Qualidade? Sim, o sistema está funcionando, não está?

Bem interessante que a própria pergunta que entitula este artigo já reflete um aspecto intrigante do significado do termo “qualidade”. Vamos ler uma definição aderente a indústria de desenvolvimento de soluções em T.I. :

“Conformidade a requisitos funcionais e de desempenho explicitamente estabelecidos, a padrões de desenvolvimento explicitamente documentados, e a características implícitas que são esperadas em todo software desenvolvido profissionalmente.”

Ao abordar outras definições, chegaria-se à uma única percepção: a qualidade trata-se de um conceito complexo e com muitas facetas, podendo somente ser definido através da análise de diferentes perspectivas, de diferentes fontes, como :

·                  Transcendental: pode ser reconhecida mas não pode ser definida.

·                  Visão do usuário: aptidão para atender a um propósito.

·                  Visão do fabricante: conformidade a especificações.

·                  Visão do produto: estreita ligação com as características do produto.

·                  Visão de valor: depende de quanto o cliente está disposto a pagar por ela.

Um profissional da área de desenvolvimento de sistemas poderia ficar limitado a somente enxergar seu particular conceito de qualidade para avaliar e validar seus resultados no ciclo de vida de um projeto, porém, vale ressaltar que é inevítável um confronto subjetivo entre as diversas percepções de qualidade dentro de uma equipe e dentro da estrutura organizacional na qual este profissional se encontra. Por exemplo, supondo uma situação relacionada a uma entrega de funcionalidades do sistema para ambiente de homologação ou produção. Poder-se-ia sofrer diversas interpretações dependendo da posição do profissional que estiver diante desta entrega. Um gerente de projeto estaria observando o atendimento a prazo e custo previstos. Pode até ter o prazo cumprido, porém foi desembolsado mais recursos financeiros por conta de apropriação de horas extras para os desenvolvedores, por exemplo. O analista de suporte/implantação pode julgar a arquitetura do sistema, seus elementos, como não condizentes com os padrões de tecnologia da sua empresa, e por aí vai.

Em um nível acima, temos o gerente de uma área de tecnologia preocupado, entre outros fatores, com a produtividade de todos os projetos de desenvolvimento de sistema. Isso parece, em um primeiro momento, para o desenvolvedor, algo que não irá “tirar o seu sono”. Daí, uma boa resposta seria : através de instrumentos e mecanismos de controle, cada vez mais presentes, melhor implanatados e menos temidos nas organizações de T.I., consegue-se ter a percepção da produtividade da equipe deste desenvolvedor.

Enfim, como primeiro artigo, com o objetivo de motivar e instigar um construtivo debate, fica uma mensagem: a qualidade será sempre questionada, principalmente daqueles que dependem do resultado de seu trabalho, quer seja seu cliente ou usuário final, seu gerente de projeto, do gerente da sua área em sua organização.

 

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