Mitos - Um Grande Perigo
Ao tomarmos algumas atitudes, há sempre uma programação interna. Embora não seja percebido, a mente está trabalhando em vários níveis neurológicos. Esses níveis, desenvolvidos em diferentes graus e de acordo com crenças, valores e mitos que ao longo da vida vamos acumulando, estão presentes em todos nós e trabalha mediante os estímulos que recebe. Um mesmo estímulo pode gerar comportamento diferenciado de acordo com a programação interna de cada um.
Esses comportamentos são aceitos quando entendemos que há sempre uma intenção positiva guiando as ações das pessoas. Por isso não se deve formar juízo de valor de ninguém. Ao contrário, devemos ter em mente que não sabemos de nada, o que temos são apenas suposições, que podem ser acertadas ou não. É mais tranqüilo e mais humano agir assim; saber que EU NÃO SEI, o outro é quem vai me fornecer a informação e estar aberto à diferenças. A partir daí, podemos então formar, não mais um julgamento, e sim um pensamento a respeito de alguém ou de algo.
Uma visão mais humana, mais holística, voltada para a intenção positiva que cada um de nós tem ao fazer algo, nos permite compreender que em cada fato ou circunstância há sempre um visão diferente da nossa, e esta visão, se respeitada, levará a um melhor relacionamento com o outro.
Todos temos valores, crenças e mitos. Valores, que vamos absorvendo desde a primeira infância até o nosso agora; crenças, um acreditar profundo do que julgamos ideal; mitos, maneira de agir e de se comportar que criamos para alguém ou para algo a partir de nós mesmos.
Muitas vezes, ao percebermos um determinado comportamento diferente do nosso, emitimos opiniões negativas e nem as notamos, pois estamos mais voltados para nossos valores, crenças, mitos e pouco aprendemos do outro. Esses mitos, muitas vezes, nos impelem a ver o outro, não exatamente
como que ele mostra, mas de acordo com o mito que criamos. Assim, agimos de forma a fazê-lo comportar-se de acordo esse mito. Isso causa grande insatisfação, pois sem perceber obrigamos as pessoas e, às vezes, as que mais amamos, a ter uma postura não verdadeira diante de nós, sem notar que o outro se comporta diante de nós da forma como nosso comportamento permite. São raras as pessoas que ousam ser reais, verdadeiras, não permitindo viver um mito. Ao criarmos nossos mitos, nosso compromisso é com ele, não com a pessoa real que, por muitas vezes, é completamente diferente. Nesse momento estamos interferindo no processo mental de quem vai ser o alvo desse mito.
Situações assim são muito presentes nas organizações e tendem a prejudicar fortemente as realizações em conjunto. Cria-se o mito do chefe e dos colegas; então nos comportamos diante dessas pessoas de acordo com o que achamos que é o ideal de comportamento esperado de nós. Perdemos nós a identidade e forçamos nossos companheiros a perderem as suas. Torna-se um ciclo vicioso que pode levar a ruína das relações de trabalho, que devem ser pautadas no respeito, na verdade, na compreensão e na afetividade. Então porque agir de maneira a não valorizar somente o individual,
mas atentar para os valores diversos, aceitar crenças plurais e abandonar os mitos, deixando que cada um de nós possa mostrar-se como realmente é.
É difícil, e por vezes doloroso atravessar essa porta, pois devemos abrir mão do egoísmo “tão normal” e perceber o sofrimento que podemos ter ao fazer descobertas tão íntimas. Aprender a não formar juízo de valor, mas aceitar que cada pessoa é única e como ser único deve ser tratada é a
saída.
Abrir mão dos nossos mitos não é tão difícil, basta que tenhamos consciência de que são as nossas emoções que comandam nossos níveis neurológicos, e acreditar que através do pleno conhecimento dessas emoções conseguiremos modificar o rumo das nossas relações, permitindo uma aproximação verdadeira, sem esperar que o outro tenha as atitudes que queremos que tenha, percebendo, ainda, que seus valores e crenças são tão importantes quanto os nossos, e que talvez ele também tenha criado para nós um mito. Situações parecidas ocorrem no ambiente organizacional. Esperamos que o outro tenha comportamentos condizentes com nossos valores, crenças e
mitos. Não paramos para pensar sobre as diferenças, que às vezes tanto nos incomodam, mas que nos fazem aprender, crescer e viver em harmonia. Estando centrados nos nossos anseios não permitimos a nós nem aos outros usufruir das delícias de uma relação verdadeira e muito real, onde
as diferenças somem e não dividam.
Querendo, podemos transformar nossa existência em algo prazeroso sem tirar a identidade de nosso semelhante e sem perder a nossa, bastando, para isso, abandonar resistências e estar abertos à novas possibilidades, a um novo aprendizado. Vivendo e aprendendo a viver; vivendo e deixando viver.
(Recebi sem autoria)
Categoria: Pessoal
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