A luta da memória contra o esquecimento

(por Alexandre Pelegi)
Onze de setembro. O que esta data te lembra? Até pela proximidade no tempo – faz apenas 7 anos – , você provavelmente lembrará o atentado ao World Trade Center, em Nova York. Num ato insano, milhares de inocentes morreram, e imagens repetidas à exaustão pelas TVs mundo afora amplificaram a indignação coletiva.
No entanto, houve outra tragédia num dia como esse que poucos conhecem (ou sequer lembram): o sangrento golpe de Estado desferido no Chile pelo general Augusto Pinochet em 1973. Por trás do general, os longos braços da CIA, serviço secreto dos EUA. Qualquer semelhança com o feito de Osama Bin Laden não será coincidência…
Por trás do golpe chileno estava Richard Nixon, então presidente dos EUA, depois deposto pelo escândalo Watergate. Mas sua “ajuda” foi providencial para que a ditadura de Pinochet atravessasse dezessete anos, assassinasse pelo menos 3.000 oponentes, além de torturar, prender e perseguir milhares de pessoas. Para Nixon e seu governo na época, Pinochet viera “salvar a democracia” chilena.
Muitos apregoam que os anos de ditadura trouxeram estabilidade econômica e colocaram o Chile nos trilhos do desenvolvimento. São os partidários do estúpido argumento de que, na América Latina, somente regimes de exceção são capazes de produzir resultados econômicos duradouros…
Hoje o Chile é dirigido por uma mulher, Michelle Bachelet, vítima da ditadura de Pinochet. Seu pai, um General, morreu logo após o golpe devido às torturas sofridas. Ela e sua mãe foram presas em 1975, e durante um ano também foram torturadas e interrogadas. E o Chile continua democrático e próspero…
Ao fim da vida, Pinochet teve de se entender com a história. O Senado americano revelou em julho de 2004 que ele tinha US$ 8 milhões em contas secretas no Riggs Bank, nos EUA. Caía a máscara do salvador da pátria, e em seu lugar emergia a face do corrupto sem escrúpulos.
Hannah Arendt dizia que a luta contra o poder é sempre a luta da memória contra o esquecimento. Para os que têm saudade dos tempos de exceção, nada melhor que relembrar as atrocidades da ditadura.

E-mail: pelegi@primeiroprograma.com.br
Categoria: Motivação, Pessoal, Realidade, Reflexão
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