Inovação, pra que te quero?

Creio que a inovação ainda é um paradigma nas empresas, não tanto pelo desafio, mas sim do grau de conhecimento e discernimento do executivo ou empresário a respeito do que esse processo exige. Para ilustrar de forma mais precisa, transcrevo abaixo a dissertação de Marcos Gurgel, especialista em estudos estratégicos da Federação das Indústrias do Rio (Firjan).

Uma questão mais de idéias do que de recursos

Dissertação de mestrado defendida na UFRJ mostra que a criatividade bem gerenciada pode levar qualquer empresa a inovar, independente de seu porte ou setor
Rosa Lima
Assessoria de Comunicação do Crie
28/09/2006

A inovação, hoje um dos fatores mais relevantes na determinação da competitividade das empresas e da economia em geral, depende mais de boas idéias do que de muitos recursos. Essa é a principal (e mais provocadora) conclusão do economista Marcos Freire Gurgel em sua dissertação de mestrado em engenharia de produção, defendida esta semana na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Desmitificando a idéia corrente de que é preciso investimentos vultosos para se inovar, e que, portanto, só as grandes empresas ou apenas aquelas de setores altamente tecnológicos poderiam fazer parte desse jogo, Gurgel, que é especialista em estudos estratégicos da Federação das Indústrias do Rio (Firjan), mostra que a inovação pode e deve ser perseguida por todo e qualquer empresário.

?Pessoas criativas, um ambiente favorável à troca de idéias e processos que favoreçam o pensamento divergente são fundamentais na promoção da inovação tecnológica e estão ao alcance de qualquer empresa?, defende Marcos Gurgel.

Foi justamente para propiciar um melhor uso das capacidades criativas inerentes às pessoas, favorecer os processos internos das organizações e criar ali um clima propício à criação que ele desenvolveu um modelo de gestão da criatividade para as indústrias nacionais. O grande mérito do modelo é que ele pode ser orientado para o desenvolvimento de inovações de produtos, processos e gestão em qualquer tipo de empresa, independente do seu tamanho, setor ou receita.

?Ao analisar os dados da Pintec (a Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica), constata-se que a inovação no Brasil está, sim, concentrada num percentual pequeno de grandes empresas. Contudo, observa-se também que não é o nível de receita nem o de investimento que mais influenciam a taxa de inovação. A resposta está a meu ver mais no como do que no quanto?, afirma o autor da dissertação Criatividade e inovação: uma proposta de gestão da criatividade para o desenvolvimento da inovação (em breve no centro de estudos deste site).

Transformando criatividade em valor

Mas se o brasileiro é tido como um povo extremamente criativo, por que a nossa taxa de inovação ainda é tão baixa se comparada a outras economias do mesmo porte da nossa? ?Porque o simples acúmulo de idéias ou de conhecimento não basta. É preciso saber transformar criatividade em valor?, afirma o coordenador geral do Centro de Referência em Inteligência Empresarial (Crie), prof. Marcos Cavalcanti, que participou da banca examinadora que deu a Marcos Gurgel o título de mestre.

Daí a idéia de se gerenciar bem a criatividade. O modelo criado por Gurgel para se fazer essa gestão baseia-se no cruzamento das quatro dimensões da criatividade (produto, pessoa , processo e ambiente) com os quatro elos da cadeia de valor da inovação (idealização, seleção de projetos, desenvolvimento e comercialização). Com isso, pode-se ver como cada dimensão facilita ou dificulta a inovação, por exemplo como um ambiente muito rígido prejudica o desenvolvimento de um produto, ou como uma pessoa criativa ajuda na idealização de novos projetos. No final do processo, o modelo mostra qual dimensão precisa ser mais trabalhada para melhorar determinado elo.

Marcos Gurgel não quis com sua dissertação minimizar a importância dos indicadores macroeconômicos nem de um ambiente de negócios favorável para melhorar a taxa de inovação das empresas brasileiras. Mas mostrou que há um dever de casa a ser feito por todo empresário para usar melhor sua criatividade em prol da inovação. Ele fez a sua parte criando um modelo de gestão disponível a quem quiser se aventurar. O desafio está lançado.

Fonte: http://portal.crie.coppe.ufrj.br (Notícias)

Ao refletir então a partir das conclusões de Marcos Gurgel, pergunto:

Sua empresa tem a inovação como um processo consolidado?

Quais são os principais entraves para a inovação?


É possível que constatemos que a inovação não acontece muito mais pela mentalidade da liderança e, consequentemente, pelo condicionamento mental formado no decorrer da construção de cultura da empresa durante toda sua história.

Jason Sagara

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