Saiba como construir uma inabalável força de vontade

Começo na próxima segunda! Este é o último, juro! Estou parando… Saiba como e porquê é difícil levar a cabo as suas decisões.

A individualidade humana é um mistério. Por que alguns têm uma força de vontade inabalável, são persistentes e destemidos, incapazes de desistir. Mesmo deparando-se com obstáculos diários, superam terríveis dificuldades, vão em frente e concretizam os seus objetivos, enquanto outros… Desistem no primeiro passo, ao primeiro sinal de dificuldade?

E não estamos falando apenas em grandes vôos. Esta realidade nota-se desde em situações como a conclusão de uma tese complexa de doutoramento até a de sucumbir a um simples hábito de consumo a ser evitado.

A agravante da dualidade vontade forte e vontade fraca é que a balança pende vertiginosamente para a vontade fraca. Pelo menos na sociedade ocidental, a força de vontade está em baixa. O projeto comum de oito em cada dez seres viventes do planeta é começar uma reeducação alimentar. As estatísticas mundiais dão conta de que apenas 2% conseguem ultrapassar o primeiro ano, cumprem os objetivos e conseguem manter os novos hábitos alimentares. E, quando o assunto são os vícios, o cenário não é melhor: dos que se propõem a largar o cigarro, apenas 2% conseguem fazê-lo apenas com a ajuda da força de vontade.

No quesito “manter a forma” o fiasco mantém-se. As academias lotam no verão e ficam às moscas no inverno. E até antes disso. A maioria começa freqüentando as esteiras três vezes por semana, cai para uma e, em menos de dois meses, a freqüência cai para zero.

Na vida profissional, a história se repete. Não adianta! Você não consegue chegar no horário, mesmo com a ameaça da chefia, o mau humor dos colegas por esperá-lo, o boicote nas promoções. Nada, absolutamente nada, faz com que você consiga acordar mais cedo. E não é só isso: é a quinta vez em menos de três anos que você se matricula no curso de inglês e desiste. Os exemplos são muitos. Mas por que é assim? Por que promessas como “este é o último”, “amanhã paro”, “só vou comprar mais este”, “agora vai ser a sério” são crônicas?
Não era o meu desejo!

O argumento mais comum dos que possuem uma ínfima força de vontade é o de que realmente, no fundo, o objeto ou objetivo da desistência não era fruto de um genuíno desejo. “Não era verdadeiramente o meu desejo” é a frase mais repetida por aqueles que procuram justificar a sua desistência (afinal, a auto-estima sofre e é implacável na exigência de uma explicação). Aqui entramos em uma questão semântica que precisa ser especulada. Desejos e vontades são diferentes. De acordo com o médico Eugenio Mussak, desejos são sentimentos primários, ancestrais, biológicos, responsáveis por providenciar o atendimento às necessidades básicas dos seres humanos. Os desejos nascem conosco e nos acompanham por toda a vida, permitindo-nos não apenas o prazer, mas a sobrevivência.

“Temos o desejo de comer, e a ele chamamos de fome. Trata-se de um desejo tão inteligente que é capaz de selecionar o tipo de alimento dependendo da necessidade do organismo. Se estamos carentes de proteínas, sentimos desejo de comer carne. Se precisamos de energia, o desejo é de comer carboidrato, como pão, massa, ou quem sabe um doce. Temos ainda o desejo de descansar, que costumamos chamar de sono, cansaço, e às vezes preguiça. Desejo importante, afinal, nosso corpo precisa de tempo para repor substâncias que ele mesmo produz, alguns hormônios, e ele só faz isso durante os períodos de repouso. Além disso, o desejo de repousar promove uma economia de energia, caso contrário, teríamos que comer mais do que comemos”, detalha ele.

O médico lembra ainda o desejo de fazer sexo. Afinal, é dele que depende a continuidade de nossa espécie. Estes são os nossos desejos, todos ligados à manutenção da vida e da espécie. Comer, descansar e fazer sexo atendem às necessidades básicas da vida, por isso, têm desejos para providenciar sua realização. “É evidente que fomos sofisticando esses desejos com nossa própria evolução. O desejo de comer foie gras e tomar Veuve Clicquot, ou ainda o desejo de assistir a uma peça na Broadway, ou de conquistar uma estrela do cinema são apenas variantes dos desejos originais, aqueles que garantem nossa vida”, brinca.

O médico afirma que as vontades são diferentes dos desejos, pois dependem de um fator a mais: a lógica. A vontade é um desejo racional, deriva do pensamento, do raciocínio, da análise do cenário, tanto presente quanto futuro. “Eu posso ter desejo de ficar deitado na rede, mas tenho vontade de preparar minha tese de doutorado. E é nesse momento que eu posso descobrir quem manda em mim, meus desejos ou minhas vontades. Meu ser mais primitivo, ou meu lado evoluído, que quer continuar evoluindo”, questiona.

Portanto, a vontade é um sentimento que está sob o seu controle. Você pode mandar em sua vontade a partir do pensamento, e a isso costumamos chamar, popularmente, de “força de vontade”, qualidade dos realizadores, dos determinados, dos que parecem predestinados ao sucesso. De acordo com o médico, você levanta cedo da cama e joga-se de corpo e alma em um dia cheio de trabalho, dificuldades e contratempos, não por desejo, mas por vontade. Se obedecer ao desejo, fica na cama, mas, se controlar sua vontade, vai trabalhar. E isso vai mostrar duas coisas em especial: seu grau de maturidade, e a identificação racional que você tem com o seu trabalho.

E quanto a isto não há milagres. “Acredite! A melhor maneira de garantir o atendimento aos seus desejos é organizar a vida a partir de suas vontades, e investir na qualidade das mesmas, o que depende de muita lógica e maturidade”, finaliza Mussak.

Margot Cardoso

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8 Comentarios para “Saiba como construir uma inabalável força de vontade”

  1. Louvo a Deus por tudo que li pois confesso estar precisando de ter a vontade de vencer e lutar até o fim,parecia estar lendo a minha vida tenho desejo para muitas coisas mais devido as cobranças daqueles que me cercam e as palavras daqueles que dizem que eu não vou conseguir deixo me abater,meu grande sonho é fazer missões por muitos países e gostaria também de dar ao meu pai o tão esperado diploma que ele faz tanta questão confesso também que eu desejo te-lo gostaria de ter o prazer de dizer eu consegui por mais que eu não sonhe em exercer uma função,gostaria de um conselho como estudar e servir a Deus ao mesmo tempo?muitas vezes sinto que pensando em fazer faculdade tenho que abrir mão de buscar um pouco mais a Deus
  2. Olá Natália,
    Talvez eu não seja a pessoa mais correta para lhe aconselhar. Pois sempre achei que se conselho fosse bom não se dava. Vendia-se…
    Eu poderia muito bem lhe aconselhar a conversar com o pastor de sua igreja, com seus pais, etc. Mas estou percebendo que neste momento você deseja uma opinião de alguém totalmente de fora da sua história.
    Pois bem, Natália, vou analisar alguns pontos de seu depoimento, começando por algo que mais me chamou a atenção:
    1º) Você diz: .”..por mais que eu não sonhe em exercer uma função”. Me surpreendeu, realmente, ao ler isto Natália, porque a reviravolta que você deve iniciar em sua vida será por aí e eu te aconselho a fazer uma auto-reflexão, deitar a cabeça no travesseiro e se perguntar: “O que eu realmente gostaria de fazer profissionalmente?”, “Do que eu gosto?”, “O que eu sei fazer?”.
    Ok, Natália você responde: “meu grande sonho é fazer missões por muitos países…”.
    E isto não é o suficiente, porque a pergunta principal é: “… que tenho que fazer para alcançar este meu sonho?”, “qual o caminho?”
    Logo depois você completa: “…confesso também que eu desejo tê-lo”.(o diploma).
    E na posição de profissional de RH eu lhe garanto que sem estudar não chegamos a lugar nenhum e é uma pena que você não tenha citado qual o curso que você está fazendo. Mas seja lá qual for é, sem dúvida nenhuma, um atalho para seu sonho. Mesmo que não seja a estrada principal, mesmo que outras pessoas digam que você deve ter foco. Eu lhe digo: Natália, suba um degrau de cada vez… tenha calma, tenha equilíbrio, as coisas não são feitas de um dia para o outro.
    A universidade não tem apenas o objetivo de formar pessoas, mas “desabrochá-las” pro mundo… seu leque se amplia. Você passa de um estágio de “proteção” para um universo mais realista.
    Este artigo que você leu realmente é bem esclarecedor e não deixe que “cobranças daqueles que a cercam” lhe tirem de suas metas. Apenas aja em prol de suas próprias cobranças e faça ouvidos de mercador para outros dizendo que “você não vai conseguir”. Porque nosso pior inimigo não é aquele que nos atira palavras rudes, que nos tentam derrubar, que nos agride com “nãos”. O nosso pior inimigo mora dentro da gente quando dizemos: “eu não posso”, “eu não consigo”, “eu não sou capaz”…
    Nossos inimigos são “fichinhas” quando comparados a este grande inimigo que mora dentro da gente! Talvez, até, possamos nomeá-lo como desmotivação.
    Natália, você tem a opção de após seu curso fazer uma especialização em Teologia, pense na possibilidade de enquanto estiver estudando, fazer cursos paralelos que lhe atribuam mais conhecimento para atingir sua meta.
    Talvez você já pratique trabalhos voluntários neste segmento, se sim, continue, continue e continue. Isto só lhe fará crescer…
    O mais, dobre seus joelhos e peça respostas… elas virão, com certeza, mais cedo do que você imagina, talvez até nas entrelinhas desta minha resposta para você.

    Um grande abraço e fique bem…
    Prof. Rita Alonso

  3. Vim hoje, ocasionalmente, a este site.
    Acho-o excelente e vou recomendá-lo.
    O texto inicial bem escolhido. A questão colocada foi boa. Mas a resposta dada é o máximo. Resposta madura de quem sabe verdadeiramente o que é vontade e já descobriu à muito o seu EU ( ou EU SOU )
    Um abração.
    Prof. Eduarda Costa
  4. Olá Eduarda,
    Fico muito feliz por vc ter gostado do nosso trabalho, espero vê-la por aqui várias outras vezes, inclusive comentários seu.
    Um grande abraço,
    Prof. Rita Alonso
  5. Gostaria muito que a Prof. Rita Alonso me ajudasse. Eu tenho duvidas entre fazer faculdade de medicina ou psicologia.
  6. Olá Thiago,
    Para responder esta pergunta existe uma série de questionamentos que precisamos fazer antes…
    Falando primeiramente da Medicina:
    Para seguir a área biomédica vc precisa, em primeiro lugar, responder questões de ordem financeira e vocacional.
    V. tem condições financeiras para bancar o curso de medicina? Gosta? Mas gosta realmente?
    Se sim continue a responder outras tão quão importantes como: Estarei disposto a abrir mão da minha vida quase que integralmente para estudar e depois para me dedicar ao trabalho, muitas vezes com pouca rentabilidade????
    Outras questões viriam como vc deseja se formar e ir medicar no interior? Se for tb é uma boa opção…
    Seria legal vc fazer uma pesquisa com pessoal da área, fazer observação “in loco”, entrar em hospitais…. ver o lado cruel da profissão…
    Agora Thiago, em relação à Psicologia, vc teria q ver em qual seguimento da área vc gostaria de atuar. Se na área clínica ou na empresarial.
    Se gosta de trabalhar com pessoas na área humanas…
    Fazer seleção, aplicar dinâmicas… é uma área linda, afinal estou nela e suspeita para falar.
    Se vc for do RJ, faça curso de Recrutamento e Seleção ou de Dinâmica de Grupo na Estácio nas férias que custam R$15,00. Para vc conhecer e ver se gosta e depois me fale sobre o q eu falei. Mas de qq forma uma coisa é certa: Para ter sucesso é preciso gostar MUITO do que faz e fazer com amor…
    Só assim se atinge o sucesso.
    Boa Sorte de coração para você…
    Prof. Rita Alonso
  7. Boa Tarde !!!!!!
    Tenho 25 anos, o 2º completo, estou sem estudar a muito tempo, tenho uma otima profissão no ramo farmáceutico, mas porém tenho um grande SONHO de ser Medico, o que eu mais quero no mundo é ser um Doutor um Neuro Cirurgião, poder ajudar, salvar vidas…
    Mas sem estudar, eu sei que não vou chegar a lugar algum, ainda mas que um dos cursos mais disputados mais difíceis….ai ai……
  8. Rodrigo
    Temos que acreditar para ver…
    Que tal se vc começasse a se habituar a estudar para o vestibular de medicina durante x horas por dia? Todos os dias?
    OU começar aquele cursinho à noite?
    O importante é começar pelo primeiro degrau… um dia vc alcança o último.
    Um abraços,
    Prof. Rita Alonso

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