Stress: sentidos aguçados, corpo em perigo
O stress provavelmente é o quadro clínico mais freqüente que existe. Trânsito, problemas financeiros, profissionais, familiares, situações de vida, doenças, alterações de metabolismo, uso de alguns medicamentos, de álcool, de drogas, acidentes, correria, insegurança (tanto financeira quanto, no caso de nossas cidades, física mesmo), dificuldades com chefes, colegas de trabalho, filhos, cônjuges, pais, carro quebrado e outras questões vão fazendo com que nosso corpo produza quantidades anormais de adrenalina.
A adrenalina é um hormônio produzido pelo organismo para sua defesa. Ela faz com que o sangue irrigue mais o coração, o cérebro, os pulmões e os músculos. Isso para que fiquemos alertas, fortes e com todos os sentidos aguçados para enfrentar o perigo. A produção de adrenalina durante um certo tempo é benéfica, pois deixa o organismo apto para se defender de agressões. O problema é que nossas condições de vida fazem com que esse tempo seja muito longo, gerando o stress.
O stress pode ser compreendido com uma resposta psicofisiológica, pois envolve aspectos psicológicos (emoções, pensamentos e o próprio comportamento apresentado pelas pessoas) e fisiológicos (alteração do hábito alimentar e do sono, gastrite, úlcera, hipertensão e outros.
Conceitualmente, o stress é um estado de tensão que causa um desequilíbrio no organismo vivo. Frente a este desequilíbrio, o organismo reage de maneira a enfrentar a situação presente, devendo-se ressaltar que até esse momento é uma fase saudável do stress, pois possibilita o organismo a se preparar para resolver as questões que estejam presentes e precisem de uma solução. Contudo, caso as variáveis que estão influenciando esse desequilíbrio permaneçam por um tempo prolongado, o organismo pode ficar exausto e começar a apresentar os sintomas do stress em sua terceira fase, como irritabilidade, alteração do humor, vontade de sumir, ansiedade, alterações do sono e sintomas físicos como resfriados e gripes freqüentes – o stress afeta o sistema imunológico –, hiperacidez estomacal e tensão muscular.
Para tratar o stress, é fundamental que a pessoa apresente mudanças em seu padrão de comportamento. Nesse sentido, a psicologia tem um papel importantíssimo, pois ajudará o indivíduo a reconhecer seu comportamento e sua forma de interpretar o mundo, fazendo-o mudar de atitude para enfrentar os problemas que surgem na vida sem entrar num desgaste tão intenso.
A Adrenalina
No aparelho circulatório, a adrenalina promove a aceleração dos batimentos cardíacos (taquicardia) e uma diminuição do tamanho dos vasos sangüíneos periféricos. Assim, o sangue circula mais rapidamente para uma melhor oxigenação, principalmente dos músculos e do cérebro, já que pouco sangue permanece na periferia, diminuindo também os sangramentos em caso de ferimentos superficiais.
No aparelho respiratório, a adrenalina promove a dilatação dos brônquios (broncodilatação)e induz o aumento dos movimentos respiratórios (taquipnéia), para que haja maior captação de oxigênio, que será mais rapidamente transportado pelo sistema circulatório, também devidamente preparado pela adrenalina.
Quando o perigo passa, o nosso organismo suspende a superprodução de adrenalina e tudo volta ao normal. No mundo de hoje, as situações não são tão simples e o perigo e a agressão estão sempre nos rodeando. Por isso, a reação do organismo frente ao stress é de taquicardia, palidez, sudorese e respiração ofegante. Pode haver também um descontrole da pressão arterial, provocando um aumento dela à níveis bem altos. Porém, isso não significa que a pessoa seja hipertensa.
Dr. Evaristo de Carvalho
CRP 05-31410
Psicólogo e Diretor da Clínica Terapêutica Harmonya
Categoria: Pessoal
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