Fama alugada e ladrões de voto

Divulgação/Arquivo

por Alexandre Pelegi

Chamo de “fama alugada” o fenômeno vivido por pessoas que devem grande parte de seu sucesso ao sucesso alheio. Geralmente são coadjuvantes de escândalos ou parceiros eventuais de alcova de gente famosa. Ficam conhecidos de uma hora para outra, e daí perseguem o alvo de permanecer o maior tempo possível em evidência. Você conhece várias pessoas assim, e todas elas, curiosamente, são tratadas como “celebridades”, mesmo sendo produto de fama emprestada… Há a mãe acidental do filho do roqueiro famoso; a ex-namorada do piloto falecido em grave acidente; a ex-esposa do craque fenomenal; a dançarina de traseira protuberante e frutífera…

Não bastasse essa inflação de astros no estreito céu da fama, uma categoria diferente ocupa agora espaço limitado, apesar de intenso: as vítimas da violência. Neste caso a fama é involuntária: tais pessoas querem apenas purgar sua dor, ao passo que os veículos de comunicação almejam a audiência.

Seja a fama alugada, seja a involuntária, ambas só existem graças ao voyerismo, marca registrada dos tempos atuais. Não importa se o fato é um escândalo que envolve gente famosa, ou se se trata de detalhes mórbidos de casos de intensa violência: na raiz de tudo está a curiosidade, e é ela, qual varinha mágica, que transforma anônimos em famosos.

A curiosidade por fofocas e tragédias, infelizmente, não se estende a coisas importantes, como o processo eleitoral. No Senado brasileiro, hoje, um em cada quatro senadores chegou lá sem a necessidade de um mísero voto. São os suplentes, que graças ao troca-troca de cargos e cadeiras, obtêm cargo político de brutal importância sem qualquer licença ou consentimento do eleitor.

Estes não precisam da fama: têm as benesses milionárias que o cargo faculta. Não precisam da mídia, antes a evitam. Não gostam de burburinho: no silêncio das negociatas conseguiram chegar ao centro do poder político. Ao invés da fama emprestada, se dão muito bem com o voto emprestado… No caso do eleitor, é evidente, o melhor seria dizer “voto roubado”…

fonte: www.primeiroprograma.com.br

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