Explanação

No terceiro capítulo do Sutra de Lótus (Hiyu), por meio da parábola das “Três Carroças e da Casa Incendiando-se”, o Buda Sakyamuni explica aos Quatro Grandes Homens de Erudição que os três veículos (estados, ou caminhos — ver os princípios budistas, neste site) da Erudição, Percepção (ou Absorção) e Bodhisattva, podem ser desvendados para revelar o veículo do Buda. No quarto capítulo (Shinge), os Quatro Grandes Homens de Erudição relatam que esta parábola do “Homem Rico e
seu Filho Pobre” indica que eles entenderam os ensinos de Sakyamuni.

Sakyamuni nos explica que o Homem Rico desta parábola pode ser comparado ao Buda, enquanto que seu Filho Pobre, aos mortais comuns que vagueiam pelos seis mundos (ou estados, ou caminhos de vida) inferiores, controlados pelos seus desejos básicos.

O Buda conduz as pessoas, por vários expedientes, a uma condição de vida superior, possibilitando-lhes assim que alcancem uma suprema condição de vida iluminada, a qual eles jamais esperaram que seira possível alcançar.

Já Nitiren Daishonin nos chama a atenção que o filho dessa parábola são todos nós, os mortais comuns desta era atual, cheia de violência, desrespeito ao homem, inversão e falta de valores humanos, desamor, egoísmo, individualismo exacerbado, desemprego, desarmonia, incertezas e sofrimentos. Porém, Nitiren Daishonin nos alerta para o fato de que os tesouros e riquezas, citados na parábola, indicam o Estado de Buda inerente em todas as pessoas.

O fato do filho pobre, casualmente, ter ido até a casa de seu pai, pode ser comparado ao fato de termos sido apresentados ao Gohonzon, sem termos tido qualquer esforço para descobrí-lo. Assim como o filho sentiu-se satisfeito ao encontrar trabalho doméstico, nós também freqüentemente iniciamos nossa prática orando por coisas mundanas e transitórias, como dinheiro, amizades, empregos e assim por diante.

Eventualmente, o Filho acordou para o fato de possuir o inestimável tesouro do Estado de Buda dentro de sua vida.

O Buda possui as três virtudes de soberano, mestre e pais, e, através de sua benevolência e sabedoria, utiliza-se do expediente de benefícios conspícuos para conduzir as pessoas desta nossa época ao Nam-myoho-rengue-kyo.

Pela prática do Budismo de Nitiren Daishonin, podemos obter um grande benefício nesta existência : uma inesperada e suprema condição de vida iluminada, manifestando, em nós mesmos, o Buda inerente no âmago de nossas próprias vidas.

 

O Príncipe Corajoso, O Monstro Invulnerável E A Arma Da Verdade

Havia, certa vez, um príncipe, hábil no manejo de cinco armas. Um dia, ao retornar de seu treinamento, encontrou um monstro de pele invulnerável.

O monstro partiu para cima do príncipe que permaneceu em guarda e sem se atemorizar. Este atirou, no monstro, uma flecha. Depois, atirou-lhe uma lança que não penetrou na grossa pele do monstro. Em seguida, atirou-lhe uma barra e um dardo que nem chegaram a ferir o monstro. Brandiu-lhe a espada, mas ela se quebrou.

O príncipe, então, atacou o monstro com punhos e pés, mas em vão, pois o monstro o agarrou com seus enormes braços e o manteve afastado. O persistente e corajoso príncipe tentou usar a cabeça como arma, mas foi em vão.

O monstro disse:- É-lhe inútil resistir; eu vou devorá-lo.

O príncipe respondeu:- Não pense você que usei todas as minhas armas, e que esteja sem recursos; ainda tenho uma arma escondida. Se me devorar, eu o destruirei de dentro de seu estômago.

A coragem do príncipe abalou o monstro que lhe perguntou:- Como você fará isso?

O príncipe respondeu:- Com o poder da Verdade.

Então, o monstro soltou o príncipe, pedindo a ele que lhe ensinasse a Verdade.

A moral desta fábula é para encorajar os discípulos a perseverarem em seus esforços e para não se amedrontarem diante dos muitos reveses.

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