocional vai falar mais alto, jogando por terra toda a sua estratégia. Isso é o que mostra o psiquiatra e pesquisador americano Richard Peterson no seu livro Desvendando a Mente do Investidor — O Domínio da Mente sobre o Dinheiro, recém-lançado no Brasil pela Editora Campus-Elsevier. Em entrevista a você s/a, Richard fala sobre como as forças irracionais atuam na hora de decidir onde aplicar seu dinheiro e ensina como você pode tirar proveito delas.

Como as emoções podem alterar o comportamento
dos investidores?

Nos momentos cruciais, em que é preciso decidir sobre investimentos, as emoções se sobrepõem
à razão. No nosso laboratório, na Universidade Stanford, podemos prever quando as pessoas vão cometer erros nas aplicações financeiras com base na análise de suas atividades cerebrais. Há alterações significativas que mostram quando o lado emocional se torna preponderante. No setor financeiro, as primeiras decisões são sempre racionais, mas depois de algum tempo a emoção ganha espaço. Na maioria das vezes isso ocorre de maneira inconsciente.

Qual a emoção que mais compromete a tomada de decisão do investidor?
O medo. Os erros provocados pelo excesso de medo aparecem de muitas maneiras nas operações financeiras. Esse sentimento causa um desconforto grande e leva os investidores a tomar decisões precipitadas para, simplesmente, ver-se livres do sentimento. Eles preferem sacrificar o ganho com uma ação que poderiam ter no longo prazo, para acabar rapidamente com uma sensação desagradável de que estão perdendo dinheiro, por exemplo. É comum o medo causar a venda precipitada de uma ação. A ganância também é um sentimento que se sobrepõe ao pensamento racional nos investimentos. Ela provoca um efeito contrário. O investidor se apega a um papel que não tem mais potencial de valorização porque já teve lucros com ele. Em outras áreas da vida, a raiva, o amor e a inveja são emoções importantes, mas no sistema financeiro elas não têm poder para mudar os investimentos.

Como administrar essas emoções na hora de investir?
Consciência é a chave para o sucesso. As emoções não devem ser controladas. Elas precisam ser identificadas e administradas. O que você está sentindo? O que fez da última vez que se sentiu assim? Essa atitude foi positiva ou negativa para as suas finanças? Você precisa saber se a decisão de comprar ou vender uma ação é para trazer retorno financeiro ou apenas para aliviar o seu estado emocional. É fundamental também evitar que a carteira seja uma fonte de estresse. Ficar acompanhando o pregão o tempo todo pode induzir ao estresse emocional. Os efeitos biológicos do estresse levam a atitudes precipitadas, e não conseguimos ter pensamentos de longo prazo.

Se manter informado também é importante, não é?
Encontre informações úteis. Quem tem uma carteira de longo prazo não precisa acompanhar a volatilidade diária do mercado. É melhor pesquisar sobre os fundamentos das empresas. Warren Buff ett [um dos maiores investidores americanos] não vê notícias da bolsa. Ele acompanha as informações contábeis das empresas nas quais investe e ouve as declarações dos executivos.

No seu livro, o senhor fala do investidor emocional. Como é possível identificar esse perfil?
Se você gosta muito de acompanhar os preços de suas ações e as notícias do pregão, provavelmente você investe para satisfazer necessidades emocionais. No entanto, se você prefere seguir os resultados contábeis e análises sobre a gestão das companhias, você é mais racional e aplica seu dinheiro pensando em ter lucros financeiros.

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