Tanta Gente

(a imagem foi uma homenagem a Prof. Rita de sua amiga Carmem Freire)

E a gente vê tanta gente sem ver ninguém;

Aí, de repente, a gente enxerga alguém.

A boca faz som, a cabeça gira e

O coração dispara

Que nem bobo.

É…

E a gente nem entende, fica contente à toa!

Fica numa boa, nem sabe porque

Tenho cabeça e não penso,

Tenho olhos e não enxergo

Meus ouvidos não ouvem,

Pareço doido, surdo e cego

Porque só penso, só ouço e só enxergo

Este alguém…

Que nem me pensa, nem me ouve e nem me vê.

Ah, Bicho bobo, este tal sentimento,

Que traz sofrimento, que dói dentro da gente.

Mas que a gente gosta, abre o coração e mostra

O que a gente nem viu!

Não foi nada, nem foi gente,

Foi só sentimento que dentro do peito surgiu.

Cheio de sofreguidão, feito furacão

Meio sem jeito, cheio de medo,

Cheio de segredo, no meio da multidão.

Ah, este coração que tanto dispara.

Ah, este meus ouvidos que não mais ouvem.

Ah, esta cabeça que não pensa em mais nada!

Não querem por bem,

Escutar mais nada, mais ninguém…

Porque, de repente,

Escutam no outro o nosso próprio som…

Ah, estes meus olhos que não mais enxergam

Porque parecem cegos,

Neste mundo de tanta gente.

É porque, de repente,

A gente enxerga nos outros…

A gente.

E a culpa?

É desta cabeça que só te pensa,

Destes ouvidos que só te ouvem,

E destes olhos que só te vêem.

Rita Alonso

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