Por que os carros não andam de lado?

Me pergunto diariamente porque as pessoas estão com cada vez mais preguiça de pensar. Parecem estar satisfeitas com suas vidas “automáticas”, em que vale mais ter a certeza do que vai acontecer amanhã, temendo as mudanças do que tentar enxergar as oportunidades que estas podem trazer. Por isso cada vez mais admiro a curiosidade incansável das crianças pelo desconhecido, enquanto os adultos buscam permanecer em suas prisões domiciliares, tanto fisicamente como mentalmente…

Tomás Vásquez - Motivador

Ricardo Semler abriu a Career Fair com o firme propósito de “incomodar” a platéia. O pano de fundo de sua palestra foram as perguntas “será que faz sentido” e “por que continuamos a fazer tudo exatamente do jeito que aprendemos”? Para Ricardo toda a nossa estrutura de ensino e de trabalho — e, claro, a maneira como pensamos a carreira –ainda é baseada nas linhas de montagem da Ford, modelo que tem quase cem anos de existência! É como se todo mundo desconhecesse os porquês do que está fazendo, em que contexto suas atitudes se encaixam. Para sustentar sua teoria, Ricardo provocou a platéia com algumas perguntas:

- Por que ainda não foi criado um dispositivo para permitir que os carros andem de lado na hora de estacionar?

- Por que as férias escolares acontecem duas vezes por ano? Resposta: essa idéia, que tem mais de 150 anos, vem da época em que a maior parte das crianças em idade escolar tinha que participar da colheita nesses períodos;

- Por que as empresas insistem em construir sedes, se as pessoas perdem um tempo absurdo no trânsito a caminho do trabalho? Segundo Ricardo, um levantamento feito na Semco há alguns anos mostrou que os funcionários da empresa gastavam 1 milhão e 8 mil horas por ano indo ou voltando do trabalho;

- Por que construímos nossa vida profissional dessa maneira se nunca conseguimos fazer coincidir os fatores “tempo”, “dinheiro” e “sáude”? Quer dizer: quando alguém se aposenta e, em tese, tem tempo e dinheiro para fazer o que gosta geralmente não tem saúde para realizar seus desejos.

Ricardo fechou a palestra recomendando que as pessoas nunca deixem de se perguntar “por que estou fazendo isso?” e “e se eu fizesse isso de um jeito diferente”.

Fonte: Você S/A

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